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13 maio 2021

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Dia da Espiga

13 maio 2021 + 0 Comentários
NA QUINTA FEIRA DE ASCENSÃO OS MONTALVANENSES NUNCA SE ESQUECIAM DE RECOLHER E COMPÔR UMA BONITA MAIA COM AMPLO SIGNIFICADO.



Era popularmente conhecido como o «Dia da Espiga». Assinala-se 40 dias depois do domingo de Páscoa anunciando a «Sagrada Ascensão de Jesus Cristo para junto de Deus onde está à sua direita».  



Em Montalvão, até meados dos Anos 40, havia duas missas dedicadas a consagrar a «Ascensão do Senhor». A habitual logo pelas "matinas" e ao final da tarde ("trindades") anunciadas pelo toque do sino da torre norte, com o Sacristão a tocar o sino nove vezes em três séries de três toques, mas durante o dia dominava a alegria anunciando a Primavera (número de horas de dia superiores à noite) e a importância da luz para o Mundo Rural. 



Quem estava no campo aproveitava e colhia, uma planta aqui, outra acolá até fazerem uma maia. Os que não estavam, geralmente mulheres, catchópas e catchôpos, aproveitavam uma pequena folga nesse dia - podia ser logo pela manhãzinha ou pela hora de almoço - e iam ao campo colher as "peças" que faziam essa maia ter uma riqueza simbólica para o mundo rural, inigualável. É constituída por cereais, plantas silvestres, arbustos e árvores. Em Montalvão, geralmente, o cereal era Trigo. As flores campestres eram a Papoila e o Malmequer. Nos arbustos, colhia-se Alecrim e uma haste de Parreira. E um indispensável raminho de Oliveira. Fazia-se uma maia - conjunto de caules e ramos - a que se dava, simplesmente, o nome de «Espiga».



Chegados a casa colocavam-se os ramos atrás das portas que iam secando com a passagem do tempo. Só seria substituído pelo do ano seguinte.



Por vezes, ao longo do ano, em dias de aflição, como nas tenebrosas trovoadas montalvanenses, queimava-se ao lume uma das hastes ou parte dela, de alguma das suas seis componentes.



Trigo: A espiga de trigo simbolizava o pão. Que nunca faltasse à mesa até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.



Alecrim: O caule de alecrim simbolizava a saúde. Que nunca faltasse a alguém naquela casa até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.



Oliveira: O raminho de oliveira simbolizava a paz. Que nunca houvesse desavenças dentro de casa, existisse tranquilidade entre familiares, paz na aldeia e no Mundo. Que a colheita de azeitona e azeite fosse farta para não faltar azeite, na candeia e na panela ao lume, pois a fome e o breu trazem conflitos e desentendimentos. Que houvesse serenidade até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.



Malmequer: A flor do malmequer silvestre simbolizava a riqueza. Que nunca faltasse naquela casa, que fosse um ano de fortuna, mesmo apenas afortunado servia, e que cada um dos membros da família soubesse usar o dinheiro até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.



Papoila: A flor da papoila campestre simbolizava o amor. Que nunca faltasse naquela casa, nem a felicidade a todos os seus ocupantes até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.


Parreira: A haste de videira simbolizava a alegria. Que nunca faltasse naquela casa, nem a cada um dos seus habitantes os rostos alegres e joviais até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.


Em 2022, a quinta feira de ascensão será em 26 de maio. 



Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino
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08 maio 2021

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Montalvão 1803 (Parte II: Natureza)

08 maio 2021 + 0 Comentários

NESTA SEGUNDA PARTE O DESTAQUE É A NATUREZA DESCRITA NO INÍCIO DO SÉCULO XIX.



Na primeira parte (clicar) já se divulgou o âmbito e objetivo desta descrição elaborada, pelo então Oficial do Real Corpo de Engenheiros, José Maria das Neves Costa, nascido em Carnide (atualmente pertencente a Lisboa) que fez um reconhecimento militar da fronteira do Nordeste Alentejano, publicada em 1803. 

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03 maio 2021

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Tira Maias

03 maio 2021 + 1 Comentários
UMA DAS POUCAS TRADIÇÕES PRÉ-CRISTÃS EM MONTALVÃO QUE RESISTIU ATÉ AO SÉCULO XX.



