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22 julho 2024

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Montalvão 1527

22 julho 2024 0 Comentários

EM 1527 SURGEM AS PRIMEIRAS INFORMAÇÕES, A NÍVEL NACIONAL, COM DEMOGRAFIA E LOCALIZAÇÕES DAS POVOAÇÕES MAIS IMPORTANTES DO REINO.



Montalvão revela-se, desde logo, um dos maiores povoados do Alentejo e de Portugal. Isto em 1527, há 497 anos.

 

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01 dezembro 2022

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Montalvão 2021: População (Parte I: Características)

01 dezembro 2022 0 Comentários

MONTALVÃO É UMA DAS FREGUESIAS MAIS ENVELHECIDAS E COM MENOR DENSIDADE POPULACIONAL, EM PORTUGAL.


A freguesia de Montalvão, composta por Montalvão e Salavessa, com 290 habitantes (19 de abril de 2021) tinha 133 Homens (género masculino) e 157 Mulheres (género feminino), ou seja, respetivamente 46 por cento e 54 por cento.

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29 julho 2022

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Salavessa: Terra do e de Mel

29 julho 2022 1 Comentários

A SALAVESSA É UM POVOADO ANTIQUÍSSIMO PRATICAMENTE CONTEMPORÂNEO DE MONTALVÃO.


Abelha salavessense carregada de pólen (cera)


As abelhas têm nela um domínio de liberdade e alimentação num caleisdoscópio de cores que tanto lhes agrada.

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30 dezembro 2021

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Antes Que o Ano Acabe

30 dezembro 2021 0 Comentários

O I.N.E. (INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA) DIVULGOU MAIS INFORMAÇÃO DEMOGRÁFICA RELATIVA AO ÚLTIMO RECENSEAMENTO DA POPULAÇÃO.


A freguesia de Montalvão conta com 290 habitantes: oito crianças até aos 14 anos, catorze adolescentes até aos 24 anos, 95 adultos até aos 64 anos e 173 idosos com 65 ou mais anos!

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30 setembro 2021

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Depósito da Água (Parte II)

30 setembro 2021 0 Comentários

A ÁGUA CANALIZADA CHEGOU MUITO TARDE A MONTALVÃO MAS...CHEGOU.


Se a energia elétrica foi inaugurada em 1948, a água canalizada e o saneamento (esgotos) apenas nos Anos 60 serviram a população de Montalvão.

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12 setembro 2021

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Montalvão 1910

12 setembro 2021 2 Comentários

A DEMOGRAFIA MONTALVANENSE HÁ 110 ANOS ERA UM «ASSUNTO À PARTE» COMPARADA COM A ATUALIDADE. 

A quantidade de crianças na «Vila» contrasta com a progressivo envelhecimento durante o século XX. E o despovoamento irreversível no século XXI

Até mesmo com a de 1940 ou 1950. Mas tendo de continuar por algum ano depois de contabilizar a demografia montalvanense em 1900 (clicar) que se perceba a demografia de Montalvão em 1910.
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28 agosto 2021

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A Ínclita Geração Montalvanense

28 agosto 2021 0 Comentários

A QUE DISSE - NÃO! - NOS ANOS 50 E 60, A CONTINUAR UMA VIDA DE SERVIDÃO EM MONTALVÃO.




Foram «Mulhés» e «Hómes» montalvanenses, nascidos entre meados da década de 30 e início da década de 50. A «Ínclita Geração Montalvanense».

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28 julho 2021

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Recenseamento 2021: 290 Montalvanenses

28 julho 2021 0 Comentários

APURAMENTO PRELIMINAR DO ÚLTIMO RECENSEAMENTO


Em 2021 foram recenseados 177 mulheres e 133 homens residentes na freguesia, num total de 290 montalvanenses/salavessenses. Há dez anos (em 2011) eram 442, o que representa uma redução de 34.4 por cento, ou seja, em dez anos a freguesia perdeu um terço dos seus habitantes. 

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17 junho 2021

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Vacinação e População (Parte II)

17 junho 2021 1 Comentários

DURANTE SÉCULOS A POPULAÇÃO DE MONTALVÃO MANTEVE-SE ABAIXO DE UM MILHAR.

Muitos nascimentos mas também muitos óbitos. Os "anjinhos" - bébés que morriam logo após nascerem ou nas semanas seguintes - tiveram durante décadas (séculos) números impressionantes. 

