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13 junho 2026

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Festa de Santo António

13 junho 2026 0 Comentários
AS FESTAS POPULARES DOS SANTOS NO MÊS DE JUNHO ERAM ORGANIZADAS POR ATIVIDADES RURAIS QUE REFLETIAM A ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL.



A primeira do mês, a de Santo António, estava por conta dos seareiros, pois eram muares os animais que utilizavam nos seus trabalhos de lavoura. 



O «Santo António» era a festa dos remediados. O «São João» a dos ricos e o «São Pedro» a dos pobres.



Ao final da tarde do dia 12 cada um trazia para a rua o rosmaninho, quando havia também alecrim, fazendo uma fogueira, que ardia em cima dos ponedros que as calcetavam para ser saltada pela família - principalmente «catchôpos e catchópas» - também por vizinhos e havia quem andasse (saltasse) de fogueira em fogueira correndo as ruas.


Montalvão de tão altaneiro, avistando-se de tão longe, devia parecer uma enorme bruma fumegante cheirando (bem) a rosmaninho. O "fumador" coletivo tantas eram as fogueiras, algumas apenas fogueirinhas que esmoreciam num instante.


Espigas de trigo a ondular ao vento. Até parece uma das searas do Ti Zé Caratana, semeadas e ceifadas na Tapada do Pontão. Com eira e tudo, mais o trilho de madeira, na «tapadinha de cima», para separar a palha do grão, com que a Xá Ana fazia o pão que alimentava os cinco "carataninhas" mais os que apareciam à porta, na rua das Almas

A festa de Santo António, dos seareiros ou macheiros/mulareiros era plena de significado, pois estes colocavam nela todo o seu carinho e devoção.


Muares fêmea (mula) e macho. Espécie híbrida, por isso estéril, resultante do cruzamento de um burro com uma égua

Uma das devoções a Santo António era a das «Trezenas», nos treze dias antes da festa, ou seja, de 1 a 13 de junho, pelas cinco horas da tarde, cantava-se o «Terço» e a «Ladainha a Santo António». 



No dia 12, os Festeiros de Santo António, escolhidos entre os seareiros, compareciam com a Bandeira e o tambor para assistirem à devoção. As «Trezenas» também se rezavam em outros meses, mas por promessa, sempre entre 1 e 13 de cada mês, porém eram cantadas logo após a Missa da manhã e sujeitas ao padre ter ou não possibilidade de as fazer.

Como dizia o Ti Zé Caratana: «Muares d'uma gana (da nossa sorte)! Comem como os burros e trabalham mais que cavalos e éguas. Não engana!» Mas nunca teve nenhum: mula ou macho!

As «Cavalhadas» eram o mais esperado. O profano numa festa religiosa. Sem o brilho das que se faziam pelo São João, pois estas eram com cavalos e éguas, no Santo António a Corredoura enchia-se de povo e muares. 



Conforme o número de cavaleiros assim se faziam as corridas, geralmente a dois no limite a três. Iam-se eliminando até apurar o vencedor. De Leste para Oeste era ir e vir, entre o início da Corredoura e a volta que era, também, o seu final, junto à rua do Cabo.




Nesta noite de 12 para 13, nas ruas, a cada porta, ardiam fogueiras de rosmaninho, por vezes, misturado com alecrim. Cada família a tentar fazer uma fogueira maior que a do vizinho...



Ao fundo da Corredoura, a descer já para a azinhaga da Salavessa (a da Sargaceira) a antiga capela de Santo António transformada em cavalariça do senhô Zé Godinho

Até parece que nunca foi capela! 

Agora há que esperar pelo «São João» para ver corridas de equinos a sério. As cavalhadas com éguas e cavalos. A valer!




Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino
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04 junho 2026

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Festa do Corpo de Deus

04 junho 2026 0 Comentários
A MAIS IMPONENTE PROCISSÃO DEPOIS DA SEMANA SANTA.



Com características distintas. Depois das procissões relacionadas com a Páscoa onde imperava a tristeza, agonia e desespero pela morte de Jesus, o Corpus Christi era uma procissão para celebrar a alegria. Corpo de Cristo traduzido para português como um inacreditável «Corpo de Deus» quando o que se celebra é o mistério da Eucaristia de «Quinta-feira Santa»: o Sacramento do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo.  