A tradição das e para as «catchópas», em montalvanês ou raparigas, em linguagem "grave".

Um rito de Primavera. Um rito de passagem da adolescência para a idade adulta.




No dia três de maio, dia de Santa Cruz, havia o hábito ancestral de «TIRAR AS MAIAS».

As raparigas solteiras faziam cada uma o seu ramo de lindas e variadas flores, a «MAIA», e iam levá-las a casa da pessoa que amavelmente cedia uma sala para a festa da «Tira Maias». Anualmente variava o local. Chegava a ser realizada, também, na via pública: largos, cruzamentos, Adro ou na «Corredoura». 

Logo pela manhã, a meio da sala era colocado um alguidar grande onde as raparigas colocavam as suas "maias" devidamente assinaladas para se saber a quem pertenciam.

Tripeça ou «moutches» em Montalvão

De tarde as raparigas juntavam-se todas na sala. No meio do alguidar uma rapariguinha era sentada numa «trupéça» (com cortiça) ou «moutche» (de madeira de azinho ou sobro) vestiam-lhe uma rodada saia de mulher com o cós atado em volta do pescoço e a roda aberta de modo a cobrir o alguidar escondendo as «maias» que lá estavam. As raparigas tocando adufes e almofarizes circulavam em volta com passo de dança, cantando:

Com bem venhas, Maio
Por esses outeiros
Dando o grão ao trigo
E a lã aos carneiros

E logo a seguir:

Tira, tira a Maia,
A Maia de flores.
Tira tu, Maria
Tira os meus amores.

P' ra que Deus me dê
Um amor .... (sapateiro ou carpinteiro ou ferrador ou etecetra)
P' ra bincar com ele
No mês de janeiro

Ou:

Tira tu, Maria
Tira os meus amores
Com quem brincar
Em manhã de flores.

P' ra Deus me dar
Um amor doutor
Com quem eu brincara
Em manhã de flores.

A pequenita, debaixo da grande saia de mulher, tirava ao acaso uma das «Maias» que logo era reconhecida pela autora, que ficava desta forma conhecedora da profissão do futuro marido. A pequenita que tirava as «Maias» ganhava depois a maior, o «Maião».




Neste dia também era usual ornamentar de flores e alecrim o Cruzeiro em frente da ermida de Nossa Senhora dos Remédios («Senhô-Drumédes», em montalvanês).

E assim se fez Montalvão...
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25 abril 2021

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Festa de São Marcos

25 abril 2021 + 0 Comentários
EM 2021 CABE AO EVANGELIZADOR SÃO MARCOS SER O SEGUNDO A SER HONRADO DEPOIS DA PÁSCOA. O PRIMEIRO FOI SÃO SILVESTRE.



Só quando a Páscoa é tardia, São Marcos é honrado antes de São Silvestre...o ser. Em 2019 foi, pois a Páscoa assinalada em 21 de abril "colocou" o São Silvestre a 29 de abril, com São Marcos ao "meio" (quinta-feira).


E de facto é dele o «Segundo Evangelho do Novo Testamento». São quatro os Evangelhos Canónicos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Em questões de Fé interessa pouquíssimo a localização histórica das figuras bíblicas. Ou se acredita ou não se tem Fé. Mas tornou-se hábito fazer "enquadramentos históricos". Pois bem. Diz-se que Marcos nasceu em Cirene (norte litoral da Líbia [clicar]) em 10 a. C. (antes de Cristo) e morreu em Alexandria (Egito [clicar]) por volta de 25 de abril de 68 d. C. (depois de Cristo) vivendo cerca de 80 anos.



Em Montalvão consta que a capela de São Marcos ficava no que foi o quintal do sr. José António Morujo  mas se assim era ficava, praticamente, em frente à igreja de São João (que existiu até aos anos 20) o que é pouco provável embora possível. A Igreja Matriz e a Igreja da Misericórdia ficam em frente uma da outra! 



