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01 maio 2023

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D. Vasco Fernandes 700

01 maio 2023 0 Comentários
HÁ SETE SÉCULOS FALECEU O ÚLTIMO MESTRE TEMPLÁRIO.



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17 setembro 2019

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Fundação de Montalvão: Pré-conceitos

17 setembro 2019 0 Comentários
A FUNDAÇÃO SUSTENTADA - EFETIVA, PERMANENTE E CONTÍNUA (ATÉ À ATUALIDADE) - DE UM MONTE ERMO DOMINANDO UM VASTO TERRITÓRIO NA PENEPLANÍCIE ALÉM TEJO.



TEM QUE SE TER EM CONSIDERAÇÃO QUATRO ACONTECIMENTOS HISTÓRICOS QUE SE INTERLIGAM E CONVERGIRAM:


1. Doação da «Herdade da Açafa» por D. Sancho I (Rei de Portugal) a Dom Lopo Fernandes (Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros do Templo) em 5 de julho de 1199;


A vermelho os limites prováveis da «Herdade da Açafa», a sul do rio Tejo, doado por Dom Sancho I, em 5 de julho de 1199, à Ordem dos Cavaleiros Templários, para o pacificarem e povoarem. A ação dos Templários foi notável contribuindo para a expansão do Reino de Portugal, cristianização da população que era muito escassa devido a ser uma área inóspita e de conflito. Mas também serviu para controlar a expansão para sul do Reino de Leão sempre uma ameaça para os portugueses. Neste território seria fundada a Vila de Montalvão ainda em território templário mas sem Açafa que passou à história depois do sucesso cristão na Batalha de Navas de Tolosa (16 de julho de 1212) 

2. Estabelecimento do «Tratado de Alcanices» entre D. Dinis (de Portugal) e D. Fernando IV (de Castela), em 12 de setembro de 1272;


A azul a delimitação da fronteira onde se fazia sentir a influência de Portugal, pois era o território oriental da «Herdade da Açafa». Fronteira Leste no rio Salor, depois a montante deste rio pelo afluente ribeira Mula do Salor, seguindo-se uma cumeada - nascente do rio Alburrel, afluente do rio Sever - até ao norte de San Vicente de Alcântara que ficava na "fronteira" entre Portugal e Leão (depois Castela) passando a coincidir com a ribeira de Avid, sub-afluente do rio Sever (e afluente do rio Alburrel) depois de passar por Valença (atual Valência de Alcântara). A influência da língua portuguesa fez-se sentir, devido ao isolamento dessa região em Espanha, até aos anos 80 do século XX, pois quer em Valença (Valência), Ferreira (Herrera) ou Esparregal (Santiago) as populações falavam um misto de português e castelhano. Considerando que a «Herdade da Açafa» foi cedida, em 5 de julho de 1199, à Ordem dos Cavaleiros do Templo com o território a pertencer a Portugal até 12 de setembro de 1257, foi mais de meio século. E continuou até se perceber efetivamente a que país pertenciam (1383/85) e marcarem a fronteira e centralizar o Poder em Lisboa e Madrid. A tomada de consciência da nacionalidade nesses territórios foi tardia devido ao isolamento. Com a decisão em Alcanices de trocar as terras entre o Sever e o Salor pelas terras de Ribacoa, o sítio onde cresceria Montalvão passou de mais uma povoação ao povoado da raia, o primeiro no Alentejo de quem chegava de Norte a caminho do Sul, o último para quem seguia de Sul para Norte 

3. Interesse do último Grão-Mestre da «Ordem dos Cavaleiros do Templo» (antes de o ser...) por um território isolado, praticamente despovoado, desarticulado sem estrutura viária e conexão como agregado populacional nos confins do território templário, a partir de 1278;

4. Acordo de cedência dos direitos episcopais de Montalvão da jurisdição da Ordem do Templo a favor do Bispado da Guarda em, 16 de abril de 1287.

Dos pilares 1. (Açafa) e 2. (Alcanices) já se escreveram alguns pequenos textos neste blogue - havendo ainda muito para dizer - dos pontos 3. (Dom Vasco Fernandes) e 4. (Excomunhão e cedência) tudo ainda está por escrever neste blogue. Resta o Futuro próximo.


