Páginas

03 dezembro 2021

Textual description of firstImageUrl

A Epopeia da Água (Parte 1: Localização)

03 dezembro 2021 0 Comentários

A EXISTÊNCIA DE ÁGUA POTÁVEL É FUNDAMENTAL PARA UM TERRITÓRIO SER POVOADO E FAZER CRESCER ESSE AGLOREMADO POPULACIONAL.


Montalvão tem uma localização de excelência num sítio elevado mas a água escasseia. A distribuição canalizada, a partir de 1965, resolveu o problema mas até esta existir chegou a ser problemática a falta de água quando o povoado atingiu quase três mil pessoas, em meados da década de 40.




No início do século XIX há descrições e considerações acerca da água, quantidade e qualidade.  Foi o então Oficial do Real Corpo de Engenheiros, José Maria das Neves Costa, nascido em Carnide (atualmente pertencente a Lisboa) que fez o reconhecimento militar da fronteira do Nordeste Alentejano, a deixar um conjunto de memórias descritivas e uma carta topográfica pormenorizada que mesmo sendo trabalhos para o exército (Inspeção Geral das Fronteiras e Costas Marítimas do Reino). Apesar de ser realizado sob o ponto de vista do interesse militar, o trabalho documenta com preciosidade e minucia o que eram e que condições tinham os montalvanenses no início do século XIX. Em 1803 foi publicado o seguinte:


Até à adoção do sistema métrico decimal (francês) em que a légua passou a equivaler a cinco mil metros (decreto de 13 de dezembro de 1852) uma légua era um múltiplo da polegada sendo superior aos atuais 5 000 metros, variando entre 5,5 e 6,6 mil metros. Cerca de meia légua, em 1800, seria aproximadamente três mil metros atuais. As três fontes em "diferentes direções" aproximadamente a essa distância, seriam na Charneca (Oeste) ainda (talvez) a Fonte Ferranha (Sul) e para Noroeste do povoado, a Senhora dos Remédios com três nascentes: fonte atrás da Ermida (Fonte da Senhô Drumédes), Fonte Antiga e Chafariz da Venda  


A descrição é fácil de interpretar embora haja algumas questões. Se no início do povoamento com os Cavaleiros da Ordem do Templo a água não era problema, pois seriam poucos os montalvanenses, em 1800, para cerca de mil habitantes já havia escassez no final do Verão pela utilização desde o final das últimas chuvas de Primavera com as nascentes a minguar à espera das primeiras chuvadas de Outono. A qualidade não era famosa, nem é, pois são nascentes em terreno de xisto. Longe da povoação há água com melhor qualidade, em terrenos de arcoses (areia e cascalho/ponedros) como na Charneca (a Salavessa beneficia desta água) e no Monte do Pombo (que foi povoação, beneficiando desta água) noutro núcleo de arcoses que tem água de boa qualidade para as «Cerejêras» e para a "Senhô Drumédes».

 

Extrato da Carta Geológica de Portugal; folha 28-D (Nisa); 1/50 000; Direcção Geral de Minas e Serviços Geológicos; 1964; as arcoses ou terrenos de "areia e cascalho" entre a Ermida da Senhora dos Remédios e o Monte do Pombo, onde nasce a água com melhor qualidade (a par da Charneca/Salavessa) do vasto território montalvanense


A Norte de Montalvão a água é mais abundante que a Sul. Pela fisionomia de Montalvão e histórico de crescimento dos arruamentos a vertente norte foi mais intensamente povoada - considerando que o eixo fundamental Rua do Outeiro - Praça - Rua Direita - Rua do Cabo - Corredoura - abastecia-se a Norte (mesmo localizando-se no topo do Monte) - daí o número de fontes ser superior. Em Montalvão, um poço se ficar num caminho público ou azinhaga é uma Fonte. Depois há as fontes com bica e os chafarizes que têm bica ou água tirada a caldeiro mas junto há uma pia para que os animais de maior porte - gado vacum, cavalar, muar e asinino - possam saciar a sede. 