Na verdade aquando da descrição dos estragos provocados pelo terramoto de 1 de novembro de 1775 a igreja de São Marcos foi referenciada no levantamento realizado pelo Vigário Frei António Nunes Pestana de Mendonça, em 24 de abril de 1758. A curiosidade é que entre Ermidas e Capelas era a única dentro da povoação. Todas as outras ficavam isoladas, ou seja, não havia continuidade de edifícios até junto delas, mesmo a de São Pedro e Espírito Santo, que atualmente ficam dentro do povoado. Em 1758 ficavam no exterior de Montalvão. Isoladas. Havia mais duas junto a «Montes»: Santo André e São Gregório/São Jacinto (Salavessa), além Santo António da Giesteira, entre a Salavessa e o Pé da Serra (São Simão). A Capela de Santo António (ao fundo da Corredoura) anexada para curral, por um Lavrador e a Capela de São João de que há notícias das suas existências e localizações, em meados do século XX (a de São João até deu nome a rua), são posteriores a 1758, pois não aparecem descritas, havendo "apenas" um altar dedicado a São João na de São Marcos. Isoladas continuam (e continuarão) a de Santa Margarida (arruinada), São Silvestre e Nossa Senhora dos Remédios. Três vértices de um triângulo divino e divinal.



A imagem que acompanhava São Marcos era um touro em vez de um leão que é tradicionalmente o animal que lhe está associado.



A «Festa de São Marcos» decorria em 25 de abril e até 1910 foi organizada pela respectiva Irmandade. Dispunha de Bandeira que era levada para a Igreja Matriz conforme era usual nas Irmandades que as tinham, acompanhada pelos «Irmãos» até à capela-mor onde se mantinha durante a Missa cantada. Se a Irmandade tivesse tido um ano bem abonado era contratada - não havendo em Montalvão - uma Banda de música em Nisa ou Castelo de Vide, da qual se destacavam uns executantes para no coro da igreja acompanharem a Missa, tocando e cantando segundo mandava a liturgia.



Quando terminava a Missa e dito o sermão era chegado o momento da entrada do «Touro» na Igreja Matriz, animal bovino que não passava de um bezerro ou novilho oferecido por algum dos lavradores («riques», em montalvanês) em cumprimento de promessa. O animal era conduzido pela coxia central até à capela-mor, junto do andor de São Marcos numa apresentação e era retirado pelo mesmo caminho.



Nem sempre os bezerros ou novilhos sofriam bem bem esta cerimónia de caminhar por entre a massa agitada dos devotos no interior de um edifício com a atmosfera saturada de odor e suor de gente misturados com o perfume do incenso. Muitas vezes o animal excitava-se ou era excitado e havia correria e atropelos com gáudio de muitos.


Passada a agitação organizava-se o cortejo da Procissão acompanhado pela Banda, ou não havendo, pelo "tamboreiro" a tocar cadenciadamente no tambor. Abria a procissão a «Cruz da Paróquia» seguida da «Bandeira de São Marcos», depois vinha o andor, o sacerdote levando a Cruz e na retaguarda os homens. As mulheres, como em todas as Procissões, seguiam em áleas a ladear as insígnias e o andor. O itinerário era o habitual nas Procissões quando acompanhadas por Banda de música, mas era encurtado se ia o "tamboreiro", isto é, ia rua da Barca abaixo, no «Fundo da Rua», virava à esquerda, subia a rua da Costa e voltava, à esquerda, pela rua do Outeiro até à Igreja Matriz.


Martírio de São Marcos em Alexandria, a 25 de abril de 68 (D.C.)

Recolhida a Procissão procedia-se à arrematação dos "ramos" oferecidos a São Marcos, além do bezerro/novilho que era leiloado no «Adro da Igreja». Eram borregos, galos, chibos, carne de porco, enchidos, cereais, legumes, fruta, doces, etecetra, apregoados conforme o uso (em montalvanês, claro): 

«Quem dá mais por este ramo, que está em... (valor em réis ou escudos)... tostões que é para São Marcos bendito?»

À noite havia arraial com concerto pela Banda num coreto armado, bailarico, foguetes, "fogo preso" quando havia verba para despender.

As Mães, cheias de devoção, costumavam fazer-se acompanhar pelos filhos (rapazes) pequenos e dar com a cabeça no "tourinho" junto à imagem de São Marcos, no andor, fazendo a petição:

«São Marcos bendito te faça um bom homem».

Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino
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15 abril 2021

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Proprietários, Lavradores, Seareiros e Jornaleiros

15 abril 2021 + 2 Comentários

EM MONTALVÃO COMO EM TODO O MUNDO RURAL ALENTEJANO.



