AO FINAL DE SÁBADO COMEÇAVAM OS PREPARATIVOS PARA A FEIRA DE JANEIRO REALIZADA NO SEGUNDO DOMINGO DO PRIMEIRO MÊS DO ANO.

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11 janeiro 2026
06 janeiro 2026
31 dezembro 2025
Boas Festas
| 31 dezembro 2025 | 0 Comentários | | 20:12 |
COM BOCHECHADAS DE ÁGUA E PUNHADOS DE FARINHA.
Ao final da tarde de 31 de dezembro começavam os preparativos para uma atividade, meio ritual, meio saudação que era breve. Demorava mais tempo a preparar que a efetuar.
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25 dezembro 2025
Natal
| 25 dezembro 2025 | 0 Comentários | | 00:00 |
A SEMANA SANTA ERA A MANIFESTAÇÃO RELIGIOSA COM MAIS SIGNIFICADO EM MONTALVÃO. TRISTE E SENTIDA.
As «fatchas» eram molhos de gamões (cerca de vinte) atados com correias de trovisco. Colhiam-se os gamões (no final do Verão), dobravam-se as extremidades para durarem mais tempo a arder, juntando-se em molho atado pela casca do trovisco.
Correndo as ruas uns faziam soar a «urra» e outros faziam archotes das «fatchas». Estas acendiam-se e muitas vezes já a esmorecer faziam acender outras fachas. Podiam arder em archote mais de cem fachas nessa noite de 24 de dezembro. Havia até uma espécie de concurso para ver qual era a mais espessa e comprima. Essa já era um «fatchõe». A «urra» estava segura debaixo do braço esquerdo e abarcada por este, deslizando a mão direita pelo gamão encerado, ressoando a panela em urros que se ouviam ao longe. Fachas a arder e a panela a urrar num monte que dominava uma peneplanície de quilómetros fazia da noite de 24 de dezembro uma manifestação de luz e som avistadas e ouvidas a quilómetros de distância.
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O NATAL ERA A PRINCIPAL FESTA RELIGIOSA. ALEGRE E SOLIDÁRIA. MAS NÃO ERA A PRINCIPAL EM TERMOS SOCIAIS DEVIDO À POBREZA ENDÉMICA. ESTA ESTAVA RESERVADA PARA 8 DE SETEMBRO. EFUSIVA E EXPANSIVA.
Os primeiros preparativos para o Natal, se assim se pode dizer, era ir aos campos, em meados de setembro, onde havia barrancos e ribeiras e apanhar os gamões para secarem e estarem aptos para arderem na noite de 24 para 25 de dezembro.
Na Igreja Matriz, geralmente junto à pia batismal, fazia-se o Presépio, depois do 8 de dezembro (assinalar das festividades de Nossa Senhora da Conceição), com musgo recolhido nas paredes e muros antigos, nos arredores de Montalvão a que se juntavam as habituais figuras em barro bem atapetadas pelo musgo viçoso da aldeia. Eram estas as duas primeiras atividades, uma popular - apanhar gamões para secarem - e outra religiosa - fazer o presépio na Igreja. Nas casas dos Lavradores ( «Riques» em montalvanês) ouvia-se dizer que faziam grandes presépios mas poucos os viam na realidade. Alguns seriam mais lenda que verdade.

Em 24 de dezembro, após o dia de trabalho, começavam os preparativos para a noite e jantado o feijão com couves feito ao costumeiro lume de madeira a arder (lareira) havia uma divisão de rituais: homens para um lado, rapazes na rua e mães com as filhas na cozinha à lareira («Lume» em montalvanês).
Os primeiros preparativos para o Natal, se assim se pode dizer, era ir aos campos, em meados de setembro, onde havia barrancos e ribeiras e apanhar os gamões para secarem e estarem aptos para arderem na noite de 24 para 25 de dezembro.
