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06 dezembro 2019

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Ciclo da Azinheira II

06 dezembro 2019 0 Comentários
A AZINHEIRA ERA A ÁRVORE-MODELO DOS MONTALVANENSES.



Planta magnífica fez parte da vida dos montalvanenses durante séculos. 


A mais velha azinheira de Portugal com 150 anos

Desenvolveu-se no território atual da freguesia de Montalvão muito antes deste existir como povoado - até mesmo haver atividade pré-histórica - pois é uma espécie autóctone. O espaço que constitui a freguesia montalvanense tinha condições naturais - solos formados a partir de rochas metamórficas de xisto («canchos» em montalvanês) e intrusões magmáticas em filões de grauvaques («ponedros» em montalvanês) e clima (humidade e temperatura) - que foram propícias a que evoluíssem umas espécies em detrimento de outras.


Com a actividade humana a ganhar importância, principalmente quando aumenta a densidade populacional, os montalvanenses começaram a modificar o meio em que viviam para melhor viver. Umas das espécies autóctones que mais "sofreu" em número de exemplares e área ocupada foi a azinheira. Esta foi sendo substituída por oliveiras e sobreiros, árvores com maior rendimento. Os Olivais junto da aldeia (encostas de xisto) e em "cabeços de areia" (grauvaques) onde a azeitona é de elevada qualidade - uma saca de 30 quilos/um alqueire de azeite (10 litros) - e Montado de Sobro (com o rendimento da cortiça e a lande para os porcos). Restaram, mesmo assim muitas azinheiras, para a alimentação humana (bolotas assadas ou desfeitas em farinha para amassar)  e excelência da madeira. 


Adaptação do portal "Brigada da Floresta" (clicar) e "Guia Ilustrado de 25 árvores de Lisboa" (clicar)

Com a introdução da batata (depois do Descobrimento da América, por Cristóvão Colombo, em 12 de outubro de 1492) e da possibilidade de importar outro tipo de madeiras, o Montado de Azinho sofreu uma grande redução mas ainda é possível ter alguns milhares de azinheiras pelo vasto território montalvanense. Muito menos que as oliveiras e sobreiros mas mesmo assim ainda será a terceira árvore mais representada na freguesia.    



A Azinheira é tão confiável que tudo dela se aproveita.



1. A sua frondosa sombra e proteção todo o ano destaque para a frescura do Verão, pois a folha é persistente renovando-se pela idade e não pela estação do ano;




2. Os frutos (bolotas) da maior parte da sub-espécies são doces e comem-se como as castanhas. Também são boa fonte de alimento para o gado porcino (porcos e javalis);



3. A madeira é muito dura, compacta e resistente. O azinho é utilizado em construções que têm de ser fiáveis e duradoiras. 



Este blogue irá acompanhar o "Ciclo do Azinheira" com quatro publicações por ano, utilizando uma nobre azinheira de Montalvão.



A. Verão - Início da frutificação e crescimento da bolota (que foi publicado em 15 de agosto);



A Bolota desenvolve-se primeiro que a Lande (sobreiros) sendo possível em meados de agosto já ter muitos ramos de azinheiras com bolotas maduras sendo tal raríssimo nos sobreiros.




B. Outono - Amadurecimento e apanha da bolota (publicado em 6 de dezembro de 2019);



C. Inverno - Recuperação da árvore durante os dias de Sol mais escasso (a publicar em 28 de fevereiro de 2020); 

D. Primavera - Inflorescências e floramentos (a publicar em 30 de abril de 2020). Ficando em definitivo como texto permanente neste blogue. 

Uma homenagem à Árvore que deu comida a milhares de montalvanenses durante 700 anos.

 

Quem não tem saudades daquelas bolotas assadas pela Xá Ana colhidas na tapada da eira do Pontão naquela azinheira junto ao «cancho-grande» em frente ao palheiro e curral?



Próxima paragem, num dia destes, no Futuro próximo. O Medronheiro: a árvore-misteriosa. 

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05 dezembro 2019

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Manoel Godinho 386

05 dezembro 2019 0 Comentários
HÁ 386 ANOS NASCEU EM MONTALVÃO MANUEL GODINHO.



Que foi importante padre entre final do século XVII e início de XVIII. E ainda é um dos mais importantes escritores portugueses desse tempo e como escritor de viagens de todos os tempos.