O «Corpo de Deus" é celebrado 60 dias depois da Páscoa, ou seja numa simbólica quinta-feira, depois do domingo seguinte (o da Santíssima Trindade) que se segue ao Domingo do Pentecostes. Consta que a primeira procissão devidamente consagrada com um ostensório realizou-se em 1274, ou seja, contemporânea do dealbar de Montalvão.

A «Procissão do Corpo de Deus» dependendo da Páscoa pode realizar-se entre 21 de maio e 24 de junho. Em 2027, será em 27 de maio. É uma procissão/comemoração de Verão, da luz e do calor.  

Nos primórdios do Cristianismo celebrava-se praticamente só a vida de Jesus. Só mais tarde, com destaque para a Idade Média e tempos seguintes, o Culto Mariano viria a equiparar-se e mesmo suplantar o Corpus Christi tendo em consideração as visões que passaram a ser de alguém com vestes compridas, relacionadas com a Virgem Maria.



A Procissão percorria o percurso habitual depois da Missa na Igreja Matriz e estava organizada como as grandes procissões dos Passos (clicar) ou da Quaresma (clicar).




Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino
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24 maio 2026

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Festa do Espírito Santo

24 maio 2026 0 Comentários
A PRIMEIRA GRANDE CELEBRAÇÃO A ANUNCIAR O MÊS DE MUITAS FESTIVIDADES POPULARES: JUNHO.


A festa do Espírito Santo, em Montalvão, era simples mas plena de significado e sentimento com Missa cantada e sermão. A procissão era uma impossibilidade pois a imagem da Santíssima Trindade é de pedra-mármore e por isso, praticamente, impossível de ser transportada em função do peso.



A capela do Espírito Santo foi construída no final da Corredoura, largo retangular onde se organizaram durante décadas, dos Anos 30 até finais do século XX, as principais festas da aldeia. Corredoura a caminho da outra localidade da freguesia, a Salavessa. Caminho de azinhaga desativado com a construção da estrada nova em macadame e depois alcatroada.  


O Espírito Santo é comemorado como Pentecoste, ou seja, cinquenta dias depois da Páscoa, estando descrito no Antigo e Novo Testamento (clicar). 

Em 2027 será a 16 de maio.


No dia da festa, o tamboreiro rufando no tambor dirigia-se à casa do Festeiro, entre uma a duas horas, antes de se iniciar a Missa. Nessa casa ambos aguardavam a chegada dos membros da Mesa e mais festeiros auxiliares.

Assim que todos estavam reunidos, iniciavam a marcha solene para a capela do Espírito Santo com a seguinte ordem: à frente o Tamboreiro, depois o Festeiro com a Bandeira, seguido do Juiz com a Vara e os restantes festeiros.



Chegados à capela era cantada a Missa durante a qual e no momento da leitura do Sagrado Evangelho, era nomeado o Festeiro para o ano seguinte. Os cargos de Juiz, Tesoureiro e Escrivão tinham a validade para três anos consecutivos. No final, era realizada a arrematação dos ramos, no adro plano ao nível do arruamento, frente à capela.

À tarde, o Festeiro cessante, com o cerimonial do costume, ia entregar a Bandeira a casa do seguinte e imediato Festeiro, onde era guardada com todo o esmero, até Domingo de Páscoa, do ano seguinte e Festa do Espírito Santo.



Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino
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14 maio 2026

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Dia da Espiga

14 maio 2026 0 Comentários
NA QUINTA-FEIRA DE ASCENSÃO OS MONTALVANENSES NUNCA SE ESQUECIAM DE RECOLHER E COMPOR UMA BONITA MAIA COM AMPLO SIGNIFICADO.



Era popularmente conhecido como o «Dia da Espiga». Assinala-se 40 dias depois do domingo de Páscoa anunciando a «Sagrada Ascensão de Jesus Cristo para junto de Deus onde está à sua direita».  



Em Montalvão, até meados dos Anos 40, havia duas missas dedicadas a consagrar a «Ascensão do Senhor». A habitual logo pelas "matinas" e ao final da tarde ("trindades") anunciadas pelo toque do sino da torre norte, com o Sacristão a tocar o sino nove vezes em três séries de três toques, mas durante o dia dominava a alegria anunciando a Primavera (número de horas de dia superiores à noite) e a importância da luz para o Mundo Rural. 