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| Gamão/«Gamã» |
Na Igreja Matriz, geralmente junto à pia batismal, fazia-se o Presépio, depois do 8 de dezembro (assinalar das festividades de Nossa Senhora da Conceição), com musgo recolhido nas paredes e muros antigos, nos arredores de Montalvão a que se juntavam as habituais figuras em barro bem atapetadas pelo musgo viçoso da aldeia. Eram estas as duas primeiras atividades, uma popular - apanhar gamões para secarem - e outra religiosa - fazer o presépio na Igreja. Nas casas dos Lavradores ( «Riques» em montalvanês) ouvia-se dizer que faziam grandes presépios mas poucos os viam na realidade. Alguns seriam mais lenda que verdade.

Em 24 de dezembro, após o dia de trabalho, começavam os preparativos para a noite e jantado o feijão com couves feito ao costumeiro lume de madeira a arder (lareira) havia uma divisão de rituais: homens para um lado, rapazes na rua e mães com as filhas na cozinha à lareira («Lume» em montalvanês).
Entravam em ação os rapazes
Iam buscar a «urra» (que não se deteriorando passava de uns anos para os outros) e davam os últimos retoques nas «fatchas» de gamão seco que eram efémeras para durar uns minutos.
Iam buscar a «urra» (que não se deteriorando passava de uns anos para os outros) e davam os últimos retoques nas «fatchas» de gamão seco que eram efémeras para durar uns minutos.
A «urra» era feita com uma panela de barro tendo a tapá-la pela boca uma pele de cabra retesada e no centro um gamão a furá-la com uma haste exterior de tamanho suficiente para ser manuseada.
As «fatchas» eram molhos de gamões (cerca de vinte) atados com correias de trovisco. Colhiam-se os gamões (no final do Verão), dobravam-se as extremidades para durarem mais tempo a arder, juntando-se em molho atado pela casca do trovisco.
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| Trovisco/«Trovisque» |
Correndo as ruas uns faziam soar a «urra» e outros faziam archotes das «fatchas». Estas acendiam-se e muitas vezes já a esmorecer faziam acender outras fachas. Podiam arder em archote mais de cem fachas nessa noite de 24 de dezembro. Havia até uma espécie de concurso para ver qual era a mais espessa e comprima. Essa já era um «fatchõe». A «urra» estava segura debaixo do braço esquerdo e abarcada por este, deslizando a mão direita pelo gamão encerado, ressoando a panela em urros que se ouviam ao longe. Fachas a arder e a panela a urrar num monte que dominava uma peneplanície de quilómetros fazia da noite de 24 de dezembro uma manifestação de luz e som avistadas e ouvidas a quilómetros de distância.
Em casa, mães e filhas, colocavam o café ao "lume"
Enquanto faziam filhós, coscorões, argolas, azevias e borrachões. Era frequente os mais pobres baterem às portas dos remediados a pedir "maia-lata de azeite" (um-quarto-de-litro) para fazerem meia dúzia de filhós.
Enquanto faziam filhós, coscorões, argolas, azevias e borrachões. Era frequente os mais pobres baterem às portas dos remediados a pedir "maia-lata de azeite" (um-quarto-de-litro) para fazerem meia dúzia de filhós.