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07 janeiro 2021

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Montalvão 1803 (Parte I: Pessoas)

07 janeiro 2021 0 Comentários

HÁ DOIS SÉCULOS MONTALVÃO FICOU "RETRATADO" A TINTA EM PAPEL PARA A POSTERIDADE.


Descrito com critério por quem não habitava em Montalvão. É pois um olhar "de fora para dentro" de alguém que era perito em interessar-se pelos pormenores que realmente deviam ser valorizados.



Em 1758, há uma excelente descrição do território feito por Vigário Frei António Nunes Pestana de Mendonça a pedido do futuro Marquês de Pombal que solicitou aos párocos de todo o País a descrição das suas paróquias. Comparando a descrição de Montalvão com as outras paróquias podemos estar grato ao nosso vigário que se esmerou. Colocado pela Diocese de Portalegre, em Montalvão, com conhecimento do local onde vivia pode fazer um trabalho de grande qualidade que permite conhecer (bem...) o território de Montalvão em meados do século XVIII.



Quase meio século depois, em 1803, há outra descrição, desta vez por um "estranho" que estudava as características da fronteira do Nordeste Alentejano. São 28 páginas manuscritas (mais 27 e um pouco da 28.ª!) essencialmente do ponto de vista militar mas que foram muito para além disso, ainda que seja esse o objetivo. Mas permitiu saber a geografia física e humana, bem como a arquitetura, demografia, rede viária interna e externa, vida dos montalvanenses e a sua capacidade de sobreviver, bem como o modo como o faziam. Aborda-se neste texto as descrições mais detalhadas acerca das pessoas, deixando-se para outros, o clima, a vegetação, a geologia, os cursos de água (dois rios e cinco ribeiras/ribeiros) e a descrição da vasta rede de caminhos - para veículos (carrilhos) e para pessoas (veredas e carreiros) - com as distâncias reais e tempo gasto, para chegar a localidades como Castelo de Vide, Marvão, Portalegre, Alpalhão, Nisa, Castelo Branco e Ferreira de Alcântara (Espanha). Além das localidades intermédias, como é evidente. 




Foi o então Oficial do Real Corpo de Engenheiros, José Maria das Neves Costa, nascido em Carnide (atualmente pertencente a Lisboa) que fez um reconhecimento militar da fronteira do Nordeste Alentejano. Deixou um conjunto de memórias descritivas e uma carta topográfica pormenorizada que mesmo sendo trabalhos para o exército (Inspeção Geral das Fronteiras e Costas Marítimas do Reino) e interesse militar documentam com preciosidade e minucia o que eram e por onde se deslocavam os montalvanenses.  



Não chegavam a 300 casas com cerca de 4 pessoas por edifício. Ruas revestidas com ponedros - não havia ruas de "terra batida" - com casas térreas (um piso) o que confere com aquilo que ouvia dizer aos mais velhos da povoação no início dos Anos 70. A Vila era constituída quase só por habitações de um piso mas depois as que se iam fazendo de novo já tinham dois e algumas das outras receberam mais um. Vendo as poucas fotografias de Montalvão com mais de um século percebe-se que tudo encaixa. A povoação com metade das casas que já tinha nos Anos 60 do século XX era o núcleo central, como é facilmente percetível (clicar). Se em finais do século XIX já havia rua do Ferro no início desse século a Vila a norte terminava na rua da Barca sendo esta a ligação à foz do rio Sever e à barca para atravessar o rio Tejo.  



Não havia convento e o hospital (na Misericórdia) era rudimentar e esconso. Há 200 anos o acesso à água no final do Verão era problemático. Como era em meados dos Anos 50 quando a população quase triplicara desde 1800. Os oito poços/fontes são fáceis de identificar pois quatro situam-se a Norte - Cereja (salobra), Nova/Ouro, Grande e "do Mato" - e quatro a Sul: Chouriça, Carreira, «Fontanhão» e Judia. Depois os artesãos que parecem suficientes para mil habitantes, bem como os moinhos no rio Sever e o açougue (matadouro) por baixo do edifício do Município e que deixou topónimo a assinalar as suas "escadinhas". Em relação aos dois lugares a esperada ordem de grandeza. A Salavessa era quatro vezes maior que o Monte do Pombo, em edifícios, mas as famílias neste eram maiores. Assim se descreveu Montalvão. Uma parte pois há muito mais para saber acerca de Montalvão e dos montalvanenses recuando mais de dois séculos.   