Para Norte

A norte de Montalvão ficam cinco das oito fontes (poços na via pública). A Fonte Cereja é a mais próxima (pouco mais) tendo melhor acesso por ser mais plano mas tem água salobra imprópria para beber ou cozinhar. Servia para lavagens e "dar de beber" aos animais. O grande sistema de fontes montalvanenses - quatro - ficava nas nascentes da ribeira da «Marí Neta» que teve diminuição de caudal à medida que o povoamento (e consumo de água na localidade) em Montalvão aumentou. Mais água retirada em profundidade, menos água para correr à superfície. Curiosamente estas quatro fontes tinham características diferentes - quantidade e qualidade da água - ainda que fossem todas muito próximas. Merecem um capítulo à parte, aliás dois: "As Três Fontes" e a "Barroca e Fonte de Mato».




Para Sul

A sul do povoado ficam três fontes das oito. Delas só resta uma - a Fonte Souriça - pois a Fonte Carreira e o Fontanhão foram tapadas depois de ser estabelecido o sistema de água canalizada. A água da Fonte Souriça não é própria para beber a não ser pelos animais. Mas merece destaque "por outros motivos". Aquando da construção e inauguração da "Escola Nova" (23 de janeiro de 1950: clicar) no «Burnáldine» não havendo água canalizada - só em 1966 - as raparigas que ocupavam o lado direito/norte do edifício iam abastecer a escola de água na Fonte Carreira, já os rapazes (lado esquerdo/sul) abasteciam a escola com água do Fontanhão. Colocar crianças no rebordo de poços era de uma inconsciência que nem pode ser considerada "naquele tempo era assim..." isto porque houve - pelo menos uma «catchópa» - que se indignou por obrigarem raparigas com menos de dez anos a "tirarem água a caldeiro" da Fonte Carreira, em cima do muro de pedra do poço, e pagou pela ousadia.  


1. Chafariz de Santa Clara (com bica e duas pias, uma frontal para pessoas e a lateral para animais)


Algo que causa alguma "estranheza" no levantamento efetuado, por José Maria das Neves Costa, é a não referência a duas nascentes que eram importantes - embora já longe do povoado - para quem tinha que fazer o percurso de ida e volta (este já com o peso da água em cima): o "Chafariz de Santa Clara" (a Norte) e a Fonte Judia (a Sul). Será que não existiam em 1800?  Ou foram consideradas como menos utilizadas devido a ficarem longe, para quem "ia à Água" que eram geralmente «Catchópas» que faziam um enorme esforço para trazer água dos oito poços quanto mais de nascentes para lá do aceitável quando o percurso era pedestre e havia que equilibrar as «infusas» ou bilhas na cabeça?


2. Fonte Judia (cisterna com água retirada a caldeiro) é também uma das nascentes do Ribeiro de Ficalho

A água era essencial e quanto mais crescia o povoado mais se notava a falta dela. Muitos poços em propriedades privadas foram sendo construídos tal como pedreiras. Esta é outra história. Aproveitar uma pequena nascente ou um nível freático mais superficial para abrir um espaço, em forma de meia lua, com parede do lado mais profundo.



O vai-e-vem todo o ano a caminho das «Fontes» era fundamental para ter as "infusas", bilhas e cântaros cheios. Comida e saciar a sede dependiam de ter água e da sua qualidade.



Próxima Paragem: Parte II - A Utilização


Ler Mais ►

01 dezembro 2021

Textual description of firstImageUrl

Pezinhos de Porco Com Batatas

01 dezembro 2021 0 Comentários

NUMA RECEITA HÁ MAIS DE SEIS GERAÇÕES NA FAMÍLIA, NESTE CASO À MODA DE ANA DA GRAÇA.


Em Montalvão há cerca de quatro dezenas de cozinhados, embora um terço seja o mesmo que outras terras do Nordeste Alentejano, outro tanto semelhante a outras localidades e outro igual com características montalvanenses muito próprias.