Quem estava no campo aproveitava e colhia, uma planta aqui, outra acolá até fazerem uma maia. Os que não estavam, geralmente mulheres, catchópas e catchôpos, aproveitavam uma pequena folga nesse dia - podia ser logo pela manhãzinha ou pela hora de almoço - e iam ao campo colher as "peças" que faziam essa maia ter uma riqueza simbólica para o mundo rural, inigualável. É constituída por cereais, plantas silvestres, arbustos e árvores. Em Montalvão, geralmente, o cereal era Trigo. As flores campestres eram a Papoila e o Malmequer. Nos arbustos, colhia-se Alecrim e uma haste de Parreira. E um indispensável raminho de Oliveira. Fazia-se uma maia - conjunto de caules e ramos - a que se dava, simplesmente, o nome de «Espiga».



Chegados a casa colocavam-se os ramos atrás das portas que iam secando com a passagem do tempo. Só seria substituído pelo do ano seguinte.



Por vezes, ao longo do ano, em dias de aflição, como nas tenebrosas trovoadas montalvanenses, queimava-se ao lume uma das hastes ou parte dela, de alguma das suas seis componentes.






Trigo: A espiga de trigo simbolizava o pão. Que nunca faltasse à mesa até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.



Alecrim: O caule de alecrim simbolizava a saúde. Que nunca faltasse a alguém naquela casa até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.



Oliveira: O raminho de oliveira simbolizava a paz. Que nunca houvesse desavenças dentro de casa, existisse tranquilidade entre familiares, paz na aldeia e no Mundo. Que a colheita de azeitona e azeite fosse farta para não faltar azeite, na candeia e na panela ao lume, pois a fome e o breu trazem conflitos e desentendimentos. Que houvesse serenidade até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.



Malmequer: A flor do malmequer silvestre simbolizava a riqueza. Que nunca faltasse naquela casa, que fosse um ano de fortuna, mesmo apenas afortunado servia, e que cada um dos membros da família soubesse usar o dinheiro até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.



Papoila: A flor da papoila campestre simbolizava o amor. Que nunca faltasse naquela casa, nem a felicidade a todos os seus ocupantes até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.


Parreira: A haste de videira simbolizava a alegria. Que nunca faltasse naquela casa, nem a cada um dos seus habitantes os rostos alegres e joviais até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.


Em 2027, a quinta feira de ascensão será em 6 de maio. 



Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino
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13 maio 2026

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Senhoras Minha Mãe

13 maio 2026 0 Comentários
E DE TODOS OS MONTALVANENSES.


Embora o «Dia da Mãe» fosse comemorado em Montalvão, a 8 de dezembro, o advento das Aparições de Fátima, em 1917, trouxe para o mês de maio outra perspetiva em assinalar o valor materno. Uma imagem de Nossa Senhora de Fátima esteve em digressão pelo Alentejo, chegando a Montalvão, ao Arrabalde (junto da Porta de Baixo), em 1947, há 75 anos, aquando dos 30 anos das Aparições, entre Maio e Outubro de 1917, na Cova da Iria. 



A imagem de Nossa Senhora de Fátima, na rua do Arneiro (oficialmente 5 de Outubro) quando ainda havia candeeiros públicos a querosene (petróleo) antes da inauguração da iluminação elétrica, em 1948. Este era um dos sete candeeiros que existiam nos arruamentos, em Montalvão


Nossa Senhora dos Remédios também tem inspiração maternal e mariana ao ter o menino no seu regaço.



Era uma vez uma linda Nossa Senhora em andor
Dos Remédios, lindo nome, por bem a chamaram
Floriu toda a terra ao seu redor com mais valor
E em tapete aveludado e perfumado a amaram



De Montalvão partimos sempre tristes
Em triste deixamos Montalvão
Para Montalvão vamos um dia voltar
De volta para nos encantarmos com Montalvão

Imagem relacionada



De longe ainda para mais longe...
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03 maio 2026

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Tira Maias

03 maio 2026 0 Comentários
UMA DAS POUCAS TRADIÇÕES PRÉ-CRISTÃS EM MONTALVÃO QUE RESISTIU ATÉ AO SÉCULO XX.



A tradição das e para as «catchópas», em montalvanês ou raparigas, em linguagem "grave".

Um rito de Primavera. Um rito de passagem da adolescência para a idade adulta.





No dia três de maio, dia de Santa Cruz, havia o hábito ancestral de «TIRAR AS MAIAS».

As raparigas solteiras faziam cada uma o seu ramo de lindas e variadas flores, a «MAIA», e iam levá-las a casa da pessoa que amavelmente cedia uma sala para a festa da «Tira Maias». Anualmente variava o local. Chegava a ser realizada, também, na via pública: largos, cruzamentos, Adro ou na «Corredoura». 

