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19 setembro 2021

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Festa de Santa Margarida

19 setembro 2021 0 Comentários
A FESTA DE SANTA MARGARIDA É ASSINALADA NO TERCEIRO DOMINGO DE SETEMBRO.



Era a primeira manifestação religiosa depois da Romagem de Nossa Senhora dos Remédios (8 de setembro). O terceiro domingo de setembro poderá ocorrer entre os dias 15 (como em 2019) até 21 (como em 2014 e 2025). Em 2021 é neste dia 19 e em 2022 será a 18. É difícil perceber quando se assinalava esta data religiosa pois o comparativo é com a aldeia vizinha de Póvoa e Meadas em que a festa era de três dias - tal como a de Nossa Senhora dos Remédios, em Montalvão - pois em Montalvão já não há memória da existência da solenidade deste dia que é assinalado no calendário católico em 20 de julho. 



O que é certo é que há registo, em 24 de abril de 1758, de uma Igreja para lá do espaço urbanizado de Montalvão. Localiza-se depois da rua da Porta de Baixo, a caminho do rio Sever (clicar). 


No inventário referente a Montalvão, datado de 24 de abril de 1758, há a arrolamento da Igreja de Santa Margarida fora do traçado viário da vila de Montalvão 

Fácil é explicar a importância de Santa Margarida para os cristãos, no Mundo, em Portugal e em Montalvão. A existência de uma mártir sempre impressionou os cristãos. Uma mulher que não renunciou a Cristo mesmo sofrendo humilhações e ter uma morte violenta e dolorosa.



A descrição (arquivada na Torre do Tombo, em Lisboa) que Vigário Frei António Nunes Pestana de Mendonça faz, em 24 de abril de 1758, a pedido do Poder Central, em Lisboa, para avaliar os estragos provocados pelo terramoto em 1 de novembro de 1755 (original e tradução):



«13 - As Ermidas, quem dentro da Villa, hé somente a de Sam Marcos, que tem altar próprio, que tem Irmandade, e nada de renda; tem outro altar de Sam Joaõ Baptista; outro de Santa Maria Madalena, que não tem Irmandade nem renda = Fora da Villa tem Igreja do Espírito Santo, que tem Mordomos, e algumas rendas = Tem mais a Igreja de Sam Pedro, quem Mordomos, e alguma renda = tem mais a Igreja de Santa Margarida, que naõ tem Irmandade, nem renda = tem mais a Igreja de Santo André Appostollo, que também naõ tem renda, nem Irmandade, e somente no seu dia se lhe canta uma missa por conta das rendas, que deixou Frey Pedro Carrilho ao hospital = Tem mais a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, que tem altar próprio, e Irmandade com algumas rendas, e no mesmo altar está Sam Caetano, e Sam Francisco de Paula, tem um altar de Sam Miguel; e outro de Sam Simaõ Appostollo, e nenhum destes tem Irmandade, nem rendas; tem esta Igreja hum Ermitaõ que hé appresentado pelo Parocho, e confirmado pela Mesa da Consciência = Tem mais no Monte da Salavessa outra Igreja com um só altar de Sam Gregório e Sam Jacinto e tem capelaõ e a quem pagaõ os moradores daquele Monte; e as rendas, que tem as gastam com o adorno da Igreja; e os Santos della = Tem mais outra Igreja com hum só altar a que chamam Santo António da Giesteira, naõ tem renda alguma, nem Irmandade; = Tem mais outra Igreja de Sam Silvestre com um só altar, naõ tem renda alguma; e todas estas Igrejas estaõ sujeitas à Matriz desta Villa.» 


Descrição da povoação e do seu termo (Montalvão: componentes, características e atividades, da vila até aos limites do concelho). Documento original, datado de 24 de abril de 1758, na Torre do Tombo, em Lisboa

A localização atual das Capelas e Igrejas dentro da aldeia ou na proximidade, por isso excluindo a Igreja de São Gregório e Santo António da Giesteira (Salavessa) e as Ermidas de Nossa Senhora dos Remédios (a Noroeste) e do São Silvestre (a Sul). 

A existência de duas capelas paralelas no Arrabalde, tendo a Oeste a de São João e a Leste a de São Marcos é ambígua. Desta há notícias vagas da sua existência embora seja citada em 1758. Da Capela de São João há memória real da sua existência mas não é citada em 1758, a não ser integrando como altar a Capela de São Marcos. Provavelmente a de São Marcos, entre 1758 e meados do século XX foi alterada para São João acabando por dar o nome ao troço mais a sul do Arrabalde. A Ermida de Santo António não devia existir, em 1758, pois Santo António da Giesteira fica junto à povoação da Salavessa mas há memória dela nos Anos 40 do século XX. Até o facto rocambolesco da imagem do Santo ser encontrado no meio do feno!