 

Ler Mais ►

30 novembro 2021

Textual description of firstImageUrl

Festa de Santo André

30 novembro 2021 0 Comentários
A 30 DE NOVEMBRO, OS HABITANTES DO MONTE DE SANTO ANDRÉ ASSINALAVAM O SEU SANTO PADROEIRO.


Era uma festa bem popular e que se "perdia no tempo" o início da consagração do Monte a Santo André. Nos Anos 40 e 50, a taberna do Cananã, na rua do Meio (no topo, contrário ao local da Capela), brilhava com deslumbramento, embora a Capela estivesse em ruínas. Em 2019, retomou-se a tradição junto à Capela.


O Santo André, em 1758, não devia ter qualquer habitante pois não aparece nomeado junto aos seis lugares referenciados pelo Vigário Frei António Nunes Pestana de Mendonça, existentes no concelho de Montalvão: Monte de Rollo, Monte do Pégo do Bispo, Monte do Amaro Fernandes, Monte do Pombo, Monte da Salavessa e Montalvão.    



Em relação aos edifícios religiosos, a pergunta é:



(Transcrição) «Se tem algumas Ermidas, e de que Sanctos; et estam dentro, ou fora do Lugar, e a quem pertencem?»

A Ermida de Santo André merece destaque no citado inventário:



(Transcrição) «As Ermidas, quem dentro da Villa, hé somente a de Sam Marcos, que tem altar próprio, que tem Irmandade, e nada de renda; tem outro altar em Sam Joaõ Baptista; outro de Santa Maria Madalena, que naõ tem Irmandade nem renda = Fora da Villa tem Igreja do Espírito Santo, que tem Mordomos, e algumas rendas = Tem mais a Igreja de Sam Pedro, quem Mordomos, e alguma renda = tem mais a Igreja de Santa Margarida, que naõ tem Irmandade, nem renda = Tem mais a Igreja de Santo André Appóstollo, que também naõ tem renda, nem Irmandade, e somente no seu dia se lhe canta uma missa por conta das rendas, que deixou Frey Pedro Carrilho ao hospital =» 

Tudo indica que a Capela fosse mesmo, durante muitos anos, uma Ermida, ou seja, um edifício de culto cristão que ficava num lugar ermo, que não era habitado. As pessoas, as casas, as famílias, o bulício, ou seja, a vida dos habitantes do Santo André, surge depois. Bem depois! No final da primeira década do século XX já há registos de batismo com crianças nascidas no lugar do Santo André!

Instituto Geográfico e Cadastral; secção CC (Montalvão); escala 1/5 000; Campanha de 1959. No topo do lado direito a Capela - que estava em ruínas nos Anos 50 - e casa adjacente
 

O Santo André, em 1940, tinha mais de duas centenas de habitantes.


No Recenseamento de 1940, no Santo André, habitavam 240 pessoas - 119 homens e 121 mulheres - que pela meia-noite de 12 de dezembro ocupavam os 65 fogos; NOTAS: Fogos = edifícios para habitação; V - Varões/Homens; F - Fêmeas/Mulheres; VF - Totais

O Santo André (durante decénios Monte de Santo André) era o lugar da gente mais pobre dos pobres de Montalvão. Hoje está deserto. Mas há sempre histórias, mesmo em lugares hoje desertos mas que já estiveram a abarrotar de montalvanenses.


No topo do lado direito a Capela já recuperada (desde os Anos 60) com a casa adjacente nas traseiras

A Festa de Santo André começava ao pôr-do-Sol de 29 de novembro com folguedos vários para na manhã seguinte (30 de novembro) haver missa, na Capela, consagrando o Santo protetor à sombra do qual se foi organizando um pequeno povoado.


Uma espécie de Milagre de Santo André

Há muitos, muitos anos nasceu um homem numa modesta casa do Santo André. 



Chamava-se Ti Manel Texêra. Cresceu e casou para outra casa do Santo André. Um pouco melhor para poder dar espaço aos filhos que o casamento adivinhava.