Continua um dia destes...

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19 dezembro 2020

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Vacinação e População (Parte I)

19 dezembro 2020 3 Comentários

A POPULAÇÃO DO TERRITÓRIO DE MONTALVÃO, DESDE COMENDA A CONCELHO E DEPOIS A FREGUESIA MANTEVE-SE NO MILHAR DE HABITANTES.




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08 novembro 2020

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Monte do Pombo

08 novembro 2020 0 Comentários
UM LUGAREJO DE MONTALVÃO QUE CHEGOU A TER 27 CASAS E 67 PESSOAS EM HABITAÇÃO PERMANENTE.



Em meados dos Anos 50 começou a ficar despovoado até perder o último habitante temporário nos Anos 60 e definitivo nos Anos 70.



Seguiu-se o abandono.

O lugarejo mais Setentrional do Além-Tejo
Mas chegou a ser a localidade, ainda que um lugarejo (Monte) mais a norte do Norte Alentejano, com nascimentos e mortes registadas e certificadas. A última localidade antes de atravessar o rio Tejo para Norte ou a primeira depois de atravessar o grande rio peninsular de Norte para Sul.


Em 1758: 13 edifícios e cinquenta pessoas
Na descrição (arquivada na Torre do Tombo, em Lisboa) que Vigário Frei António Nunes Pestana de Mendonça faz, em 24 de abril de 1758, a pedido do Poder Central, em Lisboa, para avaliar os estragos provocados pelo terramoto em 1 de novembro de 1755 (original e tradução) à pergunta:

«6. Se o tem, que Lugares, ou Aldeas, comprehende, como se chamaõ, e que visinhos tem?» 

De Montalvão responde: «= Tem e comprehende em si esta freguesia, cinco lugares a que vulgarmente se chama Montes = a saber Monte do Pombo que tem trese fógos e trinta e três pessoas de comunhão; dezassete pessoas menores. -»



Ocupação humana e agrária compreensível e justificada
Era um local fundamental para poder usufruir de condições geomorfológicas superiores às da maior parte do território. Condições - arcoses e cascalheiras - muito semelhantes às que permitiram estabelecer ocupação humana e crescimento populacional na Salavessa. Estas condições justificavam, em grande parte, a sua existência e localização.



A localidade de Montalvão como sede de concelho e depois de freguesia ficou sempre muito periférica em relação ao centro geográfico do território que tem sob sua "jurisdição".

Caminho Castelo de Vide para Castelo Branco e vice-versa
O Monte do Pombo não ficava em pleno caminho milenar que ligava Castelo de Vide a Castelo Branco ou este a Castelo de Vide mas ficava numa encosta para Nordeste, com muita e boa água, já muito próximo da Lomba da Barca, onde se fazia a travessia do rio Tejo. A uma légua de Montalvão, concretamente 4.8 quilómetros e a 1,1 quilómetros da margem esquerda do rio Tejo.


O Ti Mané Corrêa
Foi o grande proprietário dos terrenos ao redor do Monte do Pombo. Os habitantes deste lugarejo faziam muitos trabalhos sazonais para ele, tal como para o Laia (dono da herdade Lomba da Barca) e com origem num povoado da Beira Baixa. Muitos habitantes do Monte do Pombo viviam das suas hortas - o lugarejo era generoso em água permitindo hortas junto das linhas de água - vendendo em Montalvão. Além disso alguns habitantes de Montalvão tinham olivais, com alguns sobreiros e pinheiros mansos, nos cabeços de arcoses e cascalheiras pois estas permitiam que, também, a cobertura vegetal fosse generosa. Uma "saca de azeitona" do Monte Pombo dava um alqueire de azeite. Eram consideradas das melhores oliveiras do território montalvanense. Até ao apanhar (ripar) azeitona ficavam as mãos logo untadas, enquanto noutros locais a azeitona era mais «abrufêra» (água russa) que «azête». Escrever acerca do Monte do Pombo nunca se pode olvidar os antepassados do Ti Mané Corrêa e dos seus descendentes. Provavelmente foram dos primeiros a chegar e de certeza, os últimos, a abandonar o lugarejo.





Assim se foi fazendo e desfazendo Montalvão

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11 julho 2020

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Montalvão 1900

11 julho 2020 0 Comentários
A DEMOGRAFIA MONTALVANENSE HÁ 120 ANOS ERA UM «ASSUNTO À PARTE» COMPARADA COM A ATUALIDADE. 