O desenvolvimento, provável, do traçado da aldeia que foi integrando Capelas que ficavam fora do traçado viário.



A Ermida retangular (quase quadrangular) com altar e três pequenos nichos como capelinhas num estado de degradação inqualificável. A apropriação privada de infraestruturas públicas não justifica parte alguma quanto mais o todo. Sensibilidade e bom senso fazem parte das regras da civilização e urbanidade.



O que não se percebe é o motivo pelo qual com tanto espaço para substituir duas árvores se deixam crescer dois sobreiros (que nunca terão grande desenvolvimento pois estão à sombra de um "verdadeiro"), um sobreirinho com ramagens para o interior da Ermida e um chaparrinho na empena Norte de modo a corroer as suas estruturas e reduzi-la a um monte de pedras para um dia se dizer «Aqui ficava a Ermida de Santa Margarida» quando se podia conservar uma estrutura que pode ter mais de 500 anos, com sucessivas obras de melhoramento que pararam há um século ou século-e-meio.




A mártir Santa Margarida merecia mais...


A mártir Santa Margarida merecia muito mais...



Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino
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18 setembro 2021

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Autarquias 2001

18 setembro 2021 0 Comentários

EM 16 DE DEZEMBRO DE 2001 REALIZARAM-SE AS VIII ELEIÇÕES PARA AS AUTARQUIAS LOCAIS: FREGUESIA E CONCELHO.



Em 26 de setembro de 2021 haverá outro ato eleitoral.


NOTAS: FEPU - Frente Eleitoral Povo Unido (PCP: Partido Comunista Português; MDP/CDE - Movimento Democrático Português/Comissão Democrática Eleitoral; e FSP - Frente Socialista Popular); PS - Partido Socialista Português; APU - Aliança Eleitoral Povo Unido (PCP: Partido Comunista Português; MDP/CDE - Movimento Democrático Português/Comissão Democrática Eleitoral; e PEV - Partido Ecologista «Os Verdes»); PCP/PEV - PCP: Partido Comunista Português/ PEV - Partido Ecologista «Os Verdes»); PPD/PSD - Partido Popular Democrático/Partido Social Democrata


Em relação às Eleições 2001

Um bom exemplo da "proximidade" do Poder Local e identificação com os eleitos por serem conhecidos a nível de relações pessoais/profissionais/políticas. Os montalvanenses/salavessenses votaram para presidente da Junta de Freguesia o presidente (Xique) que liderou a lista do PS - Partido Socialista (2001) e que seria eleito, três atos eleitorais depois, em 2013, pela CDU - Coligação Democrática Unitária, composta pelo Partido Comunista Português e pelo Partido Ecologista "Os Verdes". 




ASSEMBLEIA/JUNTA DE FREGUESIA (MONTALVÃO)



Em 609 inscritos, mais 308 que os 301 para o próximo ato eleitoral, 175 eleitores não votaram (28,7 por cento de abstenção) com treze votos nulos e sete votos em branco, num total de vinte. O PS (Partido Socialista) obteve 269 votos (61,98 por cento) mais 183 votantes que CDU - Coligação Democrática Unitária, formada pelo Partido Comunista Português (PCP) e pelo Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) com 86 votos (19,82 por cento). O Partido Social Democrata (PPD/PSD) teve 59 votos (13,59 por cento) Foram as eleições autárquicas conquistadas com maior vantagem (61,98 por cento) em Montalvão, superando a eleição para a Assembleia/Junta de freguesia anteriores (1997) com 57,20 por cento, ou seja, mais 4,78 por cento, favorável ao candidato da CDU. Em sete eleitos, cinco membros do PS, um da CDU (PCP-PEV) e outro do PPD/PSD.


ASSEMBLEIA MUNICIPAL (NISA)



Em relação aos votantes para a «Assembleia de Freguesia» com menos onze votos nas forças partidárias (31/20) - dezassete votos em branco e catorze nulos - o Partido Socialista (PS) teve menos 41 votos (228/269) sendo a força mais votada. A coligação CDU (PCP - PEV) teve mais 30 votos (116/86) sendo a segunda força mais votada. O PPD/PSD obteve o mesmo número de votantes (59).



CÂMARA MUNICIPAL (NISA)



Para a Câmara Municipal de Nisa, doze votos nulos e onze votos em branco, num total de vinte e um. Comparando com a eleição para a Assembleia Municipal menos 14 votos (214/228) no Partido Socialista, mais dezoito (134/116) votos na coligação CDU e mais quatro votos (63/59) no Partido Social Democrata (PPD/PSD).