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| Filhós em Montalvão; Coscorões no resto do Mundo |
Pelas ruas enquanto os rapazes encenavam fogo e som, os homens cantavam em portanhol/espanholês
Com rapazes a percorrer as ruas roncando a «urra» e queimando as «fachas», os homens em grupo, alinhados a toda a largura delas, cantavam entre outras, num espanhol aportuguesado, uma canção à capela renegando tudo o que fosse material, consagrando-se ao Cristianismo, com ele dormindo, nele pensando e Jesus Cristo honrando:
Abre-me a puerta
Cerra la ventana
Esta noche-buena
Vou dormir à tua cama
Abre-me ta puerta
Cerra te postigo
Esta noche-buena
Vou dormir contigo
Não quero más bola
Não quero más novilhos
Que estan mui caros
Los campanilhos
Los campanilhos
Além naquele cerro
Fazem lume os pastores
Aonde nasceu el niño
Entre las flores
Com rapazes a percorrer as ruas roncando a «urra» e queimando as «fachas», os homens em grupo, alinhados a toda a largura delas, cantavam entre outras, num espanhol aportuguesado, uma canção à capela renegando tudo o que fosse material, consagrando-se ao Cristianismo, com ele dormindo, nele pensando e Jesus Cristo honrando:
Abre-me a puerta
Cerra la ventana
Esta noche-buena
Vou dormir à tua cama
Abre-me ta puerta
Cerra te postigo
Esta noche-buena
Vou dormir contigo
Não quero más bola
Não quero más novilhos
Que estan mui caros
Los campanilhos
Los campanilhos
Além naquele cerro
Fazem lume os pastores
Aonde nasceu el niño
Entre las flores
Entretanto tocava o sino na Igreja Matriz
E todos se dirigiam para o interior da igreja. No final da «Missa do Galo» regressavam a casa para cear as iguarias na cozinha. Os pais deitavam passas, rebuçados e amêndoas ao ar, entre outras pequenas iguarias, dizendo que eram ofertas do «Menino Jesus» como que caindo do telhado da cozinha.
Jantar dos "quintos" («quintes»)
Como o Natal era para todos, numa espécie de "ritual de passagem" entre a infância e a idade adulta, os rapazes que já não tinham idade para andar a correr com as fachas a arder em archote, mas ainda não estavam casados e principalmente não tinham filhos, alugavam ou pediam emprestado uma casa vaga ou um palheiro próximo da localidade e formavam grupos por ano de nascimento, para fazerem o «jantar dos quintes» que se prolongava noite dentro. Nos Anos 40 e 50 (ainda Montalvão tinha grande pujança demográfica) os dois mais concorridos eram os das "sortes" (Inspeção Militar) ocorrida naquele ano - a Inspeção Militar era aos 19 anos, em Nisa, no tempo em que a maioridade era aos 21 anos, até 1974 - e os nascidos no ano seguinte, que iriam "tirar sortes" no ano após esse Natal, ou seja, que tinham 18 anos. Mas também havia jantares para os dos 17 anos, até 16, tal como para os de 20 e assim sucessivamente, embora estes fossem cada vez menos devido aos casamentos e principalmente ao nascimento dos filhos. Embora houvesse, sempre, quem conseguisse dar uma escapadela dos "compromissos familiares" e por lá passasse nem que fosse para petiscar e bebericar.
E todos se dirigiam para o interior da igreja. No final da «Missa do Galo» regressavam a casa para cear as iguarias na cozinha. Os pais deitavam passas, rebuçados e amêndoas ao ar, entre outras pequenas iguarias, dizendo que eram ofertas do «Menino Jesus» como que caindo do telhado da cozinha.
Jantar dos "quintos" («quintes»)
Como o Natal era para todos, numa espécie de "ritual de passagem" entre a infância e a idade adulta, os rapazes que já não tinham idade para andar a correr com as fachas a arder em archote, mas ainda não estavam casados e principalmente não tinham filhos, alugavam ou pediam emprestado uma casa vaga ou um palheiro próximo da localidade e formavam grupos por ano de nascimento, para fazerem o «jantar dos quintes» que se prolongava noite dentro. Nos Anos 40 e 50 (ainda Montalvão tinha grande pujança demográfica) os dois mais concorridos eram os das "sortes" (Inspeção Militar) ocorrida naquele ano - a Inspeção Militar era aos 19 anos, em Nisa, no tempo em que a maioridade era aos 21 anos, até 1974 - e os nascidos no ano seguinte, que iriam "tirar sortes" no ano após esse Natal, ou seja, que tinham 18 anos. Mas também havia jantares para os dos 17 anos, até 16, tal como para os de 20 e assim sucessivamente, embora estes fossem cada vez menos devido aos casamentos e principalmente ao nascimento dos filhos. Embora houvesse, sempre, quem conseguisse dar uma escapadela dos "compromissos familiares" e por lá passasse nem que fosse para petiscar e bebericar.
