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19 outubro 2025

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Festa do Santíssimo Sacramento

19 outubro 2025 0 Comentários
NO TERCEIRO DOMINGO DE OUTUBRO REALIZAVA-SE EM MONTALVÃO UMA DAS MAIS ESPLENDOROSAS CELEBRAÇÕES. 



O dia dedicado a consagração do Santíssimo Sacramento que remonta à «Bulla Dominus Noster Jesu Christi» do Papa Paulo III, publicada, em 30 de novembro de 1539, teve grande importância no Cristianismo pois celebrava a Eucaristia, relembrando o sacrifício de Jesus Cristo no Calvário. Depois da Bula Papal rapidamente as comunidades cristãs formaram Irmandades para honrar e relembrar anualmente o momento que ocorrera em Jerusalém e que se tornou orgulho de quem passou a ter Cristo como referência espiritual.
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18 julho 2020

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Os Padres

18 julho 2020 0 Comentários
HOUVE DEZENAS DE PADRES EM SETE SÉCULOS MONTALVANENSES.



Num povoado com origem nos Templários o fator religioso sobrepôs-se durante centenas de anos às atividades seculares. 




Um dos sacerdotes que marcou o século XX foi o padre Virgílio (Virgílio Diniz Oliveira). Foi ele o último grande orador e pregador da povoação, embora não fosse o último pároco e muito menos o último a residir em Montalvão que tem casa paroquial. 


Casa Paroquial: amplo edifício com excelente quintal na rua da Barca

(clicar em cima desta e de quase todas as imagens permite melhor visualização das mesmas)



O Padre Virgílio pregou a primeira missa - havia pelo menos duas celebrações por dia (uma de manhã e outra pela tarde) em 20 de fevereiro de 1898. Apesar de chegar a Montalvão no final do século XIX foi o "Padre do Século XX Montalvanense" afastando-se do sacerdócio, por velhice, no início dos Anos 30.




A sua principal atividade era assegurar as eucaristias e todo o serviço de que estava incumbido um sacerdote até ao século XX, num povoado com tantos habitantes como Montalvão. 


O Padre Virgílio celebrou o primeiro casamento e batizado em 21 de fevereiro de 1898 e registou o primeiro óbito, estreando-se no «sacramento da extrema-unção», em 5 de março de 1898. 


"Adro" na escadaria da Igreja Matriz antes das obras de 1968/1969 que desfiguraram o traçado com dezenas (ou mais...) de anos

Além da sua principal atividade eclesiástica ainda ensinou muitos montalvanenses a ler, escrever e contar. 


Edifício de habitação do Padre Virgílio, na rua do Outeiro

Tinha um prestígio insuperável no povoado, dando exemplo de ética e moral acima de qualquer dúvida ou equívoco. 


Interior da Igreja Matriz - com soalho/madeira e púlpito - antes das obras de 1968/1969 que desfiguraram o traçado com dezenas (ou mais...) de anos
Reprodução de uma gravura, a aguarela, do pintor portalegrense João Tavares, datada de 1944. João Augusto Silveira Tavares nasceu em Portalegre a 22 de Setembro de 1908, falecendo na mesma cidade, em 20 de Novembro de 1984, aos 76 anos e dois meses. Foi professor de desenho no Liceu de Portalegre, além de pintor a óleo e aguarela, com tapeçarias elaboradas com base nos seus trabalhos

Foi uma figura superlativa e ao qual os montalvanenses procuravam apoio e aconselhamento, mesmo tendo aperfilhado uma criança, que seria em adulto, o lojista António d'Oliveira Falcão.  



Outros padres se seguiram, alguns a residir em Montalvão (por exemplo, o Padre José António dos Santos) outros vindos de fora da "Vila", quase sempre de Nisa. 


Da esquerda para a direita: Ti Chico (barbeiro), Ti Joaquim Branco (carpinteiro), Padre José dos Santos e Joaquim da Tróia (lojista)

Todos foram dando o seu contributo numa povoação onde as atividades diárias eram pontuadas pelo Sagrado. Com a desertificação demográfica tudo terminou. 

