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14 fevereiro 2026

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Fúm... fafáfúm

14 fevereiro 2026 0 Comentários
ERA UMA BRINCADEIRA DE CARNAVAL TALVEZ A MAIS INOCENTE DAS VÁRIAS PRATICADAS PELO ENTRUDO.



Os cântaros de barro para "ir à água" que durante o ano iam ficando inutilizados por terem frechas ou apresentarem danos que colocavam em risco a saúde por não acondicionarem e preservarem a água eram colocadas de lado e guardados para serem usados no Entrudo.

Por serem geralmente as mulheres, com destaque para as raparigas («catchópas», em montalvanês) as que tinham a função e obrigação de correrem os poços, chafarizes e fontes durante o ano, esta era uma brincadeira que lhes estava reservada.



Era uma das que tinha guardado um cântaro danificado que dava início ao «fumfafáfúm». Reunia um grupo de amigas e dispostas em triângulo, quadrado ou círculo conforme o número de participantes, cada uma a distância razoável de alguns metros, que dependiam da idade, altura e físico de cada uma, iam atirando o cântaro para o ar na direção da que estava mais próxima. Ao grito de fum... fafáfúm que servia de aviso lançavam o cântaro para a direita ou esquerda com aquela que estava ao seu lado a apanhá-lo. Depois a que apanhava o cântaro repetia o mesmo fum... (levantar e dar balanço ao cântaro)... fafáfúm (lançá-lo) para a amiga que estava mais próxima. E assim prosseguia a brincadeira até acabar por uma delas não conseguir apanhar o cântaro e este desfazer-se em cacos. À medida que a brincadeira ia decorrendo claro que a concentração inicial ia esmorecendo pois o esforço que algumas tinham que fazer para evitar a queda do cântaro, provocava a risota geral abrandando a pré-disposição para conseguir controlar a recepção do cântaro visto que os lançamentos sucessivos também iam sendo cada vez mais trapalhões. 



Aquela que não conseguisse apanhar o cântaro vendo-o escaqueirar-se aos seus pés era motivo de chacota de todo o grupo com as amigas em risota geral a apanharem os cacos do chão colocando-os sobre a cabeça da causadora do cântaro escaqueirado. Enquanto colocavam cacos e estes voltavam a cair desfazendo-se em pedaços cada vez mais pequenos uma rapariga ia buscar outro cântaro iniciando-se mais um... «fúm...fafáfúm». 

Tantos «funsfafásfúms» quantos os cântaros que durante o ano foram sendo inutilizados para o dia-a-dia e guardados para esta brincadeira de Carnaval. Com o sistema de água canalizada, implementada em Montalvão, depois de 1963, os cântaros de "ir à fonte" começaram a rarear mantendo-se nas cozinhas um que era "abastecido" pela água da torneira ou recebia água quando se ia a determinado lugar com alguma nascente da qual se gostava, em particular. Mas geralmente vinha de carro (machos ou mulas), carroça (burros ou burras) ou no dorso de um destes animais.



Os rapazes catchôpos», em montalvanês) também tinham a sua brincadeira predileta. Mas essa fica para amanhã. Aqui no sítio do costume com mais "Costumes montalvanenses"!
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12 fevereiro 2026

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Dia das Comadres

12 fevereiro 2026 0 Comentários
UMA SEMANA DEPOIS DOS COMPADRES CHEGAVA O DIA DAS COMADRES.



Na quinta-feira antes da terça-feira de Carnaval, ou seja, antes do «Domingo Gordo» celebrava-se o «Dia da Mulher Montalvanense».



Comadres e compadres eram uma espécie de parentes por afinidade das ocorrências da vida. Pessoas que não começando na família passavam a fazer parte desta por afinidade devido aos Batizados e Casamentos. Tornavam-se próximos da família - por serem padrinhos e madrinhas de batizado e/ou casamento - ligando por via dos filhos umas famílias a outras.

Numa povoação como Montalvão se todos já são primos de todos, ainda que em grau de parentesco diferenciado, então comadres e compadres eram quase todos uns dos outros.



A celebração do «Dia das Comadres» prolongou-se mais no tempo que o dos «Compadres». Certamente por estarem mais vocacionadas para as tarefas domésticas de fazer e dar bolos e guloseimas. Além disso, em dia de trabalho, durante a semana, estando mais na povoação estavam mais aptas a prepararem as atividades dessa quinta-feira.