CÂMARA MUNICIPAL DE NISA




A coligação CDU conquistou a presidência do Município (por 399 votantes) para governar no quadriénio 2001/2005 a C.M.Nisa. Por um voto - não é engano foi mesmo 1711/1710 - o PPD/PSD conquistou a segundo lugar com o PS em terceiro. é mesmo válido o mote: por um se ganha e por um se perde. Tanto é que o PPD/PSD teve tantos membros eleitos como a vencedora CDU e um voto permitiu ter dois membros eleitos, enquanto o PS só conseguiu um! Um voto permitiu mais um vereador do Partido Social Democrata em relação ao Partido Socialista. Em cinco eleitos: dois da CDU (Coligação Democrática Unitária, composta pelo Partido Comunista Português (PCP) e Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV); dois do PPD/PSD (Partido Popular Democrático/Partido Social-Democrata; e um do PS (Partido Socialista).


RESULTADOS NACIONAIS

Nesta Eleições Autárquicas, em 2001, o PS - Partido Socialista conquistou 1523 presidências de Juntas de Freguesia (incluindo Montalvão) das 4 252 existentes e a coligação CDU (PCP - Partido Comunista Português e PEV - Partido Ecologista "Os Verdes") conquistou 28 presidências de Câmaras Municipais (incluindo Nisa) dos 308 municípios existentes.







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15 setembro 2021

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Autarquias 2005

15 setembro 2021 0 Comentários

EM 9 DE OUTUBRO DE 2005 REALIZARAM-SE AS IX ELEIÇÕES PARA AS AUTARQUIAS LOCAIS: FREGUESIA E CONCELHO.



Em 26 de setembro de 2021 haverá outro ato eleitoral.


NOTAS: FEPU - Frente Eleitoral Povo Unido (PCP: Partido Comunista Português; MDP/CDE - Movimento Democrático Português/Comissão Democrática Eleitoral; e FSP - Frente Socialista Popular); PS - Partido Socialista Português; APU - Aliança Eleitoral Povo Unido (PCP: Partido Comunista Português; MDP/CDE - Movimento Democrático Português/Comissão Democrática Eleitoral; e PEV - Partido Ecologista «Os Verdes»); PCP/PEV - PCP: Partido Comunista Português/ PEV - Partido Ecologista «Os Verdes»); PPD/PSD - Partido Popular Democrático/Partido Social Democrata


Em relação às Eleições 2005

Um bom exemplo da "proximidade" do Poder Local e identificação com os eleitos por serem conhecidos a nível de relações pessoais/profissionais/políticas. Os montalvanenses/salavessenses votaram para presidente da Junta de Freguesia um antigo presidente (Tónhe dos Barros) que em 1997 havia conseguido a eleição pela CDU (PCP-PEV) e desta vez (2005) pelo PPD/PSD.  Este foi o partido mais votado para a Assembleia/Junta de Freguesia mas foi segundo para a Assembleia Municipal e Câmara Municipal. A CDU (Coligação Democrática Unitária) foi a força política que venceu as eleições para estes dois Órgãos Autárquicos.


ASSEMBLEIA/JUNTA DE FREGUESIA (MONTALVÃO)



Em 543 inscritos, mais 242 que os 301 para o próximo ato eleitoral, 143 eleitores não votaram (26,3 por cento de abstenção) com catorze votos nulos e quatro votos em branco, num total de dezoito. O Partido Social Democrata (PPD/PSD) obteve 135 votos (33,75 por cento) mais seis votantes que o PS (Partido Socialista) com 129 votos (32,25 por cento). A CDU, coligação do Partido Comunista Português (PCP) com o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) teve 118 votos (29,50 por cento). Foram as eleições autárquicas mais disputadas em Montalvão: o PPD/PSD venceu por seis votos o PS e por 17 votantes a CDU. Esta teve menos onze votos que o PS. Em sete eleitos, três membros do PPD/PSD, dois do PS e dois da CDU (PCP-PEV).