Logo pela manhã, a meio da sala era colocado um alguidar grande onde as raparigas colocavam as suas "maias" devidamente assinaladas para se saber a quem pertenciam.

Tripeça ou «moutche» em Montalvão

«Trupéça» de cortiça de Montalvão compactada com entalhes de xara (esteva). Feita no início do século XX

De tarde as raparigas juntavam-se todas na sala. No meio do alguidar uma rapariguinha era sentada numa «trupéça» (com cortiça) ou «moutche» (de madeira de azinho ou sobro) vestiam-lhe uma rodada saia de mulher com o cós atado em volta do pescoço e a roda aberta de modo a cobrir o alguidar escondendo as «maias» que lá estavam. As raparigas tocando adufes e almofarizes circulavam em volta com passo de dança, cantando:

Com bem venhas, Maio
Por esses outeiros
Dando o grão ao trigo
E a lã aos carneiros

E logo a seguir:

Tira, tira a Maia,
A Maia de flores.
Tira tu, Maria
Tira os meus amores.

P' ra que Deus me dê
Um amor .... (sapateiro ou carpinteiro ou ferrador ou etecetra)
P' ra bincar com ele
No mês de janeiro

Ou:

Tira tu, Maria
Tira os meus amores
Com quem brincar
Em manhã de flores.

P' ra Deus me dar
Um amor doutor
Com quem eu brincara
Em manhã de flores.

A pequenita, debaixo da grande saia de mulher, tirava ao acaso uma das «Maias» que logo era reconhecida pela autora, que ficava desta forma conhecedora da profissão do futuro marido. A pequenita que tirava as «Maias» ganhava depois a maior, o «Maião».





Neste dia também era usual ornamentar de flores e alecrim o Cruzeiro em frente da ermida de Nossa Senhora dos Remédios («Senhô-Drumédes», em montalvanês).


E assim se fez Montalvão...
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25 abril 2026

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Festa de São Marcos

25 abril 2026 0 Comentários
EM 2026 CABE AO EVANGELIZADOR SÃO MARCOS SER O SEGUNDO A SER HONRADO DEPOIS DA PÁSCOA. O PRIMEIRO FOI SÃO SILVESTRE, NO PASSADO DOMINGO DESTE MÊS, EM 12 DE ABRIL.



Só quando a Páscoa é tardia, São Marcos é honrado antes de São Silvestre...o ser. Em 2019 foi, pois a Páscoa assinalada em 21 de abril "colocou" o São Silvestre a 29 de abril, com São Marcos ao "meio" (quinta feira). Em 2025 voltou a ser: Domingo de Páscoa, em 20 de abril e São Silvestre, a 27 de abril. São Marcos, dois dias antes, na sexta feira. Em 2026, voltará a ser depois do São Silvestre, pois o domingo de Páscoa foi a 5 de abril e o domingo de Pascoela (São Silvestre) em 12 de abril. São Marcos num sábado (25 de abril). Em 2027, voltará a ser depois do São Silvestre, pois o domingo de Páscoa será a 28 de março e o domingo de Pascoela (São Silvestre) em 4 de abril. São Marcos num domingo (25 de abril). Em 2028, continuará a ser depois do São Silvestre, pois o domingo de Páscoa será a 16 de abril e o domingo de Pascoela (São Silvestre) em 23 de abril. São Marcos numa terça-feira (25 de abril). Em 2029 também. Será necessário esperar por 2030 para ter São Marcos, a ser o primeiro santo assinalado, numa quinta-feira, entre a Páscoa (21 de abril) e o São Silvestre (28 de abril).


E de facto é dele o «Segundo Evangelho do Novo Testamento». São quatro os Evangelhos Canónicos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Em questões de Fé interessa pouquíssimo a localização histórica das figuras bíblicas. Ou se acredita ou não se tem Fé. Mas tornou-se hábito fazer "enquadramentos históricos". Pois bem. Diz-se que Marcos nasceu em Cirene (norte litoral da Líbia [clicar]) em 10 a. C. (antes de Cristo) e morreu em Alexandria (Egito [clicar]) por volta de 25 de abril de 68 d. C. (depois de Cristo) vivendo cerca de 80 anos.



Em Montalvão consta que a capela de São Marcos ficava no que foi o quintal do sr. José António Morujo  mas se assim era ficava, praticamente, em frente à igreja de São João (que existiu até aos anos 20) o que é pouco provável embora possível. A Igreja Matriz e a Igreja da Misericórdia ficam em frente uma da outra! 