Como estes dias já estavam muito próximos do Carnaval - as datas não foram escolhidas ao acaso - as atividades anunciavam já o «Entrudo».

Aliás, em Montalvão, a época do ano com mais «partidas de Carnaval» era a que ia de «Dia de Reis» até «Terça-feira Gorda» entrando depois o tempo de recolhimento e tristeza profunda da Quaresma onde, até, se evitavam batizados, casamentos, mesmo canções alegres. Só os funerais "vinham mesmo a calhar». Antes da Quaresma aproveitava-se bem o tempo que antecedia o Entrudo para fazer o que depois não podia (nem devia...) ser feito!



Como era uma noite de festa por toda a povoação havia uma espécie de três celebrações: a das esposas e filhas dos Lavradores («riques» em montalvanês), a das «catchópas» («raparigas» à grave) e a das mulheres do povo.

A das «catchópas» (raparigas) era a mais simples. No vocabulário montalvanês não havia "filho" e "filha", pois eram respetivamente, «o tê catchôpo» ou «catchôpe» e «a túe catchópa». Havia mesmo variações em todo o léxico. O meu avô materno, conseguia distinguir através de algumas pronúncias e termos próprios (sem estar a ver as pessoas) quem era da Salavessa (a cerca de seis quilómetros), do Monte do Pombo (a cerca de cinco quilómetros) e do Santo André (a uns duzentos metros)! Havia pequenas diferenças - no falar e em sinónimos - mas existiam! Eram alterações subtis, mas que se percebiam para quem vivia uma vida intensamente na freguesia.

As celebrações entre as comadres dos ricos e as dos pobres apenas diferia no local. A dos Lavradores era dentro das casas e a das comadres do Povo era nas ruas. Também não havia, em montalvanês, os termos: esposo ou marido e esposa. Era, respetivamente, «o tê hóme» e «a túe mulhé».



As catchópas
Reuniam-se em grupo, geralmente por proximidade etária, depois da idade da escola (13/14 anos até enquanto fossem solteiras) escolhiam a casa de uma delas - ia rodando de ano para ano - para fazerem o "seu jantar" com o que cada uma ia arrebanhando em casa dos pais. Era uma festa que culminava com o obrigatório arroz-doce montalvanês - desenhos de flores e ramos com pó de canela. Por vezes, as que tinham mais idade e noivo, armavam bailes com catchôpos convidados.

As mulhé
Entre cada grupo de comadres era escolhida uma que recebia das outras ovos, azeite e farinha para fazer filhoses. À porta de casa, do lado da rua, instalavam um alguidar («algudé» em montalvanês), uma tábua (apoiada em outras duas) e amassavam a farinha com os ovos enquanto num fogareiro o azeite ia aquecendo. Depois era a habitual receita para a massa retalhada em finos retângulos colocados em azeite a ferver até alourarem e empolarem. Colocados num prato todas se serviam. Sobrando era dado a vizinhas pobres, geralmente viúvas, já sem vontade, nem desejo para participarem em festas. 


Filhós em Montalvão, coscorões no resto do Mundo

Antes quando passavam pelas ruas, enquanto o Sol ainda iluminava Montalvão, não se livravam de algum dichotes, geralmente ditos pelos «catchôpos da Vila»:  

- As comadres vêm, vêm
Lá em baixo ao Portão
Roendo uma pata de burro
Julgando que é lacão

- As comadres dormem, dormem
Dormem lá numa salinha
Por baixo lhes deitam rosas
Por cima cambraia fina

- As comadres vêm, vêm
Vêm lá ao Santo André
Bebendo mijo de burro
Julgando que é café

- As comadres dormem, dormem
Dormem lá numa caminha
Num dos lados têm um terço,
Do outro uma mesinha  

- As comadres vêm, vêm
Vêm lá à Cadeirinha
Comendo rabo de porco
Julgando que é sardinha

No Mundo, costuma dizer-se, que a Vida são dois dias e o Carnaval são três. Pois em Montalvão são (eram...) cinco, de sexta-feira gorda a terça-feira de Entrudo!

Em 2027, será a 4 de fevereiro

Em Alpalhão que tem mais ligações a Montalvão do que a ideia que há na atualidade, a tradição carnavalesca mantém-se:

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08 fevereiro 2026

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Eleições 2026, Montalvão 147 Votantes

08 fevereiro 2026 0 Comentários

EM 274 ELEITORES INSCRITOS.