A quantidade de crianças na «Vila» contrasta com a progressivo envelhecimento durante o século XX. E o despovoamento irreversível no século XXI

Até mesmo com a de 1940 ou 1950. Mas tendo de começar por algum ano que se perceba a de 1900.

(clicar em cima desta e de quase todas as imagens permite melhor visualização das mesmas)



No Recenseamento realizado em 1900, Montalvão (freguesia) tinha 1 819 habitantes (911 homens e 890 mulheres) que viviam em 507 edifícios. Metade dos fogos (contando também com edifícios abandonados e sem telhado!) na atualidade.

         DEMOGRAFIA 1900



Em 1900, nasceram 39 pessoas e morreram 20, o que fez transitar um acréscimo de mais 19 montalvanenses (dez homens e nove mulheres) para 1901. Em arruamentos, mesmo que diminutos (praticamente com a mesma expressão demográfica em 1900) há circunstâncias inevitáveis, enquanto a rua do Hospital acrescentou mais uma menina aos montalvanenses, na rua da Igreja (com mortes e nascimentos em 1899) não houve alterações em 1900.


(clicar em cima desta e de quase todas as imagens permite melhor visualização das mesmas)


NOTA: a rua das Almas parece ser a continuação da rua da Costa mas também pode ser a da rua da Barca. Só na segunda década do século XX "ganha autonomia"



Em 1900 - ou até 1900 - ainda não existiam alguns dos arruamentos que só foram surgindo durante o século XX, tais como o largo da Corredoura, a rua das Almas (embora esta informação seja dúbia), Porta de Cima e Porta de Baixo. Além da rua das Traseiras e rua da Cabine, que eram traseiras com os quintais da rua do Outeiro, Direita e Cabo. Alguns destes arruamentos surgiram com o esvaziamento demográfico do Monte do Santo André e Monte do Pombo.



Em 1900, mesmo alguns arruamentos eram muito menores - em termos de edifícios construídos e extensão - do que na atualidade. Principalmente os arruamentos nos extremos da povoação. Por exemplo, a rua de São Pedro seria menos de metade do que é passados 120 anos. Em 1900 era, essencialmente, uma rua de traseiras - quintais das casas do Outeiro, Direita e Cabo - depois do «Pátio» e até à capela, então Ermida de São Pedro. Aliás denominava-se «caminho do São Pedro».



Analisando os nascimentos e óbitos desde o século XVI é possível perceber como foram evoluindo os arruamentos montalvanenses. Há muito «pano para mangas». 

Assim se foi fazendo Montalvão


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03 abril 2020

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Berços de Pedra

03 abril 2020 0 Comentários
OS EDIFÍCIOS DE MONTALVÃO, HABITADOS POR FAMÍLIAS, FORAM DURANTE SÉCULOS UMA MATERNIDADE.



Todas as casas? Nem todas! Mas não houve edifício familiar construído antes dos Anos 60 que não tivesse sido local de, pelo menos, um parto. E os prédios mais antigos foram maternidades em mais de 40 nascimentos de montalvanenses. Quando olhamos, da rua, para uma casa que tenha mais de 70 anos, estamos a olhar para um local onde nasceram montalvanenses.

Houve anos em que nasceram mais de 60 crianças, ou seja, em média um parto a cada semana. Os choros dos bébés ecoavam um pouco por toda a localidade. Umas vezes na rua da Costa, depois na Corredoura, na rua Direita, na do Ferro, na rua da Barca, depois na de São Pedro, Arrabalde, Arneiro ou Outeiro, todas tiveram partos anualmente. Toda a aldeia era uma maternidade gigantesca, não dividida por quartos, mas por casas. Casas de habitação, berços de pedra.

Todas as casas de Montalvão têm história
Muitas estórias diárias em cada edifício habitado que todos juntos - desde que começaram a ser habitados até à atualidade - completam a História de cada uma das casas familiares montalvanenses. E a história de todas elas, no seu conjunto, é uma parte significativa da História de Montalvão. Para a completar restam as estórias que se passaram nos terrenos agrícolas que constituem a freguesia. A junção das histórias - a da localidade, outros locais com habitação e o espaço rural envolvente que suportava a vida dos montalvanenses - são a «História Total de Montalvão». 