Analfabeto, pobre, pé descalço, sem bens a herdar a não ser o que ganhava à jorna decidiu que havia outra vida para além da pobreza. Deixou o «Santo» e foi viver para a «Vila» numa modesta casinha encravada nas traseiras da Igreja de Misericórdia. 



Foi aqui que nasceu o seu filho, segundo do casal depois de uma filha nascida, ainda, no Santo André.



Um dia o filho, ainda antes do tempo da ida à Escola mas mesmo à justa no ano em que devia ter começado - por isso entrou um ano depois - deslocou o fémur numa qualquer brincadeira de criança. Entretanto mudara já para uma casa, com melhores condições, no Fundo da Rua. Sem que a criança pudesse andar normalmente, vivia a coxear, foi-lhe dada como que uma sentença final: nada havia a fazer... tinha reumatismo. Viveria a sua existência a mancar. Após meses, condenado a uma vida como entrevado, o Ti Manel Texêra, analfabeto decidiu que o filho não seria um inválido. Se ele conseguiu sair do destino que o Santo André lhe reservava na pobreza, o filho também conseguiria desviar-se do destino a que os médicos desinteressados e com outras ocupações, que iam à Vila o condenaram, a mancar uma vida. Sem saber ler, nem escrever, depois de ver o filho, em esforço, a coxear, pegou nele de tronchas ("às costas") apanhou transporte para um comboio e foi a Coimbra! À procura do doutor Moura, importante médico no Hospital de Coimbra, nascido em Montalvão. O Ti Texêra, um homem analfabeto que só conseguia contar as estações mas não sabia ler onde estava. Não é de crer que, em Montalvão, muitos alfabetizados, até letrados, a tal se dispusessem! Em Coimbra, o diagnóstico foi feito: não era reumatismo, era o fémur... deslocado! Chegou passados três dias, a Montalvão, com o filho, ao seu colo, engessado da cabeça aos pés e eis que passados seis meses acamado - no final a mãe, Xá Marí Jaquina, colocava-o nos degraus da escada obrigando-o a gritar enquanto fazia funcionar, de novo, as articulações - a criança voltava a andar. Normalmente como os da sua idade. 



Acompanhou o pai, depois, a singrar na vida. 

 

A fazer carvão, a tirar cortiça, a apanhar azeitona, em Montalvão e arredores e na Beira Baixa, do Ocreza ao Pônsul.

Fotografia de Artur Pastor

Acabou a morar numa casa que sendo de uma família pobre tinha dimensão e qualidade como a dos Lavradores com criados. Talvez o melhor edifício de um pobre de Montalvão equiparada às casas de alguns "ricos".




O filho retirado à invalidez de uma vida pela coragem e sábia decisão de um pai analfabeto, fez o que tinha que fazer:

Em Montalvão estudou
Na Beira Baixa com o pai trabalhou
Em todo o lado o pai ajudou
Na tropa muito marchou
Na Índia telegrafou
Na Matriz da Vila casou
Em Ficalho fiscalizou
Na Figueira da Foz cavou
Filhos criou
Em Lisboa muito labutou
A todos tudo possibilitou
Desta vida se libertou
A morte levou
Tudo porque o pai ao destino o resgatou 

Montalvão também tem destes heróis. Os heróis improváveis e desconhecidos como o Ti Texêra!
Ler Mais ►

25 novembro 2021

Textual description of firstImageUrl

Rio Sever 1758 (Parte I: Peixes)

25 novembro 2021 0 Comentários

 A POPULAÇÃO MONTALVANENSE TINHA NO RIO SEVER UMA OPORTUNIDADE DE LAZER E VARIEDADE ALIMENTAR.



Ler Mais ►

20 novembro 2021

Textual description of firstImageUrl

Montalvão 1890

20 novembro 2021 0 Comentários

A DEMOGRAFIA MONTALVANENSE HÁ 130 ANOS ERA UM «ASSUNTO À PARTE» COMPARADA COM A ATUALIDADE. 



