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20 fevereiro 2026

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Caminho de Ferro em Montalvão

20 fevereiro 2026 0 Comentários

SE O PLANO PARA A LIGAÇÃO FERROVIÁRIA ENTRE LISBOA E MADRID, PROPOSTO PELOS INGLESES, EM 1845, TIVESSE TIDO SUCESSO...MONTALVÃO SERIA A ESTAÇÃO DE FRONTEIRA! 

Só que o que conta é ser e não tentar ser. Quando Portugal decidiu implantar o caminho-de-ferro  no seu território, recorreu aos "mestres dos comboios", os ingleses. Depois de muitas propostas e decisões, a prioridade foi a ligação entre Lisboa e o Porto, iniciada em 17 de setembro de 1853, com o primeiro troço (Lisboa/Santa Apolónia - Carregado) inaugurado a 28 de outubro de 1856 e concluída a 5 de novembro de 1877 (troço entre Vila Nova de Gaia e Porto/Campanhã), mas a ligação entre as duas capitais ibéricas também foi indicada como importante. Em 1845 foi proposto um traçado que seria o mais óbvio, para aproveitar a planura da Meseta Ibérica implantando a linha-de-caminho de ferro junto ao rio Tejo, pela margem esquerda. Após a confluência do rio Tiétar com o rio Tejo a linha ferroviária seria instalada na margem direita até Madrid. A ligação à Beira Baixa, para Castelo Branco, sairia desta ligação ferroviária entre Lisboa e Madrid. Os ingleses perceberam bem a situação. Ficaria mais económico fazer uma plataforma plana para instalar os carris da ferrovia na vertentes sul do rio Tejo, não tanto pela remoção das encostas que seria idêntico nas duas margens, mas poupariam nas estruturas das pontes metálicas que seriam (e são) muito mais frequentes e de maior dimensão na margem norte, por ter afluentes do rio Tejo com mais caudal e por isso com maior área na sua confluência com o rio principal. Apesar de mal cartografado, a ligação a Castelo Branco, transporia o rio Tejo numa ponte metálica, seguindo o percurso depois escolhido da margem direita, junto a Vila Velha de Ródão até à Capital da Beira Baixa. Os ingleses também perceberam a quesdtão financeira, pois colocar a linha férrea na margem esquerda (até à confluência do rio Sever com o rio Tejo) encurtava a obra de engenharia em Portugal remetendo-a para Espanha, pois a fronteira na margem direita é no rio Erges, cerca de 40 km depois do rio Sever.



Mas uma linha ferroviária entre dois países nunca depende da decisão de um, mas de qual consegue ser mais rápido a decidir e implementar essa decisão. E neste aspeto Espanha não deixou margem a Portugal para decidir. Interessada em ligar a capital Madrid que está no centro do território às periferias, conseguiu colocar o caminho de ferro em Mérida e Badajoz, em 1863, obrigando Portugal a prolongar a Linha de Leste, entre Elvas e Badajoz, troço inaugurado, em 24 de setembro de 1863, com custos para Portugal dos 2,250 km do lado espanhol. A primeira ligação ferroviária entre Lisboa (Santa Apolónia) e Madrid (Delicias) foi esta, com o primeiro comboio a circular a 22 de novembro de 1866 e a inauguração oficial a 11 de dezembro de 1866. Mas sabia-se que seria uma ligação provisória pois Espanha tinha planos para ligar Madrid a mais uma cidade periférica (Cáceres) que encurtaria distância quilométrica e tempo de viagem.


A verde o traçado da ligação entre a linha do Norte (Portugal) e Madrid embora aproximada devido à cartografia ser a uma escala e ter localidades mal localizadas

Entretanto Espanha ligava Madrid a Cáceres (Arroyo) prolongando a linha até Valência de Alcântara. Portugal respondeu com a construção do Ramal de Cáceres para ligar a Torre das Vargens (ligação à Linha de Leste) a Valência de Alcântara. Portugal concluiu a linha até à fronteira da Beirã em 6 de junho de 1880. A Espanha respondeu com a ligação entre Valência de Alcântara e a fronteira inaugurando o pequeno troço de 0,48 km, a 15 de junho de 1880. A ligação entre as duas capitais ibéricas foi celebrada, em Cáceres, pelo rei D. Luís I e o Rei Afonso XII, a 8 de outubro de 1881, mas o primeiro comboio Madrid (Delicias) para Lisboa (Santa Apolónia) circulou a 28 de outubro de 1881. A suposta ligação entre Lisboa e Madrid, cartografada, em 1845, pelos peritos ingleses em caminhos-de-ferro ficaria para sempre em papel. Nunca passou para o terreno e isso é que conta.



Eis Montalvão entre o que foi (e é) e o que poderia ter sido.

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