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07 fevereiro 2026

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Montalvão Vai a Votos

07 fevereiro 2026 0 Comentários

TAL COMO EM TODO O PAÍS E NA DIÁSPORA PORTUGUESA.


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05 fevereiro 2026

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Dia dos Compadres

05 fevereiro 2026 1 Comentários
O DIA DOS COMPADRES OCORRIA NA PENÚLTIMA QUINTA-FEIRA ANTES DO ENTRUDO.



Quinta-feira anterior ao «Domingo Magro», reservando o importante «Dia das Comadres» para a uma semana depois já muito próximo do Carnaval, antecedendo o «Domingo Gordo».


Fotografia de José Pedro Martins Barata

Compadres e comadres eram uma espécie de parentes por afinidade das ocorrências da vida. Pessoas que não começando na família passavam a fazer parte desta por afinidade devido aos Batizados e Casamentos. Tornavam-se próximos da família - por serem padrinhos e madrinhas de batizado e/ou casamento - ligando por via dos filhos umas famílias a outras.

Fotografia de José Pedro Martins Barata


Numa povoação como Montalvão se todos já são primos de todos, ainda que em grau de parentesco diferenciado, então compadres e comadres eram quase todos uns dos outros. Comemorar o Dia dos Compadres era para os montalvanenses comemorar uma espécie do "Dia do Homem». Uma semana depois assinalava-se o «Dia da Mulher».
Fotografia de José Pedro Martins Barata

Como estes dias já estavam muito próximos do Carnaval - as datas não foram escolhidas ao acaso - as atividades anunciavam já o «Entrudo».

Aliás, em Montalvão, a época do ano com mais «partidas de Carnaval» era a que ia de «Dia de Reis» até «Terça-feira Gorda» entrando depois o tempo de recolhimento e tristeza profunda da Quaresma onde, até, se evitavam batizados, casamentos, mesmo canções alegres. Só os funerais "vinham mesmo a calhar». Antes da Quaresma aproveitava-se bem o tempo que antecedia o Entrudo para fazer o que depois não podia (nem devia...) ser feito!

Em dia de trabalho a uma quinta-feira - sendo no Inverno as probabilidades de haver frio, chuva, vento e desconforto eram maiores - havia as atividades do trabalho rotineiro ao longo do dia, culminando com o jantar ao «Pôr-do-Sol». 

Os compadres reuniam-se numa casa previamente escolhida jantando e convivendo em grupos de uma cinco ou seis até hora decente que na sexta-feira seguinte era dia de trabalho.

Em tempos muito antigos consta que as raparigas montalvanenses, no remanso do lar, atrás dos postigos das portas e janelas, quando passava um homem, à porta e janelas, fazia tocar o chocalho. Uma chocalhada vinha sempre a propósito, como que chamando a quem passava um animal ruminante ou similar. 



Antes quando passavam pelas ruas, enquanto o Sol ainda iluminava Montalvão, não se livravam de algum dichotes, geralmente ditos pelas «catchópas da Vila»:  

- Os compadres vêm, vêm
Lá em baixo ao Fontanhão
Roendo uma pata de burro
Julgando que é lacão

- Os compadres dormem, dormem
Dormem lá no casarão
Por baixo deitam tojos,
Por cima peles de cão

- Os compadres vêm, vêm
Vêm lá ao Santo André
Bebendo mijo de burro
Julgando que é café

- Os compadres dormem, dormem
Dormem lá no palheiro
Num dos lados andam ratos,
Do outro há um formigueiro  

- Os compadres vêm, vêm
Vêm lá à Cadeirinha
Comendo rabo de porco
Julgando que é sardinha

Em 2027, será a 28 de janeiro


Em Casalinho/ Cedilho (Espanha) também se assinala com o devido destaque:


Em Alpalhão que tem mais ligações a Montalvão do que a ideia que há na atualidade, a tradição carnavalesca mantém-se:




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18 janeiro 2026

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Eleições 2026, Montalvão 142 Votantes

18 janeiro 2026 0 Comentários

 EM 274 ELEITORES INSCRITOS.


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17 janeiro 2026

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Presidenciais 2026: Onze Eleições Desde 1976

17 janeiro 2026 0 Comentários

COMO EM TODO O PAÍS E NA DIÁSPORA PORTUGUESA.