Próxima "paragem": Os Professores
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02 janeiro 2020

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Igreja Matriz e D. Isabel

02 janeiro 2020 0 Comentários
NASCIA-SE QUASE À PORTA, BATIZAVAM-SE, CASAVAM-SE, VELAVA-SE EM CASA MAS PASSAVA-SE POR ELA ANTES DA SEPULTURA. A NOSSA IGREJA MATRIZ ERA A CASA DE TODOS OS MONTALVANENSES.


Contemporânea do crescimento de Montalvão foi D. Isabel de Borgonha, filha de D. João I e de D. Filipa de Lencastre. Alentejana nascida em Évora, a 21 de fevereiro de 1397, era uma das mulheres mais belas, cultas e sensíveis do seu tempo. E era Princesa. A "fama" de ser única permitiu que um dos homens mais poderosos da Europa, o Duque da Borgonha que se considerava ser mesmo mais rico e poderoso que o rei de França enviasse a Portugal, em 1429, o pintor mais conceituado na Europa, Jan van Eyck para pintar o retrato (que se reproduz em cima) interessado em conhecê-la para casar. E assim foi. Depois de conhecer o retrato fez-se o casamento em 10 de janeiro de 1430. Protetora da Arte e dos Artistas, em particular da música e dos músicos, considera-se que foi a sua influência que fez evoluir a Música, do canto gregoriano para a polifonia, introduzindo os instrumentos musicais na sagrada cerimónia da «Missa». Um pequeno passo na Música, um passo gigante para a Humanidade! Com tudo o que surgiu depois.





Talvez que um dia, antes de partir, aos 32 anos para não mais regressar da Borgonha, tenha feito o caminho de Castelo de Vide para Castelo Branco, algo que o seu pai deve ter feito em várias ocasiões. E se a Infanta D. Isabel o fez passou em, ou por, Montalvão.



Se D. Isabel a irmã desconhecida, da Ínclita Geração, como denominou, o príncipe dos poetas, Luís de Camões, os filhos de D. João I e D. Filipa de Lencastre: D. Duarte (seis anos mais velho), D. Pedro, D. Henrique, D. João e D. Fernando (três anos mais novo) fez o caminho entre Castelo de Vide e Castelo Branco, ou vice-versa, provavelmente parou e rezou na Igreja de Montalvão. 



Talvez nunca tenha ocorrido mas há sempre uma possibilidade, ainda que remota, por ser passagem entre a margem norte e sul, pela Barca. As probabilidades de D. Isabel ter estado em Montalvão são ínfimas. Talvez também se tenha ouvido na nossa Igreja, já no século XVI, uma das primeiras obras que foram possíveis de concretizar pelo mecenato que D. Isabel instituiu na Borgonha. 



Depois de uma vida preenchida - uma das mais interessantes existências terrenas em final do século XV - D. Isabel enviuvou, aos 67 anos, retirou-se para um convento, falecendo em Dijon, a 17 de dezembro de 1471, aos 74 anos.




Quem sabe se um dia, algures, entre 1397 e 1429, não passou e rezou em Montalvão, esta alentejana nascida em Évora e que se tornou numa das personalidades mais impressionantes da Idade Média na Europa e uma das primeiras cidadãs do Mundo civilizado.




NOTA: Como é evidente isto é mais um desejo - pensar que a Infanta D. Isabel pode ter rezado ou passado por Montalvão - que estar próximo de ser realidade. Mesmo o seu pai, o Rei D. João I já é quase uma impossibilidade quanto mais a filha! Mas que D. João I esteve em Castelo de Vide e Castelo Branco... esteve, pois Fernão Lopes escreveu-o na Crónica do Rei de Boa Memória. Apesar de ter lido a "Crónica" nos Anos 80, não me lembro de ter lido que viajou de uma localidade para outra - e se tivesse lido a existência dessa viagem o montalvanismo que há dentro de cada natural de Montalvão fazia logo efeito memorizando-o para o resto da vida - mas se o fez passou por Montalvão. Probabilidades de o ter feito? Praticamente nenhumas! E probabilidades da Princesa D. Isabel o ter feito? Ainda menos... Mas sabe-se lá. Talvez um dia alguém entorpece num documento. Fica o sonho e o desejo! Quem quiser vasculhar a «Crónica» pode e deve fazê-lo em (clicar).
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06 dezembro 2018