Mais de 90 por cento das famílias viviam, exclusivamente, dos rendimentos obtidos no espaço rural que envolvia o povoado. Mas era uma repartição muito desigual. Nesses 90 por cento, quase todos dependiam do que podiam e conseguiam fazer a cada dia, em cada jorna. Os restantes (cerca de dez por cento) eram os que tinham um Ofício ou outra atividade como se resumiu (clicar). E até ao início do século XX ainda havia que contar com alguns (poucos) almocreves (clicar).



PROPRIETÁRIOS - Os "riques". Terratenentes detendo mais de metade do território da freguesia. Viviam nas maiores casas, na periferia da povoação - Arrabalde, rua da Barca, rua do Arneiro, início da rua de São Pedro, Corredoura ou perto dela quando Montalvão terminava na rua do Cabo. Tinham quintais que eram autênticas tapadas. Eram servidos nos seus casarões por criadas (muitas viviam a sua vida entre os patrões e patroas) e criados. Nas suas vastas propriedades tinham empregados permanentes, a cuidar dos olivais, montados, searas, vacas, animais de capoeira, varas (de porcos) e rebanhos (ovinos e caprinos). Em épocas de mais trabalho: mondas, ceifas, apanha da azeitona, tiragem da cortiça, por exemplo, contratavam jornaleiros que estivessem livres.



LAVRADORES - Tinham propriedades em extensão suficiente para conseguirem sobreviver apenas da agricultura e pecuária. Empregavam alguns jornaleiros para cuidarem dos rebanhos, lavrarem, semearem, mondarem, ceifarem e trilharem o cereal. Apanhar e transformar a azeitona em azeite. Tirar a cortiça. Cuidar de porcinos aproveitando a lande dos sobreiros e as bolotas das azinheiras. Não "manchavam" as mãos de terra, lama, trabalhos agrícolas ou pecuários. Mandavam. Em épocas de mais trabalho: mondas, ceifas, apanha da azeitona, tiragem da cortiça, por exemplo, contratavam jornaleiros que estivessem livres. 



SEAREIROS - Lavradores com capacidade (e vontade) para semear mais hectares de searas para a dimensão das propriedades que detinham. "Alugavam" superfície a Proprietários que, pelo contrário, tinham mais hectares para searas que capacidade em utilizar toda a superfície disponível. Em troca pagavam esse "aluguer para semear trigo, centeio, cevada ou aveia" em bens, geralmente, uma parte dessa produção que obtinham depois da ceifa e debulha. Tudo isto porque o "Mercado da Terra/Tapadas" era inexistente. Quem tinha, mesmo que não tivesse capacidade e vontade de as cultivar ou necessidade/interesse, não tendo dívidas avultadas não se desfazia das propriedades, pois era um desprestígio vergonhoso ceder terrenos dos seus antepassados. 



JORNALEIROS - Eram a maioria. Esmagadora. Dependiam do trabalho que os Proprietários e Lavradores lhes pagavam. Muitas vezes era nas tabernas ou um que informava outro que havia trabalho no(s) dia(s) seguinte(s). Uma enorme falange de gente pobre que muitas vezes eram tratados como se fossem mais um rebanho, só que de gente. Autênticas «almas mortas», servos a necessitar de um pedaço de pão ou meios para o comprar.


Havia ainda quem tivesse um ofício e que dispusesse de pequenos espaços agrícolas, geralmente herdados, de algum casamento com filhas de Lavradores (raramente de Proprietários, pois estes casavam entre eles, para manter a posse de muitos hectares de terreno). 


Vai ser a emigração e a migração, em meados do século XX, para a Área Metropolitana de Lisboa, com destaque para São Domingos de Rana e Bobadela, que vai por fim a este mundo agrícola iniciado aquando da formação do povoado no final do século XIII. Os jornaleiros e seus filhos (condenados a serem jornaleiros, nascendo pobres e morrendo pobres) aproveitam a oportunidade da haver melhores condições de deslocação, nas ligações de Montalvão para lá da povoação. E o apoio dos que saíram primeiro acolherem os que queriam sair depois. Abandonam Montalvão indo viver (e trabalhar) para onde podiam singrar na vida, eles e os seus descendentes. A «Vila» passa a ser saudade. Os «riques» depois do cruzamento constante de laços de consanguinidade têm gerações incapazes de resolver o novo problema - por vezes, alguns «Proprietários» nem descendência tiveram - a falta de Jornaleiros. A mão de obra alheia para permitir acumular bens/receitas. Sem condições para saber o que fazer, como mudar, fazem extinguir a classe dos montalvanenses mais abastados. Alguns dos familiares dos «riques» sobrevivem, na atualidade, por terem "ido casar" fora do povoado, mas já sem ligações ao Mundo Rural Montalvanense. 