Ler Mais ►

06 novembro 2021

Textual description of firstImageUrl

Ribeiro de Fivenco 1803

06 novembro 2021 4 Comentários

RIBEIRO IMPORTANTE NUM VASTO TERRITÓRIO ONDE OS RIOS QUE O DELIMITAM SÃO O TEJO E O SEVER. 


A grafia do nome do ribeiro é muito variada, tendo já referências ao mesmo escritas no século XVIII (Fivelrro), no século XIX (Fevebro, Feverlo e Fevel) e no século XX (Fivelo, Fivenco e Fouvel) certamente influenciadas pela oralidade com que quem perguntava se confrontava. No século XX na Salavessa é Fiverlô e em Montalvão até se ouvia duas designações: Fevêle ou Fouvôile.«Lá pró Pé Lázar no rebêre de Fouvôile!»


Seja como for o ribeiro é estruturante para o território, primeiro concelho e depois de 6 de novembro de 1836, freguesia não só por ser uma linha de água das maiores e sem dúvida a que tem a maior superfície (sub-bacia hidrográfica fazendo parte da bacia do rio Tejo de que é afluente "direto") ocupando na freguesia a maior área muito superior a qualquer outra. Aliás o Plano Diretor Municipal de Nisa dá-lhe o devido destaque.



Mas o ribeiro de Fivenco tem ainda outras duas particularidades. 

1. É sem dúvida um dos responsáveis pelo isolamento do território durante séculos devido à dificuldade, principalmente de Inverno, que colocava em ultrapassar de uma margem para outra - ou seja, isolava Montalvão para Sul e Sudoeste - sendo a sua importância e inacessibilidade tal que é a vertente sul demarca a fronteira do anterior concelho e depois freguesia praticamente em toda a extensão. Desde a nascente quase na Póvoa e Meadas até muito próximo da foz. Até é algo surpreendente o porquê do território montalvanense ter como limite o leito do ribeiro já tão perto da sua confluência com o rio Tejo quando o setor da sua sub-bacia que não faz parte da freguesia é diminuto. Ao tempo, quanto foi feita a demarcação, entre Montalvão e Nisa (freguesia de Nossa Senhora da Graça), algo fez com que assim ficasse decidido.  




   2. O ribeiro tem importância desigual para a Salavessa e para Montalvão. Correndo a sul da Salavessa tem (ou tinha...) para esta uma importância económica que não tem para Montalvão. Tinha moinho (do Fivêrlo) e na foz uma azenha (Pêgo do Bispo) já no rio Tejo, sem dúvida o engenho mais sofisticado para moagem existente em todo o território montalvanense. Ficará para outra ocasião fazer uma espécie de radiografia do ribeiro desde a nascente até à foz - onde foi mesmo cortado uma nesga de lajes, o «buraco» - para abreviar o local onde desagua no rio Tejo. Com fotografias de vários locais, alguns bem pitorescos, incluindo as travessias centenárias, além de imagens do moinho do Fivêrlo. Serão notas com a descrição de alguém que é de Montalvão valorizando com a opinião salavessense, até porque em termos de importância, o ribeiro é "muito mais da Salavessa que de Montalvão" visto ser mais importante para a Salavessa que para Montalvão. 



Neste texto há que colocar a descrição do ribeiro feita há 220 anos por quem não era da região mas estava a fazer um reconhecimento do território.  Foi o então Oficial do Real Corpo de Engenheiros, José Maria das Neves Costa, nascido em Carnide (atualmente pertencente a Lisboa) que fez o reconhecimento militar da fronteira do Nordeste Alentejano, a deixar um conjunto de memórias descritivas e uma carta topográfica pormenorizada que mesmo sendo trabalhos para o exército (Inspeção Geral das Fronteiras e Costas Marítimas do Reino). Apesar de ser realizado sob o ponto de vista do interesse militar, o trabalho documenta com preciosidade e minucia o que eram e por onde se deslocavam os montalvanenses no início do século XIX. Em 1803 foi publicado o seguinte:

 


Santo António da Giesteira onde na realidade a fisionomia do ribeiro se altera profundamente.