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11 janeiro 2026

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Feira de Inverno

11 janeiro 2026 0 Comentários
AO FINAL DE SÁBADO COMEÇAVAM OS PREPARATIVOS PARA A FEIRA DE JANEIRO REALIZADA NO SEGUNDO DOMINGO DO PRIMEIRO MÊS DO ANO.




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06 janeiro 2026

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Dia de Reis

06 janeiro 2026 0 Comentários
CELEBRAR BALTAZAR, GASPAR E MELCHIOR.

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31 dezembro 2025

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Boas Festas

31 dezembro 2025 0 Comentários
COM BOCHECHADAS DE ÁGUA E PUNHADOS DE FARINHA.



Ao final da tarde de 31 de dezembro começavam os preparativos para uma atividade, meio ritual, meio saudação que era breve. Demorava mais tempo a preparar que a efetuar. 

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25 dezembro 2025

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Natal

25 dezembro 2025 0 Comentários
A SEMANA SANTA ERA A MANIFESTAÇÃO RELIGIOSA COM MAIS SIGNIFICADO EM MONTALVÃO. TRISTE E SENTIDA


O NATAL ERA A PRINCIPAL FESTA RELIGIOSA. ALEGRE E SOLIDÁRIA. MAS NÃO ERA A PRINCIPAL EM TERMOS SOCIAIS DEVIDO À POBREZA ENDÉMICA. ESTA ESTAVA RESERVADA PARA 8 DE SETEMBRO. EFUSIVA E EXPANSIVA.



Os primeiros preparativos para o Natal, se assim se pode dizer, era ir aos campos, em meados de setembro, onde havia barrancos e ribeiras e apanhar os gamões para secarem e estarem aptos para arderem na noite de 24 para 25 de dezembro.


Gamão/«Gamã»

Na Igreja Matriz, geralmente junto à pia batismal, fazia-se o Presépio, depois do 8 de dezembro (assinalar das festividades de Nossa Senhora da Conceição), com musgo recolhido nas paredes e muros antigos, nos arredores de Montalvão a que se juntavam as habituais figuras em barro bem atapetadas pelo musgo viçoso da aldeia. Eram estas as duas primeiras atividades, uma popular - apanhar gamões para secarem - e outra religiosa - fazer o presépio na Igreja. Nas casas dos Lavradores ( «Riques» em montalvanês) ouvia-se dizer que faziam grandes presépios mas poucos os viam na realidade. Alguns seriam mais lenda que verdade.



Em 24 de dezembro, após o dia de trabalho, começavam os preparativos para a noite e jantado o feijão com couves feito ao costumeiro lume de madeira a arder (lareira) havia uma divisão de rituais: homens para um lado, rapazes na rua e mães com as filhas na cozinha à lareira («Lume» em montalvanês).




Entravam em ação os rapazes
Iam buscar a «urra» (que não se deteriorando passava de uns anos para os outros) e davam os últimos retoques nas «fatchas» de gamão seco que eram efémeras para durar uns minutos.





A «urra» era feita com uma panela de barro tendo a tapá-la pela boca uma pele de cabra retesada e no centro um gamão a furá-la com uma haste exterior de tamanho suficiente para ser manuseada. 



As «fatchas» eram molhos de gamões (cerca de vinte) atados com correias de trovisco. Colhiam-se os gamões (no final do Verão), dobravam-se as extremidades para durarem mais tempo a arder, juntando-se em molho atado pela casca do trovisco. 


Trovisco/«Trovisque»

Correndo as ruas uns faziam soar a «urra» e outros faziam archotes das «fatchas». Estas acendiam-se e muitas vezes já a esmorecer faziam acender outras fachas. Podiam arder em archote mais de cem fachas nessa noite de 24 de dezembro. Havia até uma espécie de concurso para ver qual era a mais espessa e comprima. Essa já era um «fatchõe». A «urra» estava segura debaixo do braço esquerdo e abarcada por este, deslizando a mão direita pelo gamão encerado, ressoando a panela em urros que se ouviam ao longe. Fachas a arder e a panela a urrar num monte que dominava uma peneplanície de quilómetros fazia da noite de 24 de dezembro uma manifestação de luz e som avistadas e ouvidas a quilómetros de distância.  




Em casa, mães e filhas, colocavam o café ao "lume" 
Enquanto faziam filhós, coscorões, argolas, azevias e borrachões. Era frequente os mais pobres baterem às portas dos remediados a pedir "maia-lata de azeite" (um-quarto-de-litro) para fazerem meia dúzia de filhós.