Berços de Pedra
A história completa de cada casa já não é possível fazer - pelo menos com os meios existentes na atualidade - mas ainda se consegue fazer a história de algumas delas. Só consigo fazer a história de uma. Outros conseguirão fazer de outras casas. A história que vou escrever é acerca de um edifício - por que só consigo contar com rigor a "vida" desta casa - mas é como se contasse a história de todas as outras. Ao contar a história desta é uma forma de homenagear todas as outras, pois todas tiveram dentro delas estórias idênticas, variando a dimensão, formato de cada uma, bem como as datas e números a elas associados.  


O prédio construído num quintal, com serventia pela rua das Almas, de uma casa com entrada pela rua do Ferro. Nesta casa da rua das Almas nasceram quatro montalvanenses, entre 1938 e 1960


Um «Berço de Pedra»
Na rua das Almas. É a história do prédio da imagem que está por cima que consigo contar. E é esta que vou escrever. Foi construída no início da década de 30 para um casal que contraiu matrimónio, na Igreja Matriz, em 20 de agosto de 1930. Esta casa foi feita no quintal de outra casa. De um prédio no gaveto entre a rua do Ferro e a rua das Almas. Este edifício tinha um quintal com serventia pela rua das Almas. 



Mais um «Berço de Pedra»
Quando a filha mais velha dos donos deste edifício de gaveto se casou foi construída uma casa no quintal desse prédio para o recém-casal fazer a sua vida. Nesta casa, feita no quintal de outra, nasceram quatro montalvanenses, entre 1938 e 1960. A curiosidade é que o último montalvanense a nascer nesta casa, em 1960, era filho da primeira montalvanense a nascer, em 1938, no prédio feito num quintal de outra casa. De permeio nasceram mais dois montalvanenses, ambos no década de 40, mas isso é outra história. 


A casa de gaveto entre a rua do Ferro e a rua das Almas que tinha um quintal com serventia para a rua das Almas onde se ergueu mais uma casa na primeira metade da década de 30

Dois montalvanenses
Em 20 de agosto de 1930 casaram-se dois montalvanenses. Como era habitual em Montalvão, o esposo era mais velho e a esposa mais nova. O casal teria depois cinco filhos, oito netos e 15 bisnetos. A vida foi feita à volta do rendimento de uma carpintaria, pois o Ti Zé Caratana era carpinteiro. Ele nasceu, pelas 14 horas, em 28 de novembro de 1905, sendo batizado em 11 de fevereiro de 1906. A esposa, filha mais velha dos donos da casa e quintal onde foi construída outra casa, nasceu pelas quatro horas da manhã, em 24 de fevereiro de 1910, com batizado a 26 de maio de 1910. Ele o 9.º batizado em 1906, ela o 28.º batizado em 1910. Vinte e oito batizados e ainda o ano de 1910 não ia a meio. Nasceram 63 crianças, em 1910, entre Montalvão, Salavessa, Santo André e Monte do Pombo. Poucas sobreviveram até aos dois anos.   

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Um casamento
Em 20 de agosto de 1930 consumou-se o casamento. O noivo com 24 anos e a noiva com 20 anos. Batizados e casamento na linda Igreja Matriz, por onde passava a vida de todos os montalvanenses. Velados em casa depois de morrerem, também por lá passaram na última viagem a caminho de cemitério onde repousam.



Uma família
Depois do casamento e até que o edifício erguido no quintal da rua das Almas estivesse concluído nasceram os dois primeiros filhos. O mais velho na rua da Barca e o seguinte no prédio de gaveto, com entrada pela da rua do Ferro já no quintal se erguia, lenta mas em definitivo, a futura casa do casal com o carpinteiro a ter oficina, também, na rua das Almas. 



Quatro partos
O terceiro filho - primeira filha - já nasceu na nova casa da rua das Almas, em 11 de novembro de 1938, tal como o quarto - segunda filha - e o quinto - terceiro rapaz, infelizmente já uma estrela no firmamento sobre Montalvão. Depois passariam quase duas décadas até que este edifício voltasse a ser berço. O primeiro neto nasceu na rua de São Pedro, o segundo - filho mais velho da filha nascida em 1938 - nasceu na mesma casa, em 21 de outubro de 1960. O terceiro neto nasceu na rua de São Pedro e os restantes cinco nasceram noutras ruas e cidades. Foram quatro os nascimentos, entre 1938 e 1960. Em 21 anos e onze meses a "Casa da rua das Almas" foi quatro vezes maternidade. E por aí ficou. Quatro nascimentos lhe deram história. Por quatro se ficou, um edifício que ainda nem 90 anos tem. Mas em Montalvão há edifícios com muitos mais nascimentos que apenas quatro, pois há casas com mais de 200 anos e construídas em locais onde há prédios que foram sendo melhorados durante 700 anos! Uma eternidade.