ASSEMBLEIA MUNICIPAL (NISA)



Em relação aos votantes para a «Assembleia de Freguesia» com menos nove votos nas forças partidárias - quinze nulos e doze votos em branco - a coligação CDU (PCP - PEV) teve mais 48 votos (166/118) sendo a força mais votada. O PPD/PSD obteve menos 27 votos (108/135) passando de vencedor da Assembleia/Junta de Freguesia para a segunda força política no "contributo" para Assembleia Municipal de Nisa. O Partido Socialista (PS) obteve menos 38 votos (91/129). O Centro Democrático Social - Partido Popular (CDS-PP) conseguiu oito votos, não concorrendo para a Assembleia/Junta de Freguesia de Montalvão



CÂMARA MUNICIPAL (NISA)



Para a Câmara Municipal de Nisa, treze votos nulos e oito votos em branco, num total de vinte e um. Comparando com a eleição para a Assembleia Municipal mais 22 votos (188/166) na coligação CDU, menos cinco votos (103/108) no Partido Social Democrata (PPD/PSD), menos treze (78/91) votos no PS e mais dois (10/8) no Centro Democrático Social - Partido Popular.


CÂMARA MUNICIPAL DE NISA



A coligação CDU conquistou a presidência do Município (por 1 083 votantes) para governar no quadriénio 2005/2009 a C.M.N. Em cinco eleitos: três da CDU (Coligação Democrática Unitária, composta pelo Partido Comunista Português (PCP) e Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV), ou seja com maioria absoluta (3 + 2); um do PPD/PSD (Partido Popular Democrático/Partido Social-Democrata; e um do PS (Partido Socialista).


RESULTADOS NACIONAIS

Nesta Eleições Autárquicas, em 2005, o Partido Social Democrata (PPD/PSD) conquistou 1723 presidências de Juntas de Freguesia (incluindo Montalvão) das 4 260 existentes e a coligação CDU conquistou 32 presidências de Câmaras Municipais (incluindo Nisa) dos 308 municípios existentes.



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12 setembro 2021

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Montalvão 1910

12 setembro 2021 2 Comentários

A DEMOGRAFIA MONTALVANENSE HÁ 110 ANOS ERA UM «ASSUNTO À PARTE» COMPARADA COM A ATUALIDADE. 

A quantidade de crianças na «Vila» contrasta com a progressivo envelhecimento durante o século XX. E o despovoamento irreversível no século XXI

Até mesmo com a de 1940 ou 1950. Mas tendo de continuar por algum ano depois de contabilizar a demografia montalvanense em 1900 (clicar) que se perceba a demografia de Montalvão em 1910.

(clicar em cima desta e de quase todas as imagens permite melhor visualização das mesmas)


No Recenseamento realizado em 1911 (e não em 1910 devido ao período conturbado de final de ano após a implantação da República em 5 de outubro) Montalvão (freguesia) tinha 2 015 habitantes (984 homens e 1 031 mulheres) que viviam em 589 edifícios. Pouco mais de metade dos fogos (contando também com edifícios abandonados e sem telhado!) na atualidade que são 876.


Em 1910, nasceram 49 pessoas e morreram 23, o que fez transitar um acréscimo de mais 26 montalvanenses (19 homens e sete mulheres) para 1911. Em arruamentos, mesmo que diminutos (praticamente com a mesma expressão demográfica em 1900, por isso numa década pouco mudara) há circunstâncias inevitáveis, enquanto a rua do Hospital (tendo duas mortes no «Hospital da Vila» para o qual a serventia se fazia por essa rua) teve saldo fisiológico negativo em menos duas pessoas, na rua do Arrabalde (com igual número mortes e nascimentos) não houve alterações em 1910.

(clicar em cima desta e de quase todas as imagens permite melhor visualização das mesmas)

NOTA: a rua das Almas parece ser a continuação da rua da Costa mas também pode ser a da rua da Barca. Só na segunda década do século XX "ganha autonomia"


Em 1910 - ou até 1910 - ainda não existiam alguns dos arruamentos que só foram surgindo durante o século XX, tais como o largo da Corredoura, a rua das Almas (embora esta informação seja dúbia), a Porta de Cima e a Porta de Baixo. Além da rua das Traseiras e rua da Cabine, que eram traseiras com os quintais da rua do Outeiro, Direita e Cabo. Alguns destes arruamentos surgiram com o esvaziamento demográfico do 
Monte do Pombo e do Monte de Santo André.

O meu avô materno
A propósito de uma conversa - que já contei há uns dias sob o tema das idas à Casa do Povo para ler os jornais - disse-me quando o questionei «Montalvão é mesmo grande avô! Póvoa e Meadas, Salavessa, Pé da Serra, Arez, Amieira, os Montes entre Nisa e o rio Tejo (ou seja, localidades vizinhas que eu conhecia) são povoações muito mais pequenas que Montalvão!». «Netinho! Eu vi fazer metade das casas da «Vila»! Fiquei espantado! E pedi-lhe para "fazer uma viagem" (ao tempo em que ele se recordava de como conhecera Montalvão nas primeiras memórias de infância, ou seja, teria cinco/seis anos por isso nascendo ele em 1905, por volta de 1910 ou 1911, daí esta estória encaixar no texto de hoje) e ele (como era seu timbre) foi! Fiquei espantado como a povoação era tão pequena 60 anos atrás! O que me disse corresponde ao esquema que segue em baixo (alguns anos mais tarde, nos Anos 80 e 90, conhecendo o número de edifícios recenseados pelo INE - Instituto Nacional de Estatística de Portugal - os números destes "encaixam" no que ele me contou no início dos Anos 70):