Assim se foi construindo (e desconstruindo) Montalvão

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11 abril 2021

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Romaria ao São Silvestre

11 abril 2021 + 2 Comentários
UMA DAS MAIS ANTIGAS TRADIÇÕES DOS MONTALVANENSES.



A Romaria à ermida de São Silvestre já no termo sul da freguesia de Montalvão e do concelho de Nisa praticamente junto à povoação de Póvoa e Meadas (concelho de Castelo de Vide). Esta localização era causadora de forte rivalidade entre as populações das duas localidades.


A azinhaga entre Montalvão e a aldeia de Póvoa e Meadas era praticamente uma linha reta com passagem pela notável «Fonte Ferranha» de boa água e pitoresca construção nessa azinhaga - nas invernias rigorosas impossibilitada a carros de muares e carroças de asininos - onde está a Ermida de São Silvestre. Depois aquando da implantação da estrada municipal esta foi desviada, aproveitando o secular caminho de "todo o ano e para veículos de tração animal" pouco depois de Montalvão e pouco antes de Póvoa e Meadas, para Leste a fim de evitar a construção de um pontão sobre o ribeiro de Fevêlo. A estrada está construída na linha de festo ou topo drenando os terrenos para a ribeira e São João a Leste e a Oeste para o ribeiro de Fevêlo. 

É provavelmente a manifestação religiosa mais antiga de Montalvão com origem nos Templários, pois:

1. No interior da ermida, na pedra de cantaria no centro da abóbada, está talhado o símbolo da Ordem do Templo;

2. A romaria realiza-se no primeiro domingo seguinte ao de Páscoa quando a Igreja Católica convencionou 31 de dezembro como o dia dedicado ao Papa que mártir se tornou santo, morrendo em 31 de dezembro de 335. Mas com culto ancestral cada ramo da Cristianismo celebra o Santo Papa em dias diferenciados. O culto montalvanense deve ser anterior ao dia definido pela Igreja Católica Apostólica Romana;   

3. Certamente que no local já existiria um culto romano, até anterior, talvez pré-histórico com demasiada importância e significado para ser reconvertido em culto cristão.



São Silvestre
Foi figura importantíssima nos primeiros tempos do Cristianismo, principalmente a nível político. Como 33.º Papa, entre 31 de janeiro de 314 e 31 de dezembro de 335, foi durante o seu papado, de 31 anos, que o Imperador Constantino se converteu ao Cristianismo (ano de 317) e este passou a ser a religião do Império Romano (oficialmente em 27 de fevereiro de 380). Silvestre nasceu próximo de Roma, entre 270 e 285.



Romaria religiosa
Na véspera, sábado, um dos festeiros percorria as ruas de Montalvão a pedir donativos para as despesas a que os festejos obrigavam fazendo-se ouvir:

«Dai esmola a São Silvestre
Para que nos livre da peste
E dos maus vizinhos de ao pé da porta»

Além das esmolas em dinheiro (pouco mais que tostões). A gente pobre da aldeia oferecia um galo e os lavradores davam um borrego ou um chibo; havia outras ofertas como bolos e vários géneros, tudo para ser leiloado e arrematado no dia seguinte.
Na manhã do Domingo de Pascoela, o Festeiro desse ano acompanhado dos seus auxiliares, saía de sua casa empunhando a Bandeira de São Silvestre desfraldada, todos com os chapéus enfeitados com flores e nas lapelas dos casacos, pregadas com alfinetes, fitas de várias cores. As mulheres esmeravam-se com roupa garrida e florida.
Com o tamboreiro à frente a rufar no tambor, seguiam a pé pelas ruas até onde era considerada a saída de Montalvão, onde se construiu o posto da Guarda Fiscal. Ali os aguardavam os meios de transporte, carros ou alimárias que os levariam por aquela antiga azinhaga mal cuidada até à ermida, a uns cinco quilómetros de Montalvão (mas a dois da Póvoa e Meadas). Antes de ocuparem os seus lugares nos carros ou montarem nas cavalgaduras, a Bandeira era desenfiada da vara que fazia de mastro, dobrada e resguardada para evitar qualquer dano.