Com muita sorte havia "sapatinho"
Colocado ao final da noite de 24 de dezembro junto à chaminé, na manhã do dia seguinte, 25 de dezembro, raras vezes mas por vezes acontecia, havia uma peça de roupa interior junto do sapato deixado à beira da chaminé ou até no outro sapatinho que ficava junto à cama.
Logo de manhã
No dia 25 de dezembro, na Missa matinal, beijava-se a figura do "Menino" que seria o reconhecimento ao nascimento de Jesus e... recomeçava mais um ciclo de vida até ao Natal seguinte. Outro ano.
Para algumas das mais belas pinturas da Natividade (clicar)
Natal sempre inspirador e tempo de renovação.
Colocado ao final da noite de 24 de dezembro junto à chaminé, na manhã do dia seguinte, 25 de dezembro, raras vezes mas por vezes acontecia, havia uma peça de roupa interior junto do sapato deixado à beira da chaminé ou até no outro sapatinho que ficava junto à cama.
Logo de manhã
No dia 25 de dezembro, na Missa matinal, beijava-se a figura do "Menino" que seria o reconhecimento ao nascimento de Jesus e... recomeçava mais um ciclo de vida até ao Natal seguinte. Outro ano.
Para algumas das mais belas pinturas da Natividade (clicar)
Natal sempre inspirador e tempo de renovação.
O Natal - 25 de dezembro - é pouco depois do Solstício de Inverno - 09:20 horas em 21 de dezembro de 2024 - que foi a noite mais longa do ano passando a partir dessa data a aumentar a parte diurna do dia até ao Solstício de Verão - 02:43 horas em 21 de junho de 2025 - quando ocorre a noite mais curta do ano.
Eis Montalvão, cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário.
As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino
15 dezembro 2025
Santo e Feliz Natal em Época de Boas Festas
| 15 dezembro 2025 | 0 Comentários | | 00:00 |
EM MONTALVÃO NUNCA FOI FÁCIL USAR BARRO PEDRADO DE NISA.
Era caro e podia partir-se com uso frequente.
08 dezembro 2025
Imaculada Conceição de Nossa Senhora
| 08 dezembro 2025 | 0 Comentários | | 00:00 |
CELEBRADA EM MONTALVÃO DURANTE MUITO TEMPO COMO UM DIA TAMBÉM CONSAGRADO ÀS MÃES.
O dia 8 de dezembro celebra a conceção da mãe de Jesus Cristo, ou seja, a sua origem no ventre da mãe de Maria, que como se sabe se chamava Ana, Sant'Ana. O dia 8 de dezembro foi escolhido por ser nove meses antes de 8 de setembro do ano seguinte, considerado a data da natividade de Maria, este que foi sempre o dia mais festivo em Montalvão, dedicado a Nossa Senhora dos Remédios «Senhô Drumédes».
No Cristianismo, o dia é celebrado desde o século VII (antes de existir povoamento contínuo em Montalvão). Depois foi institucionalizado no calendário litúrgico, pelo Papa Sisto IV, em 28 de fevereiro de 1477.
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O dia 8 de dezembro celebra a conceção da mãe de Jesus Cristo, ou seja, a sua origem no ventre da mãe de Maria, que como se sabe se chamava Ana, Sant'Ana. O dia 8 de dezembro foi escolhido por ser nove meses antes de 8 de setembro do ano seguinte, considerado a data da natividade de Maria, este que foi sempre o dia mais festivo em Montalvão, dedicado a Nossa Senhora dos Remédios «Senhô Drumédes».
No Cristianismo, o dia é celebrado desde o século VII (antes de existir povoamento contínuo em Montalvão). Depois foi institucionalizado no calendário litúrgico, pelo Papa Sisto IV, em 28 de fevereiro de 1477.