(clicar em cima desta e de quase todas as imagens permite melhor visualização das mesmas)

Em 1910, mesmo alguns arruamentos eram muito menores - em termos de edifícios construídos e extensão - do que na atualidade. Principalmente os arruamentos nos extremos da povoação. Por exemplo, a rua de São Pedro seria menos de metade do que é passados 110 anos. Em 1910 era, essencialmente, uma rua de traseiras - quintais das casas do Outeiro, Direita e Cabo - depois do «Pátio» e até à capela, então Ermida de São Pedro. Aliás denominava-se «caminho do São Pedro».

Comparativo 1910 e 1900 (Santo André)
Entre 1900 e 1910 o mais significativo, além do «Hospital da Vila» continuar em funcionamento, numa espécie de Asilo para os mais necessitados - com pouco ou nenhum apoio familiar - é o «Santo André» a assumir uma dimensão demográfica cada vez maior, pois em 1900 não se registaram nem nascimentos, nem óbitos. À volta da Ermida de Santo André expande-se na primeira década do século XX um núcleo urbano constituído por jovens casais cujo homem era jornaleiro e que não tinham "posses" para conseguir, na «Vila» um terreno para edificar uma casa ou alugar uma. Isto porque o crescimento populacional de Montalvão vai colocar pressão nos terrenos ainda vagos na periferia da povoação. Os casamentos - em 1910 houve treze - obrigavam a construir edifícios mas os custos eram elevados. A solução para alguns, cujos pais tinham casas na rua do Outeiro, Direita e do Cabo foi nos quintais destas edificarem pequenas casas estreitas por isso geralmente com dois pisos. Também havia quem conseguisse comprar terrenos agrícolas junto dos limites da povoação construindo casas para os filhos. 
 

Mas os que não tinham nem quintais dos pais nem apoio destes para comprar, nem edificar? Foi ocuparem um espaço com preços mais acessíveis, construindo pequenos edifícios "à sombra da Ermida do Santo André" que passou de Ermida (ermo) a Capela servindo uma população cada vez mais vasta. Edifícios pouco elaborados, rudimentares em terrenos baratos, alguns de baldio. As crianças que nascem nas duas primeiras décadas do século XX no «Santo» tinham pais que nasceram, ainda no século XIX, na «Vila». O que ilustra que o Santo André começou a crescer sustentadamente, a nível demográfico, no início do século XX com casais jovens que nascendo na «Vila» vão casar e habitar no «Santo». Também recebem, depois, alguns habitantes que abandonam o Monto do Pombo (ainda casas mais baratas) e constroem algumas no Monte do Santo André. Este vai atingir o pico do seu crescimento nos Anos 40 iniciando depois uma desertificação acelerada com deslocação dos seus habitantes para fora da freguesia ou para edifícios que se vão libertando na «Vila» por deixar de haver pressão sobre a habitação visto haver também abandono de algumas casas por famílias que saem de Montalvão para a emigração, para a Área Metropolitana de Lisboa ou outras regiões mais no litoral de Portugal. Para mais informações e localização, bem como "serventias" do e para o Monte do Santo André (clicar).      

    DEMOGRAFIA 1900

Comparativo 1910 e 1900 (dinâmica demográfica)
A população aumentou cerca de, ou em média, 21 pessoas por ano. De 1900 a 1911, a população cresceu 227 pessoas, passando de 1 819 para 2 046 habitantes. Em 1900, aumentou 17 habitantes (nasceram 49 pessoas e faleceram 32). Em 1910, aumentou 39 habitantes, ou seja, "quase o dobro" (nasceram 69 crianças e faleceram 30) com sete a nascerem e falecerem no mesmo ano de 1910, com oito dias, 15 dias, 20 dias, dois meses, três meses, quatro meses e cinco meses de idade. Ainda duas com um ano de vida. A mortalidade infantil era elevadíssima.   


Analisando os nascimentos e óbitos desde o século XVI é possível perceber como foram evoluindo os arruamentos montalvanenses. Há muito «pano para mangas». Agora, na próxima "paragem" tanto faz andar para trás (1890) como para a frente (1920).

Assim se foi fazendo Montalvão
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