Filhós em Montalvão; Coscorões no resto do Mundo


Pelas ruas enquanto os rapazes encenavam fogo e som, os homens cantavam em portanhol/espanholês
Com rapazes a percorrer as ruas roncando a «urra» e queimando as «fachas», os homens em grupo, alinhados a toda a largura delas, cantavam entre outras, num espanhol aportuguesado, uma canção à capela renegando tudo o que fosse material, consagrando-se ao Cristianismo, com ele dormindo, nele pensando e Jesus Cristo honrando:

Abre-me a puerta
Cerra la ventana
Esta noche-buena
Vou dormir à tua cama

Abre-me ta puerta
Cerra te postigo
Esta noche-buena
Vou dormir contigo

Não quero más bola
Não quero más novilhos
Que estan mui caros
Los campanilhos
Los campanilhos

Além naquele cerro
Fazem lume os pastores
Aonde nasceu el niño
Entre las flores




Entretanto tocava o sino na Igreja Matriz
E todos se dirigiam para o interior da igreja. No final da «Missa do Galo» regressavam a casa para cear as iguarias na cozinha. Os pais deitavam passas, rebuçados e amêndoas ao ar, entre outras pequenas iguarias, dizendo que eram ofertas do «Menino Jesus» como que caindo do telhado da cozinha.



Jantar dos "quintos" («quintes»)
Como o Natal era para todos, numa espécie de "ritual de passagem" entre a infância e a idade adulta, os rapazes que já não tinham idade para andar a correr com as fachas a arder em archote, mas ainda não estavam casados e principalmente não tinham filhos, alugavam ou pediam emprestado uma casa vaga ou um palheiro próximo da localidade e formavam grupos por ano de nascimento, para fazerem o «jantar dos quintes» que se prolongava noite dentro. Nos Anos 40 e 50 (ainda Montalvão tinha grande pujança demográfica) os dois mais concorridos eram os das "sortes" (Inspeção Militar) ocorrida naquele ano - a Inspeção Militar era aos 19 anos, em Nisa, no tempo em que a maioridade era aos 21 anos, até 1974 - e os nascidos no ano seguinte, que iriam "tirar sortes" no ano após esse Natal, ou seja, que tinham 18 anos. Mas também havia jantares para os dos 17 anos, até 16, tal como para os de 20 e assim sucessivamente, embora estes fossem cada vez menos devido aos casamentos e principalmente ao nascimento dos filhos. Embora houvesse, sempre, quem conseguisse dar uma escapadela dos "compromissos familiares" e por lá passasse nem que fosse para petiscar e bebericar. 



Com muita sorte havia "sapatinho"
Colocado ao final da noite de 24 de dezembro junto à chaminé, na manhã do dia seguinte, 25 de dezembro, raras vezes mas por vezes acontecia, havia uma peça de roupa interior junto do sapato deixado à beira da chaminé ou até no outro sapatinho que ficava junto à cama.




Logo de manhã
No dia 25 de dezembro, na Missa matinal, beijava-se a figura do "Menino" que seria o reconhecimento ao nascimento de Jesus e... recomeçava mais um ciclo de vida até ao Natal seguinte. Outro ano.




Para algumas das mais belas pinturas da Natividade (clicar)



Natal sempre inspirador e tempo de renovação.


O Natal - 25 de dezembro - é pouco depois do Solstício de Inverno - 09:20 horas em 21 de dezembro de 2024 - que foi a noite mais longa do ano passando a partir dessa data a aumentar a parte diurna do dia até ao Solstício de Verão - 02:43 horas em 21 de junho de 2025 - quando ocorre a noite mais curta do ano. 


Eis Montalvão, cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. 


As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino





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15 dezembro 2025

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Santo e Feliz Natal em Época de Boas Festas

15 dezembro 2025 0 Comentários

EM MONTALVÃO NUNCA FOI FÁCIL USAR BARRO PEDRADO DE NISA.


Era caro e podia partir-se com uso frequente.

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08 dezembro 2025

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Imaculada Conceição de Nossa Senhora

08 dezembro 2025 0 Comentários
CELEBRADA EM MONTALVÃO DURANTE MUITO TEMPO COMO UM DIA TAMBÉM CONSAGRADO ÀS MÃES.