Nesta igreja, desde tempos ancestrais, os pais casaram
Neste templo, ainda nem a gatinhar, nos baptizámos 
Nesta catedral, esperançados na vida terrestre, nos casaram 
Neste Palácio dos Céus, ao morrermos, esta terra abandonámos


Dom Dinis nasceu na capital - Lisboa - em 9 de outubro de 1261, foi coroado e aclamado Rei de Portugal, aos 17 anos, em 16 de fevereiro de 1279 e faleceu em Santarém, após um reinado com 45 anos, em 7 de janeiro de 1325 (aos 63 anos). Paz à sua alma.

Assim se criaram condições e vontades para fundar Montalvão
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12 setembro 2019

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Alcanizes 722

12 setembro 2019 0 Comentários
O TRATADO QUE COLOCOU DEFINITIVAMENTE MONTALVÃO NA FRONTEIRA (QUANDO ESTAVA BEM LONGE DELA) FOI ASSINADO HÁ PRECISAMENTE 722 ANOS, EM 12 DE SETEMBRO DE 1297.



O documento original (três folhas) disponibilizado pela Torre do Tombo (clicar)

A tradução possível do documento (clicar)

A RTP também já emitiu o seu juízo (clicar)


Quando Montalvão foi "fundado" estava a 36 quilómetros lineares da fronteira com Castela (uns 50 por caminhos entre barreiras de rios e atravessamento destes). Ficou a... 2 mil metros a caminhar, mil metros em linha reta.



Extrato de um texto de excelência que mostra a complexidade de definição de fronteiras num tempo em que nem cartografia havia dos territórios quanto mais saber ao pormenor quem ficava com quê. Era tudo, nestas questões, muito difuso. (clicar)


O Tratado de Alcanices (localidade leonesa/castelhana fronteiriça junto a Vimioso, em Trás-os-Montes) envolveu trocas - até se pode considerar com mais rigor que eram territórios reivindicados, em simultâneo, pelos dois Reinos, o de Portugal e Castela -  entre três regiões (1. Ribacôa; 2. Leste da Açafa/Ouguela; e 3. Olivença) e depois resoluções pontuais em mais duas (4. Aroche/Aracena e 5. Ayamonte)

O tratado foi celebrado em 12 de setembro de 1257 - os dois Reinos souberam, oficialmente, onde passaram a ficar as fronteiras - mas demorou dezenas de anos a ser assimilado pelas populações. Praticamente só depois do conflito "final" entre Portugal e Castela que culminou na Batalha de Aljubarrota, em 14 de agosto de 1385 é que se passou a delimitar com precisão a fronteira. E só no século XIX se colocaram marcos criteriosamente delineados indicativos da linha fronteiriça entre Portugal e Espanha quando não eram rios e ribeiras a delimitá-la.


A «Herdade da Açafa» que já pouco significado tinha em 1257 devido a que os pressupostos que estiveram na origem da sua entrega à Ordem dos Cavaleiros Templários estavam conseguidos - defesa, pacificação e povoamento - foi com este tratado amputada do seu território este a sul do rio Tejo. A fronteira Leste que era no rio Salor passou para o rio Sever. 

A azul: território cedido, definitivamente, por Portugal a Castela;
A vermelho: território cedido, definitivamente, por Castela a Portugal

Qualquer estudo acerca da posição relativa de Montalvão entre Portugal e Leão/Castela/Espanha tem de ter em conta que antes de 12 de setembro de 1257 a povoação não era fronteiriça e mesmo depois disso sabia-se em Lisboa o que não era do conhecimento em Montalvão. Pelo menos não estava assimilado pelo comum dos montalvanenses. Atravessar o rio Sever era depois de 12 de setembro de 1257 o mesmo que antes desta data. A informação demorava anos a chegar e décadas/séculos a ser assimilada.