Em 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX define o dogma da origem "Imaculada" e assim ficaria em definitivo para a Cristandade adquirido uma importância enorme. Apenas "ofuscada" com as Aparições e a criação da imagem e culto a Nossa Senhora de Fátima, depois do 13 de maio de 1917.
Este dia adquiriu uma outra dimensão e significado quando o Rei de Portugal, Dom João IV, em 25 de março de 1646, proclamou solenemente que «Nossa Senhora da Conceição» seria Rainha e Padroeira de Portugal.
Quando Montalvão vivia isolado, antes da divulgação do culto mariano com enfoque em Maio, devido às Aparições de Fátima, e depois a institucionalização mundial ou quase do «Dia das Mães» como data com tendência para ser unificada - em Portugal é comemorado no primeiro domingo de Maio - podia considerar-se o 8 de dezembro como o «Dia da Mãe Montalvanense». Em Montalvão e um pouco por todo o Portugal.
Em Montalvão, o dia começava na Igreja Matriz com a Missa tendo, já no século XIX, incluída a oração solene do dia havendo depois sermão do púlpito.

A «Procissão de Nossa Senhora» seguia o roteiro habitual com a solenidade comum - e que um dia será descrito no blogue num texto exclusivo - por ser digna de tal pelo impacte de grandiosidade e solenidade que tinham as procissões em Montalvão. Quando ao roteiro: saída da Igreja Matriz, descer a rua da Barca até ao «Fundo da Rua», virar à esquerda para subir a rua da Costa. Ao cimo desta, virar para a direita pela rua Direita até à continuação desta pela rua do Cabo. Ao chegar ao início da Corredoura, virar à esquerda pelo início da azinhaga de São Pedro junto à Corredoura, em direção ao «Adro do São Pedro». Seguia pela rua São Pedro continuando rua do Arneiro abaixo, depois virando à esquerda pela rua do Arrabalde. Subia esta e terminava na Igreja Matriz.
A oração deste dia rezada durante a missa dominical.
Virgem Santíssima,
que foste concebida sem pecado
e por isso mereceste o título
de Nossa Senhora da Imaculada Conceição;
Evitaste todos os outros pecados,
e por isso o Anjo Gabriel chamou-te
“Avé Maria, cheia de graça"!
Peço-te que me alcances o auxílio
do teu divino Filho
para vencer as tentações e evitar os pecados.
E já que te chamo Mãe,
atende-me com carinho maternal esta graça (dizer o pedido);
para que possa viver como digno filho teu.
Nossa Senhora da Conceição, rogai por nós.
Amen
A música do mestre:
Quando Montalvão vivia isolado, antes da divulgação do culto mariano com enfoque em Maio, devido às Aparições de Fátima, e depois a institucionalização mundial ou quase do «Dia das Mães» como data com tendência para ser unificada - em Portugal é comemorado no primeiro domingo de Maio - podia considerar-se o 8 de dezembro como o «Dia da Mãe Montalvanense». Em Montalvão e um pouco por todo o Portugal.
Em Montalvão, o dia começava na Igreja Matriz com a Missa tendo, já no século XIX, incluída a oração solene do dia havendo depois sermão do púlpito.
A «Procissão de Nossa Senhora» seguia o roteiro habitual com a solenidade comum - e que um dia será descrito no blogue num texto exclusivo - por ser digna de tal pelo impacte de grandiosidade e solenidade que tinham as procissões em Montalvão. Quando ao roteiro: saída da Igreja Matriz, descer a rua da Barca até ao «Fundo da Rua», virar à esquerda para subir a rua da Costa. Ao cimo desta, virar para a direita pela rua Direita até à continuação desta pela rua do Cabo. Ao chegar ao início da Corredoura, virar à esquerda pelo início da azinhaga de São Pedro junto à Corredoura, em direção ao «Adro do São Pedro». Seguia pela rua São Pedro continuando rua do Arneiro abaixo, depois virando à esquerda pela rua do Arrabalde. Subia esta e terminava na Igreja Matriz.