O terceiro montalvanense a nascer nessa casa da rua das Almas já é apenas uma das estrelas no firmamento celestre sobre Montalvão. Os outros três - dois mais velhos e um mais novo - por enquanto continuam por cá!

É assim Montalvão. Um choro na Corredoura, outro no Arrabalde, um na rua das Almas e outro do princípio da rua de São João. Mais ainda na maior das ruas, a Direita, com a do Outeiro de um lado e a do Cabo do outro. Repetindo-se em sete séculos. Em todas as casas de chorou ao nascer e fez festa por haver mais um filho. 

Foi tempo que existiu, que acabou, mas a memória, enquanto existir um montalvanense, jamais apagará!
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18 dezembro 2019

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Vamos à Póvoa

18 dezembro 2019 0 Comentários
PÓVOA E MEADAS É UM POVOADO MUITO MAIS RECENTE QUE MONTALVÃO.



A estrada (outrora caminho) que a liga a Montalvão é, no entanto, muito mais antigo. Tão antigo quanto Montalvão pois era a ligação de Montalvão a Castelo de Vide e deste a Castelo Branco por Montalvão via Lomba da Barca, onde se atravessava o rio Tejo. 


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A atual povoação de Póvoa e Meadas resultou da construção de edifícios nesse caminho que ligava Castelo Branco a Castelo de Vide. 

Não há aqui, neste blogue, qualquer interesse em fazer a história de Póvoa e Meadas. Só para fazer o enquadramento, pois para Montalvão o local onde se edificou, foi durante mais de um século, uma passagem.



"As Meadas", essas sim, são praticamente contemporâneas de Montalvão - uns anos, poucos, mais recentes - embora fossem um lugarejo quando comparadas com Montalvão. As Meadas resultam de um grande latifúndio romano que por sua vez têm origem numa ocupação ancestral (alguns dos menires e construções mais majestosas da Ibéria localizam-se no concelho de Castelo de Vide com a freguesia de Póvoa e Meadas, em destaque) mas com fraca densidade populacional. Aliás, toda a freguesia de Póvoa e Meadas é um conjunto de grandes latifúndios de origem romana a que depois se juntou um conjunto de habitações, construídas junto ao caminho que unia Montalvão a Castelo de Vide e este a Castelo Branco. 



As Meadas tiveram Foral, em 1348, mas Póvoa e Meadas só o vai ter em 1511, por isso é provável que a tentativa de povoamento ordenado pelo Poder Real (Dom Fernando) - daí o termo Póvoa - tenha ocorrido durante o século XV, nunca antes de 1426, talvez muito depois. Há notícias de um lugarejo, em 1435, mas percebe-se que «As Meadas», mesmo pouco povoadas, eram "mais importantes" que «A Póvoa». 



No Numeramento de 1527 («Cadastro da População do Reino») a "Póvoa" tinha 63 moradores (famílias, edifícios ou fogos) não tendo mais no seu termo (concelho). Montalvão tinha 153 moradores e mais 28 "em casaes apartados" (edifícios isolados ou juntos mas afastados do principal povoado). Tendo em conta o coeficiente de 4,5 pessoas por "fogos" utilizado pelos demógrafos, um concelho com 815 habitantes, tendo 689 pessoas no aglomerado principal, em Montalvão. Em "Póvoa e Meadas" (todo o concelho) habitavam 284 pessoas. O concelho de Montalvão era quase três vezes mais povoado, embora fosse também, 1.6 superior em superfície (quase o dobro).

A análise importante em relação tudo o que está escrito é a relativização do mesmo assunto. Quando se escreve "estrada entre Montalvão e a Póvoa e Meadas" é uma simplificação, pois ela foi construída no caminho antiquíssimo (século XIII) entre Montalvão e Castelo de Vide. Nesse caminho, no século XV, surgem edifícios ao longo do mesmo para serem habitados por famílias que beneficiaram da "doação" de terras para haver repovoamento num espaço demasiado vasto para estar desertificado em pessoas.