A azul a delimitação da fronteira onde se fazia sentir a influência de Portugal, pois era o território oriental da «Herdade da Açafa». Fronteira Leste no rio Salor, depois a montante deste rio pelo afluente ribeira Mula do Salor, seguindo-se uma cumeada até ao norte de San Vicente de Alcântara que ficava na "fronteira" entre Portugal e Leão (depois Castela) passando a coincidir com a ribeira de Avid, sub-afluente do rio Sever depois de passar por Valença (atual Valência de Alcântara). A influência da língua portuguesa fez-se sentir, devido ao isolamento dessa região em Espanha, até aos anos 80 do século XX, pois quer em Valência, Ferreira (Herrera) ou Esparregal (Santiago) as populações falavam um misto de português e castelhano. Considerando que a «Herdade da Açafa» foi cedida, em 5 de julho de 1199, à Ordem dos Cavaleiros do Templo com o território a pertencer a Portugal até 12 de setembro de 1257, foi mais de meio século. E continuou até se perceber efetivamente a que país pertenciam (1383/85) e marcarem a fronteira e centralizar o Poder em Lisboa e Madrid. A tomada de consciência da nacionalidade nesses territórios foi tardia devido ao isolamento

NOTAS: São Félix dos Galegos nunca fez parte de Portugal a não ser no "papel" (Tratado de Alcanices); Olivença fez parte de Portugal até 1801, depois conquistada por Espanha/França mas Espanha reconheceu a soberania de Portugal, em 1817, por imposição do Congresso de Viena (1815) que fez "regressar" as fronteiras entre países à delimitação existente antes das Invasões de Napoleão Bonaparte. Tal nunca sucedeu verdadeiramente, também porque Portugal foi desleixado e... poupado. Agora é tarde (mas isso é assunto que não é para aqui chamado) 


Os montalvanenses são um povo raiano devido ao Tratado de Alcanizes. Se este não existisse Montalvão ficaria a muitas dezenas de quilómetros da fronteira com Espanha! 

Há precisamente 722 anos tudo mudou! Montalvão passou a fazer fronteira.
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14 novembro 2018

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Era Uma Vez...

14 novembro 2018 1 Comentários
QUANDO UM TRATADO MUDOU MONTALVÃO DE SÍTIO MANTENDO O LOCAL

  Limites (a vermelho) da freguesia de Montalvão depois do Tratado de Alcanizes (12 de Setembro de 1297)

Mote

D. Diniz inocente ou negligente ignorou Montalvão
Em Alcanizes pelo ano de 1297 trocou os confins leste da freguesia
Pelas terras de Riba Côa revelando-se sem coração
Daí resultou a silhueta actual no terreno com essa fisionomia

I

Montalvão não era fronteira com Castela até ao Tratado de Alcanizes (1297). A fronteira não era o leito do rio Sever mas o do rio Salor. Próximo, na atalaia do Esparregal (perto da actual Santiago de Alcântara) estava o Castelo Templário que defendia a fronteira do Mundo Cristão face às investidas dos muçulmanos.




II

Com o Tratado de Alcanizes El-Rei D.Dinis confiando na geoestratégica Ibérica em que os vários reinos cristãos estabeleciam acordos de protecção e defesa entre eles decidiu trocar riqueza a Norte (terras de Riba Côa) por segurança a Sul (Terras a Leste de Montalvão) e Olivença. 


A vermelho terras a Sul do Tejo cedidas a Castela (depois Espanha) em troca das Terras de Riba Côa (a azul) entre outras trocas de Norte a Sul

III


Por Riba Côa, Montalvão deixou de ficar no interior de Portugal para ser fronteira entre Portugal e Castela e depois entre Portugal e Espanha.



História de Portugal; Volume I; Página 212; Marques, A. H. de Oliveira Marques; Palas Editores; Lisboa; 1.ª edição; Março de 1972


IV 

Os Castelhanos ficaram mais próximos (quase 50 quilómetros) da capital do Reino de Portugal, em Lisboa. Capital desde 1255 por decisão (não escrita e documentada) por D. Afonso III, pai de D. Dinis.



V

Tratado de Alcanizes esse rol de trocas que permitiu alterar Montalvão de sítio (passar a ser fronteira) sem mudar de local. 



IV 

Depois da Batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385) D. Nuno Álvares Pereira viu-se obrigado a fazer uma linha fronteiriça de fortalezas/castelos para proteger esse ponto fraco de acesso à capital do Reino. Montalvão foi sítio estratégico.



Continua num dia destes...
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