E as descrições que ilustram como o ribeiro para os montalvanenses, antes da construção da estrada nacional n.º 359 que liga Montalvão a Nisa, era um forte factor de impedimento das ligações a Nisa/Pé da Serra e Alpalhão. Neste caso é de referir que antes da construção da citada estrada o caminho para Alpalhão não coincidia com o caminho para Nisa. Exatamente para aproveitar passagens mais facilitadas sobre o ribeiro de Fivenco e sobre a ribeira e Nisa.





   Próxima paragem: o ribeiro de Fivenco no século XXI


Ler Mais ►

02 novembro 2021

Textual description of firstImageUrl

Dia de Finados

02 novembro 2021 0 Comentários
DIA DEDICADO AOS ENTE QUERIDOS QUE FORAM PARTINDO DA VIDA TERRENA.




Os montalvanses rumavam ao cemitério visitando as sepulturas - campas ou jazigos - havendo a celebração, no local, de uma das três habituais missas diárias.



O sino na Igreja da Misericórdia tocava um som bem conhecido e único «a dobrar a finados» durante nove dias, entre 2 de novembro (Dia de Finados) e dez de novembro (Dia dedicado ao Papa Leão Magno).




O «Cemitério Novo» foi benzido em 1 de novembro de 1951, passaram ontem 68 anos, recebendo o primeiro funeral em 28 de janeiro de 1952, um "anjinho" (criança de mês e meio) nascida no Santo André. Entretanto tinham passado as ossadas do «Cemitério Velho» para o novo. O «Cemitério Velho» (Castelo) foi a alternativa encontrada depois do decreto lei (21 de setembro de 1835) que proibiu as sepulturas dentro das igrejas e nos adros adjacentes obrigando a criar cemitérios públicos murados. O último funeral para o «Cemitério Velho» ocorreu em 28 de outubro de 1951, a poucos dias da inauguração oficial (1.º de novembro) do «Novo». Neste, o primeiro adulto a ser sepultado, em 2 de abril de 1952, foi o senhor Valeriano, com 50 anos, que vivendo na rua da Barca faleceu de acidente nas escadas da taberna do Ti Zé Leandro, na rua de São Pedro. Um dia nefasto pois andava a trabalhar à jorna e com as chuvadas fortes nessa Primavera estava à espera de melhores condições para poder atravessar o rio Tejo estando destinado a trabalhar na Beira Baixa. Uma tragédia.



Aquando da renovação (praticamente uma reconstrução no interior) da Igreja Matriz (entre finais de 1967 e o ano de 1968) ainda foram retiradas ossadas debaixo das tábuas que foram substituídas por tijoleiras. 

Os montalvanenses começaram por ser sepultados no chão térreo da Igreja, começando com D. Vasco Fernandes e seus acompanhantes, depois outras gentes ilustres com a população a ser enterrada no Adro em torno da Igreja. Mas com a proibição dessa prática optou-se, de forma provisória, por utilizar um espaço próximo que não era utilizado, o chão do «castelo» que estava protegido pelo muro da cerca à sua volta. Seguiu-se a solução definitiva para o ritual que marca definitivamente a vida dos montalvanenses. A sepultura no «Cemitério Novo»  

Três locais - quatro se o chão da Igreja for individualizado do Adro - em 700 anos de vida e mortes. Um número considerável de montalvanenses estão sepultados ou foram cremados bem longe de Montalvão.



Que todos os montalvanenses, mais de meio milhão, em sete séculos, entretanto falecidos, Descansem Em Paz. Homenagem deste blogue a TODOS, desde a fundação de Montalvão até ao último montalvanense falecido, seja em que parte do Mundo tiver ocorrido, numa singela "oferta", em forma de flores aqui colocadas:



PNAM

Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino    
Ler Mais ►