O caminho era assinalado pelos inúmeros devotos que, a pé ou transportados, desde cedo partiam aos grupos, cada um nos seus garridos trajes de festa, levando os seus farnéis.
Chegados à ermida, o Festeiro e companheiros apeavam-se, armavam a Bandeira e com ela erguida cumpriam a praxe tradicional de dar três voltas ao redor da capela, rogando a São Silvestre que nos livrasse da fome, da peste e dos maus vizinhos de ao pé da porta. A seguir entravam na ermida para assistirem às cerimónias religiosas que então começavam.
A componente religiosa, com a capelinha a transbordar de fiéis, constava de Missa e Sermão. Finalmente a Procissão que também dava as três voltas ao redor da ermida. Recolhida a procissão consideravam-se terminadas as cerimónias da igreja e chegada a hora de comer os farnéis.



Romaria popular
Nos terrenos próximos continuava a festa. Começavam a ouvir-se os gritos dos leiloeiros apregoando os ramos:

«Quem dá mais por este ramo, que está em... (tantos)... tostões que é para São Silvestre bendito?»



O produto da venda dos ramos concorria para fazer face às despesas com a festa. Em 2021, a romaria é a 11 de abril. Em 2022, será a 24 de abril. 



A Banda de música, contratada somente quando as disponibilidades financeiras o consentia, tocava num coreto improvisado as peças do seu repertório. Não havendo Banda uma concertina chegava para armar um baile para rapazes e raparigas de Montalvão e povoações vizinhas, chegando até bem longe, como Castelo de Vide e Nisa. Não havia ano em que não houvesse zaragata, com pedrada e paulada, geralmente entre montalvanenses e povachos, tal a rivalidade.


Há uns anos quis visitar a Ermida e tive sorte pois vinha da Póvoa e Meadas, de automóvel, entrando pelo caminho, bem arranjado, de terra bem batida. Chegado à Ermida e dando as habituais três voltas decidi continuar em frente, rumo a Montalvão. A minha mãe - experiência conta muito - bem me disse que a ideia não seria a melhor. O caminho foi-se degradando, passando a azinhaga mal cuidada, passei à Fonte Ferranha e depois... acabou-se. Fiquei com o automóvel no meio de canchos, ponedros, xaras (até é um Citroen Xara, mas não é uma xara) e com umas vacas a espreitar. Lá encontrei um piso mais duro - felizmente já nada está, por ali lavrado, muito menos semeado - e dei com a cancela que dá para a estrada de ligação a Montalvão. Como já passaram uns seis anos, espero que o caminho do lado de Montalvão esteja, pelo menos, tão bem tratado como está do lado de Póvoa e Meadas. 

Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino


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07 abril 2021

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Frutaria Montalvanense I

07 abril 2021 + 2 Comentários

AS PLANTAS ERAM FUNDAMENTAIS PARA A VIDA DOS MONTALVANENSES.



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04 abril 2021

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Semana Santa VI

04 abril 2021 + 0 Comentários
DOMINGO DE PÁSCOA.




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03 abril 2021

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Semana Santa V

03 abril 2021 + 0 Comentários
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02 abril 2021

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Semana Santa IV

02 abril 2021 + 0 Comentários
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01 abril 2021

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Semana Santa III

01 abril 2021 + 0 Comentários
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31 março 2021

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Semana Santa II

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QUARTA-FEIRA DE TREVAS.


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28 março 2021

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Semana Santa I

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DOMINGO DE RAMOS.


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25 março 2021

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Dia da Anunciação

25 março 2021 + 0 Comentários
FALTAM PRECISAMENTE NOVE MESES PARA O NATAL.


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20 março 2021

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Os Ofícios (Resumo)

20 março 2021 + 0 Comentários

MONTALVÃO TINHA DIMENSÃO SUFICIENTE PARA ALBERGAR VÁRIOS OFÍCIOS.


Dimensão e necessidade pois a freguesia esteve com cerca de três mil habitantes em meados dos Anos 40 quando atingiu a sua maior  capacidade demográfica.

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