Em 1 de agosto de 2019 já se fez uma pequena biografia deste ilustre montalvanense (clicar) daí não fazer sentido repetir o que ficou escrito. Apenas uma nota para dizer que dificilmente não está correto aceitar-se a data de 5 de dezembro de 1633 como a mais certa. Porque há um documento emitido com essa data aquando do seu falecimento que se publica mais uma vez. O ano de 1630 deve resultar de alguns contemporâneos do Padre Manuel Godinho, ou estudiosos que se seguiram pouco depois do seu falecimento, se referirem a ele como tendo nascido nos anos de 1630, mas estes vão de 1630 a 1639.



Então vamos ao que ficou prometido, nesse texto publicado em 1 de agosto de 2019, pois o prometido é devido:



A primeira edição, em 1665, apenas dois anos depois da viagem que lhe serve de inspiração (1663) causou impacte pelas circunstâncias da viagem e pormenor nas descrições nos leitores. Eis a capa do livro bem como a apresentação (a digitalização publicada corresponde ao excerto final) feita pelo Padre Manuel Godinho, escrita em 2 de outubro de 1665.



Há notícia, de pelo menos, sete críticas ou considerações acerca do livro, como foi recebido entre os leitores e estimado entre os letrados desse tempo. Eis três exemplos:






Há relatos escritos que devido a estar esgotado atingia preços elevados nos alfarrabistas da cidade de Lisboa e do Porto, por isso foi feita uma outra edição 177 anos depois.



A segunda edição, em 1842, contém um prefácio do editor com notas biográficas e bibliográficas relevantes e uma apreciação crítica à obra (é este excerto que se publica).




Esta segunda edição já teve inúmeras críticas - encontram-se mais de duas dezenas - das quais se destacam as duas seguintes:




A terceira edição, em 1944, 102 anos depois da segunda.



A obra continuou a "surpreender" os mais conceituados investigadores nacionais, 279 anos depois de ter sido editada pela primeira vez. Mais três opiniões das catorze que, pelo menos existem, mas devem ser muito mais. 







A quarta edição, em 1974, trinta anos depois da última (309 depois da primeira, em 1665) é a... última. Não seria mal pensado em 2024, fazer uma quinta. Decorreriam 50 anos depois da 4.ª edição e 312 anos depois do falecimento do Padre Manuel Godinho. 

 
Duas opiniões em nove conhecidas depois desta última edição, em 1974:




Críticas relevantes, desde 1793 a 1985, acerca da obra principal e fundamental. O resto da sua bibliografia são conjuntos de sermões e pouco mais.

Enquanto este blogue existir continuará a divulgar a excelência desta obra de referência, da literatura de viagens, no panorama das letras portugueses, bem como do seu autor montalvanense. Não faltarão datas e efemérides que darão pretexto para tal.

Entretanto, os dois dados biográficos que mesmo repetindo o que já foi publicado, em 1 de agosto deste ano, tem que se ter em conta. O primeiro e o último!


Em 5 de dezembro de 1633, nasceu em Montalvão e certamente foi batizado nesta Igreja Matriz.



Em 25 de fevereiro de 1712, faleceu e foi sepultado na Igreja Matriz de Loures.

Quanto ao Padre Manuel Godinho será cumprida mais um "promessa", em 25 de fevereiro de 2020. Até lá!
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01 dezembro 2019

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Ciclo da Oliveira II

01 dezembro 2019 1 Comentários
A OLIVEIRA É A ÁRVORE-SÍMBOLO DOS MONTALVANENSES.



Planta generosa esteve no centro da sobrevivência dos montalvanenses durante séculos. 


O «Anel de Olival» a rodear Montalvão
As oliveiras mais antigas estão mais próximas da povoação

Chegou ao território atual da freguesia de Montalvão antes deste existir como povoado e depois foi carinhosamente cultivada num anel em torno da aldeia e, as mais afastadas do povoado, nos cabeços com "terreno de areia" (grauvaques). 


Adaptação do portal "Brigada da Floresta" (clicar) e "Guia Ilustrado de 25 árvores de Lisboa" (clicar)

Quando a pressão humana (e a fome) eram elevadas chegou, mesmo, a ser plantada nas "Barreiras do Rio", ou seja, na vertente da margem esquerda do rio Sever, o que faz com que, devido à inclinação dos terrenos e solos esqueléticos, pareçam mais arbustos que árvores. 