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Para instalar um aglomerado populacional (minorando a desertificação humana) junto do ancestral caminho, entre Montalvão e Castelo de Vide, a localização da Póvoa é "perfeita". É o sítio onde há maior abundância, em quantidade e qualidade, de água superficial e subterrânea, pois a ribeira da Ameixoeira corre paralela ao caminho. Bem diferente do que ocorria em "As Meadas", típico Povoado Romano em área agrícola adversa. quanto à localização de «Póvoa e Meadas» não é por acaso que a água canalizada em Montalvão é extraída junto à Póvoa e Meadas, seguindo em canalização subterrânea (curiosamente paralela à azinhaga - por ser em linha reta) até ao «Depósito»)

Como era comum em todo o espaço, português ou mundial, havia sempre - pelo menos dois - caminhos alternativos no espaço rural ou periurbano. Um de todo o ano utilizando a linha de festos (topos ou cumeadas) organizado entre sub-bacias hidrográficas, por isso permitindo a utilização mesmo de Inverno ou o transporte de veículos de tração animal (carros (mulas/éguas e machos/cavalos), carroças (burros e burras) e carretas (vacas e bois). Era um percurso mais longo, mas mais seguro e perene. Depois havia uma alternativa mais rápida, por "montes e vales" utilizando e atravessando linhas de água. Algumas vezes impraticáveis em dias/semanas de forte invernia mas geralmente possível de utilizar todo o ano, por pessoas ou um animal sem estar atrelado a um veículo. O caminho entre Montalvão e a Póvoa e Meadas não foi exceção.


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A estrada em macadame (depois alcatroada) foi construída no caminho que ligava Montalvão a Castelo de Vide e depois ficou com Póvoa e Meadas de permeio. O caminho foi organizado na linha de festos ou topos - por isso segue pela linha com marcos geodésicos («talefes» em montalvanês) como Boto e Atalaia I - que divide as sub-bacias hidrográficas do rio Tejo (para a esquerda) das sub-bacias hidrográficas do rio Sever (para a direita), com destaque para a da ribeira de São João que nasce junto à judiaria de Castelo de Vide. A Fonte Ferrenha (na azinhaga de Montalvão para Castelo de Vide/Póvoa e Meadas/São Silvestre é uma das nascentes do ribeiro de Fivenco ou Fevêlo

A cartografia não deixa margem para dúvidas quanto ao caminho habitual. Era o mais direto e rápido. A azinhaga pela Fonte Ferranha e o São Silvestre.




O caminho começou a ser transformado em estrada de macadame de Montalvão para a Póvoa e Meadas. Numa primeira fase até à divisão (ao marco geodésico do Boto, em montalvanês "talefe") entre o caminho (pela linha de festos ou topos entre as duas sub-bacias hidrográficas) e a azinhaga (pela Fonte Ferranha e São Silvestre).

    
A estrada de macadame (depois alcatroada) seguiu pelo caminho dos topos por ser menos oneroso (evitava viadutos, em particular uma ponte rodoviária por cima do ribeiro de Fivenco e Fonte Ferranha), seguro (menos declives) apesar de mais longo. A estrada, entre 1934 e 1938, ficou concluída em macadame.



O Município de Castelo de Vide (a estrada era municipal) fez um pequeno troço em macadame até ao limite do concelho (também freguesia de Póvoa e Meadas). 




Clicar para página integral da publicação arquivada na Hemeroteca cda Câmara Municipal de Lisboa (aqui)

Mais tarde, final dos anos 30, o Município de Nisa, terminou a ligação entre o marco geodésico do Boto e o limite do concelho (também freguesia de Montalvão) ligando os dois troços iniciais, do lado de Montalvão e do lado de Póvoa e Meadas.


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Agora é utilizar a estrada (antigo caminho) enquanto for possível. A azinhaga já era...

NOTA: Triste é querer ir à Fonte Ferrenha ou ao São Silvestre e ter que ir "quase à Póvoa e Meadas" pelo facto dos caçadores e o desleixo de quem tem mandado no executivo da Junta de Freguesia o terem permitido. Uns e os Outros... Uns (caçadores) por terem tomado conta da ancestral azinhaga para Castelo de Vide, Póvoa e Meadas, São Silvestre e Fonte Ferrenha e outros (autarcas) por a terem abandonado, estando intransitável. Há uns dois anos era impossível a sua utilização, entretanto pode ter havido modificações que só quem anda por aqueles lados saberá, embora não acredite embora gostasse de estar enganado! Pois é... já fica longe... não é útil... quase na Póvoa!
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