A oração deste dia rezada durante a missa dominical.
Virgem Santíssima,
que foste concebida sem pecado
e por isso mereceste o título
de Nossa Senhora da Imaculada Conceição;
Evitaste todos os outros pecados,
e por isso o Anjo Gabriel chamou-te
“Avé Maria, cheia de graça"!
Peço-te que me alcances o auxílio
do teu divino Filho
para vencer as tentações e evitar os pecados.
E já que te chamo Mãe,
atende-me com carinho maternal esta graça (dizer o pedido);
para que possa viver como digno filho teu.
Nossa Senhora da Conceição, rogai por nós.
Amen
A música do mestre:
Não havia por hábito, em Montalvão, queimar um majestoso tronco de madeira, de 7 para 8 de dezembro, o «Madeiro de Nossa Senhora», geralmente oferecido por um dos Lavradores ("riques" em montalvanês) que se iam revezando anualmente, o que era muito vulgar em inúmeras localidades de Portugal. Esses também são mistérios montalvanenses.


As excepções que parecem fazer, muitas vezes, de uma aldeia como Montalvão caso único em Portugal. Porque seria? Talvez os fundadores da localidade, para lá de meados do século XIII considerassem tal um rito pagão. E é! Adorar toda a noite e madrugada um madeiro incandescente. Depois perdeu foi significado como tal!
Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino
Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino
30 novembro 2025
Festa de Santo André
| 30 novembro 2025 | 0 Comentários | | 00:00 |
A 30 DE NOVEMBRO, OS HABITANTES DO MONTE DE SANTO ANDRÉ ASSINALAVAM O SEU SANTO PADROEIRO.
Era uma festa bem popular e que se "perdia no tempo" o início da consagração do Monte a Santo André. Nos Anos 40 e 50, a taberna do Cananã, na rua do Meio (no topo, contrário ao local da Capela), brilhava com deslumbramento, embora a Capela estivesse em ruínas. Em 2019, retomou-se a tradição junto à Capela.
O Santo André, em 1758, não devia ter qualquer habitante pois não aparece nomeado junto aos seis lugares referenciados pelo Vigário Frei António Nunes Pestana de Mendonça, existentes no concelho de Montalvão: Monte de Rollo, Monte do Pégo do Bispo, Monte do Amaro Fernandes, Monte do Pombo, Monte da Salavessa e Montalvão.
Em relação aos edifícios religiosos, a pergunta é:
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Era uma festa bem popular e que se "perdia no tempo" o início da consagração do Monte a Santo André. Nos Anos 40 e 50, a taberna do Cananã, na rua do Meio (no topo, contrário ao local da Capela), brilhava com deslumbramento, embora a Capela estivesse em ruínas. Em 2019, retomou-se a tradição junto à Capela.
Em relação aos edifícios religiosos, a pergunta é:
(Transcrição) «Se tem algumas Ermidas, e de que Sanctos; et estam dentro, ou fora do Lugar, e a quem pertencem?»
O Santo André, em 1940, tinha mais de duas centenas de habitantes.
O Santo André (durante decénios Monte de Santo André) era o lugar da gente mais pobre dos pobres de Montalvão. Hoje está deserto. Mas há sempre histórias, mesmo em lugares hoje desertos mas que já estiveram a abarrotar de montalvanenses.
A Festa de Santo André começava ao pôr-do-Sol de 29 de novembro com folguedos vários para na manhã seguinte (30 de novembro) haver missa, na Capela, consagrando o Santo protetor à sombra do qual se foi organizando um pequeno povoado.
Uma espécie de Milagre de Santo André
Há muitos, muitos anos nasceu um homem numa modesta casa do Santo André.
Chamava-se Ti Manel Texêra. Cresceu e casou para outra casa do Santo André. Um pouco melhor para poder dar espaço aos filhos que o casamento adivinhava.