A Oliveira é tão generosa que tudo dela se aproveita:

1. A sua sombra e proteção todo o ano pois a folha é persistente renovando-se pela idade e não pela estação do ano;

2. Os frutos (azeitonas) servem para produzir azeite - utilizado como iluminação ou como óleo vegetal (para cozinhar ou temperar) - mas também para acompanhamento às refeições, "arretalhadas" com sal (depois de umas quantas - seis no mínimo em três dias - mudas de água) ou de conserva (em água, óregãos, loureiro e sal);

3. As folhas utilizadas para cobrir chão da furdas (pocilgas) e fazer chá (em desuso, entre os montalvanenses, no século XIX e seguintes);

4. A madeira é "dócil" em ser trabalhada por isso mais para marceneiros que carpinteiros, mas utiliza-se principalmente para ser queimada como aquecimento ou para cozinhar. 


Uma da oliveiras mais antigas do Mundo com 3 352 anos

Este blogue irá acompanhar o "Ciclo da Oliveira" com quatro publicações por ano, utilizando uma nobre oliveira de Montalvão.

A. Verão - Início da frutificação e crescimento da azeitona;


Os olivais e a oliveira eram como familiares para os seus proprietários (e até para quem só as via...). No Verão olhavam para cada uma como se todas fossem diferentes - a "do pé do poço", a junto ao caminho, a de "arretalhar", a "boa para conserva", a do "canto", etecetra. Mesmo que existissem 500 oliveiras repartidas por dez propriedades rústicas mais umas quantas - por exemplo, a "da furda" («furda» em montalvanês, é o recinto para ter o porco) - no quintal se este existisse, mesmo assim, com tantas, todas tinham "um nome", uma função, um propósito. Entre Julho e Agosto ia-se olhando para elas - e se o ano agrícola corresse normalmente até à colheita («apanha» em montalvanês) - já se sabia quantos alqueires de azeite estavam previstos, quais as para conserva e quais as para "arretalhar". Entre galega (preta e miúda) e cordovil (maior e esverdeada). 


B. Outono
- Amadurecimento e apanha (a publicar em 1 de dezembro de 2019) com a evolução dos Lagares pela aldeia (ver imagem por baixo do pequeno vídeo) e o modelo artesanal em separar o azeite do resto. O modo de ripar as azeitonas com escadas e "panales"; Separar as folhas das azeitonas; juntá-la em "tulhas" e acondicionar o azeite em potes de zinco; e talhas de barro pezgadas por dentro para a azeitona de conserva.


 
A memória dos habitantes de Montalvão permite localizar três edifícios como «Lagares de Azeite»: 1. rua das Almas (a abufêra - água russa em montalvanês) corria para a azinhaga do Level; 2. rua da Corredoura com a abufêra (água muito poluente) a correr para a azinhaga da Corredoura até à «Fonte Lagar»; 3 - Lagares atuais. Havia, ainda, já muito idosos, quem dissesse, no início dos Anos 70, que antes do Lagar na rua das Almas, o Lagar de Azeite de Montalvão "era lá para o ribeiro do Pontão"!

C. Inverno - Recuperação das árvores depois da faina da apanha da azeitona (a publicar em 9 de fevereiro de 2020);

D. Primavera - Inflorescências e floramentos («enfarna» em montalvanês) - a publicar em 20 abril de 2020. Ficando em definitivo como texto permanente neste blogue. 



Uma homenagem à Árvore que "matou a fome", iluminou, alegrou e aqueceu milhares de montalvanenses durante 700 anos.




Quem é que não gosta de um simples pão de trigo com azeitonas levadas dentro de uma "corna" (quando se comiam a lavrar uma tapada ou numa eira na debulha do trigo)? Manjar de deuses!




Com este texto inicia-se uma série de iniciativas neste blogue tendo em conta a importância dos elementos do Mundo Rural que influenciaram, durante séculos, o ritmo sazonal dos montalvanenses. Funções da sua vida/existência que eram o seu suporte.


Próxima paragem, num dia destes, no Futuro próximo. A Azinheira: a árvore-modelo.

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