O dia 8 de dezembro celebra a conceção da mãe de Jesus Cristo, ou seja, a sua origem no ventre da mãe de Maria, que como se sabe se chamava Ana,  Sant'Ana. O dia 8 de dezembro foi escolhido por ser nove meses antes de 8 de setembro do ano seguinte, considerado a data da natividade de Maria, este que foi sempre o dia mais festivo em Montalvão, dedicado a Nossa Senhora dos Remédios «Senhô Drumédes».



No Cristianismo, o dia é celebrado desde o século VII (antes de existir povoamento contínuo em Montalvão). Depois foi institucionalizado no calendário litúrgico, pelo Papa Sisto IV, em 28 de fevereiro de 1477.



 
Em 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX define o dogma da origem "Imaculada" e assim ficaria em definitivo para a Cristandade adquirido uma importância enorme. Apenas "ofuscada" com as Aparições e a criação da imagem e culto a Nossa Senhora de Fátima, depois do 13 de maio de 1917. 


Este dia adquiriu uma outra dimensão e significado quando o Rei de Portugal, Dom João IV, em 25 de março de 1646, proclamou solenemente que «Nossa Senhora da Conceição» seria Rainha e Padroeira de Portugal. 



Quando Montalvão vivia isolado, antes da divulgação do culto mariano com enfoque em Maio, devido às Aparições de Fátima, e depois a institucionalização mundial ou quase do «Dia das Mães» como data com tendência para ser unificada - em Portugal é comemorado no primeiro domingo de Maio - podia considerar-se o 8 de dezembro como o «Dia da Mãe Montalvanense». Em Montalvão e um pouco por todo o Portugal.



Em Montalvão, o dia começava na Igreja Matriz com a Missa tendo, já no século XIX, incluída a oração solene do dia havendo depois sermão do púlpito.



A «Procissão de Nossa Senhora» seguia o roteiro habitual com a solenidade comum - e que um dia será descrito no blogue num texto exclusivo - por ser digna de tal pelo impacte de grandiosidade e solenidade que tinham as procissões em Montalvão. Quando ao roteiro: saída da Igreja Matriz, descer a rua da Barca até ao «Fundo da Rua», virar à esquerda para subir a rua da Costa. Ao cimo desta, virar para a direita pela rua Direita até à continuação desta pela rua do Cabo. Ao chegar ao início da Corredoura, virar à esquerda pelo início da azinhaga de São Pedro junto à Corredoura, em direção ao «Adro do São Pedro». Seguia pela rua São Pedro continuando rua do Arneiro abaixo, depois virando à esquerda pela rua do Arrabalde. Subia esta e terminava na Igreja Matriz. 



A oração deste dia rezada durante a missa dominical. 

Virgem Santíssima,
que foste concebida sem pecado
e por isso mereceste o título
de Nossa Senhora da Imaculada Conceição;


Evitaste todos os outros pecados,
e por isso o Anjo Gabriel chamou-te
“Avé Maria, cheia de graça"!


Peço-te que me alcances o auxílio
do teu divino Filho
para vencer as tentações e evitar os pecados.
E já que te chamo Mãe,
atende-me com carinho maternal esta graça (dizer o pedido);
para que possa viver como digno filho teu.


Nossa Senhora da Conceição, rogai por nós.


Amen




A música do mestre:





Não havia por hábito, em Montalvão, queimar um majestoso tronco de madeira, de 7 para 8 de dezembro, o «Madeiro de Nossa Senhora», geralmente oferecido por um dos Lavradores ("riques" em montalvanês) que se iam revezando anualmente, o que era muito vulgar em inúmeras localidades de Portugal. Esses também são mistérios montalvanenses. 















As excepções que parecem fazer, muitas vezes, de uma aldeia como Montalvão caso único em Portugal. Porque seria? Talvez os fundadores da localidade, para lá de meados do século XIII considerassem tal um rito pagão. E é! Adorar toda a noite e madrugada um madeiro incandescente. Depois perdeu foi significado como tal!


«As Mães das Mães». Uma das mais belas, em significado, composição, expressão e enquadramento de três gerações: Sant'Ana, Maria e Jesus. Obra pintada em 1424/1425 pelo mestre Masolino (1383/1447) de Masaccio (1401/1428). Quando o discípulo Masaccio começava a superar o mestre... morreu, aos 27 anos! 

Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino

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