Na verdade aquando da descrição dos estragos provocados pelo terramoto de 1 de novembro de 1775 a igreja de São Marcos foi referenciada no levantamento realizado pelo Vigário Frei António Nunes Pestana de Mendonça, em 24 de abril de 1758. A curiosidade é que entre Ermidas e Capelas era a única dentro da povoação. Todas as outras ficavam isoladas, ou seja, não havia continuidade de edifícios até junto delas, mesmo a de São Pedro e Espírito Santo, que atualmente ficam dentro do povoado. Em 1758 ficavam no exterior de Montalvão. Isoladas. Havia mais duas junto a «Montes»: Santo André e São Gregório/São Jacinto (Salavessa), além Santo António da Giesteira, entre a Salavessa e o Pé da Serra (São Simão). A Capela de Santo António (ao fundo da Corredoura) anexada para curral, por um Lavrador e a Capela de São João de que há notícias das suas existências e localizações, em meados do século XX (a de São João até deu nome a rua), são posteriores a 1758, pois não aparecem descritas, havendo "apenas" um altar dedicado a São João na de São Marcos. Isoladas continuam (e continuarão) a de Santa Margarida (arruinada), São Silvestre e Nossa Senhora dos Remédios. Três vértices de um triângulo divino e divinal.



A imagem que acompanhava São Marcos era um touro em vez de um leão que é tradicionalmente o animal que lhe está associado.



A «Festa de São Marcos» decorria em 25 de abril e até 1910 foi organizada pela respectiva Irmandade. Dispunha de Bandeira que era levada para a Igreja Matriz conforme era usual nas Irmandades que as tinham, acompanhada pelos «Irmãos» até à capela-mor onde se mantinha durante a Missa cantada. Se a Irmandade tivesse tido um ano bem abonado era contratada - não havendo em Montalvão - uma Banda de música em Nisa ou Castelo de Vide, da qual se destacavam uns executantes para no coro da igreja acompanharem a Missa, tocando e cantando segundo mandava a liturgia.



Quando terminava a Missa e dito o sermão era chegado o momento da entrada do «Touro» na Igreja Matriz, animal bovino que não passava de um bezerro ou novilho oferecido por algum dos lavradores («riques», em montalvanês) em cumprimento de promessa. O animal era conduzido pela coxia central até à capela-mor, junto do andor de São Marcos numa apresentação e era retirado pelo mesmo caminho.



Nem sempre os bezerros ou novilhos sofriam bem bem esta cerimónia de caminhar por entre a massa agitada dos devotos no interior de um edifício com a atmosfera saturada de odor e suor de gente misturados com o perfume do incenso. Muitas vezes o animal excitava-se ou era excitado e havia correria e atropelos com gáudio de muitos.


Passada a agitação organizava-se o cortejo da Procissão acompanhado pela Banda, ou não havendo, pelo "tamboreiro" a tocar cadenciadamente no tambor. Abria a procissão a «Cruz da Paróquia» seguida da «Bandeira de São Marcos», depois vinha o andor, o sacerdote levando a Cruz e na retaguarda os homens. As mulheres, como em todas as Procissões, seguiam em áleas a ladear as insígnias e o andor. O itinerário era o habitual nas Procissões quando acompanhadas por Banda de música, mas era encurtado se ia o "tamboreiro", isto é, ia rua da Barca abaixo, no «Fundo da Rua», virava à esquerda, subia a rua da Costa e voltava, à esquerda, pela rua do Outeiro até à Igreja Matriz.


Martírio de São Marcos em Alexandria, a 25 de abril de 68 (D.C.)

Recolhida a Procissão procedia-se à arrematação dos "ramos" oferecidos a São Marcos, além do bezerro/novilho que era leiloado no «Adro da Igreja». Eram borregos, galos, chibos, carne de porco, enchidos, cereais, legumes, fruta, doces, etecetra, apregoados conforme o uso (em montalvanês, claro): 

«Quem dá mais por este ramo, que está em... (valor em réis ou escudos)... tostões que é para São Marcos bendito?»

À noite havia arraial com concerto pela Banda num coreto armado, bailarico, foguetes, "fogo preso" quando havia verba para despender.

As Mães, cheias de devoção, costumavam fazer-se acompanhar pelos filhos (rapazes) pequenos e dar com a cabeça no "tourinho" junto à imagem de São Marcos, no andor, fazendo a petição:

«São Marcos bendito te faça um bom homem».

Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino
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