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Igreja Matriz

06 dezembro 2018 1 Comentários
A IGREJA MATRIZ DE MONTALVÃO É UMA JÓIA. E COMO TODAS AS JÓIAS É INESGOTÁVEL EM SIGNIFICADOS.




Nem é grande, nem é pequena. Nem é sumptuosa, nem é risível. Nem é luxuosa, nem é desprovida. Não é vulgar mas tem significado e é significativa.



Acredito ter sido o primeiro edifício definitivo a ser construído num Monte Ermo a acabar o século XIII. Depois de construídas as habitações daqueles que criaram condições para a erguer. 



Está muito modificada, mas mantém as características iniciais. 


Mais que uma igreja, um Mausoléu aos primeiros povoadores do Mont' Ermo transformando-o em Mont' Alvão. 



Aquando das obras que a descaracterizaram, em início dos Anos 70, perdeu-se uma oportunidade de fazer uma identificação dos esqueletos que a povoavam por baixo das lages de pedra e ripas de madeira sagrada. Estariam ali os restos mortais dos pioneiros da aldeia.



Apenas com a sagrada torre Norte foi-lhe depois acrescentada a torre profana, a Sul, pertencente à Junta de Freguesia onde bate a cada meia hora o sino do relógio que nos ecoa mesmo em montalvanenses na Nova Zelândia.



A igreja perdeu o rústico de outrora mas mantém o coração que a fez crescer, mudar, alterar e sobreviver com poucos danos a terramotos da Natureza e Humanos.


Reprodução de uma gravura, a aguarela, do pintor portalegrense João Tavares, datada de 1944. João Augusto Silveira Tavares nasceu em Portalegre a 22 de Setembro de 1908, falecendo na mesma cidade, em 20 de Novembro de 1984, aos 76 anos e dois meses. Foi professor de desenho no Liceu de Portalegre, além de pintor a óleo e aguarela, com tapeçarias elaboradas com base nos seus trabalhos



Espaço ancestral e nobre. Aqui se nascia e morria. A vida de um montalvanense passava por aqui. O baptismo (aqui se nascia...), o casamento (aqui se povoava Montalvão) e a última missa de corpo presente já inerte (aqui se morria...).



Passavam os primeiros sinais de vida (pia baptismal), a alegria da Boda (junto ao altar) e a sua despedida, no sítio, onde a tanto baptismo assistira, tanta Boda alegrara e tanta missa de despedida de entes queridos ou simples co-habitantes da freguesia com que tantas vezes se cruzara nas artérias da aldeia ou à volta dela entre caminhos, azinhagas e veredas. 



Eis a Igreja Matriz, nobre e embelezada de Nossa Senhora da Graça, celebrada em 27 de Novembro, mas diariamente em Montalvão onde só fugindo é possível durante vinte e quatro horas não passar, pelo menos, uma vez junto à sua porta com pórtico gótico.



No seu interior tem as medidas-padrão da aldeia antes da existência do sistema métrico. Uma igreja ao serviço da população. Na coluna imaculada - a do lado do início da vida - encontramos o:

Palmo: cerca de 22 centímetros atuais;

Côvado (três palmos): cerca de 66 centímetros atuais;

Vara (cinco palmos): cerca de 110 centímetros atuais.





A Igreja é o ponto de união da diáspora montalvanense. Já não nos batizamos, casamos e morremos na nossa Igreja Matriz. Mas mesmo nos lugares mais afastados dela é como se nunca a tivéssemos deixado para trás. Está dentro de cada um de nós. Entranhada em cada um e em todos. Ela é a nossa origem e o nosso fim. Continua a ser.

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