Analfabeto, pobre, pé descalço, sem bens a herdar a não ser o que ganhava à jorna decidiu que havia outra vida para além da pobreza. Deixou o «Santo» e foi viver para a «Vila» numa modesta casinha encravada nas traseiras da Igreja de Misericórdia.
Foi aqui que nasceu o seu filho, segundo do casal depois de uma filha nascida, ainda, no Santo André.
Um dia o filho, ainda antes do tempo da ida à Escola mas mesmo à justa no ano em que devia ter começado - por isso entrou um ano depois - deslocou o fémur numa qualquer brincadeira de criança. Entretanto mudara já para uma casa, com melhores condições, no Fundo da Rua. Sem que a criança pudesse andar normalmente, vivia a coxear, foi-lhe dada como que uma sentença final: nada havia a fazer... tinha reumatismo. Viveria a sua existência a mancar. Após meses, condenado a uma vida como entrevado, o Ti Manel Texêra, analfabeto decidiu que o filho não seria um inválido. Se ele conseguiu sair do destino que o Santo André lhe reservava na pobreza, o filho também conseguiria desviar-se do destino a que os médicos desinteressados e com outras ocupações, que iam à Vila o condenaram, a mancar uma vida. Sem saber ler, nem escrever, depois de ver o filho, em esforço, a coxear, pegou nele de tronchas ("às costas") apanhou transporte para um comboio e foi a Coimbra! À procura do doutor Moura, importante médico no Hospital de Coimbra, nascido em Montalvão. O Ti Texêra, um homem analfabeto que só conseguia contar as estações mas não sabia ler onde estava. Não é de crer que, em Montalvão, muitos alfabetizados, até letrados, a tal se dispusessem! Em Coimbra, o diagnóstico foi feito: não era reumatismo, era o fémur... deslocado! Chegou passados três dias, a Montalvão, com o filho, ao seu colo, engessado da cabeça aos pés e eis que passados seis meses acamado - no final a mãe, Xá Marí Jaquina, colocava-o nos degraus da escada obrigando-o a gritar enquanto fazia funcionar, de novo, as articulações - a criança voltava a andar. Normalmente como os da sua idade.
Acompanhou o pai, depois, a singrar na vida.

A fazer carvão, a tirar cortiça, a apanhar azeitona, em Montalvão e arredores e na Beira Baixa, do Ocreza ao Pônsul.
Acabou a morar numa casa que sendo de uma família pobre tinha dimensão e qualidade como a dos Lavradores com criados. Talvez o melhor edifício de um pobre de Montalvão equiparada às casas de alguns "ricos".
O filho retirado à invalidez de uma vida pela coragem e sábia decisão de um pai analfabeto, fez o que tinha que fazer:
Em Montalvão estudou
Na Beira Baixa com o pai trabalhou
Em todo o lado o pai ajudou
Na tropa muito marchou
Na Índia telegrafou
Na Matriz da Vila casou
Em Ficalho fiscalizou
Na Figueira da Foz cavou
Filhos criou
Em Lisboa muito labutou
A todos tudo possibilitou
Desta vida se libertou
A morte levou
Tudo porque o pai ao destino o resgatou
Montalvão também tem destes heróis. Os heróis improváveis e desconhecidos como o Ti Texêra!
A Ermida de Santo André merece destaque no citado inventário:
(Transcrição) «As Ermidas, quem dentro da Villa, hé somente a de Sam Marcos, que tem altar próprio, que tem Irmandade, e nada de renda; tem outro altar em Sam Joaõ Baptista; outro de Santa Maria Madalena, que naõ tem Irmandade nem renda = Fora da Villa tem Igreja do Espírito Santo, que tem Mordomos, e algumas rendas = Tem mais a Igreja de Sam Pedro, quem Mordomos, e alguma renda = tem mais a Igreja de Santa Margarida, que naõ tem Irmandade, nem renda = Tem mais a Igreja de Santo André Appóstollo, que também naõ tem renda, nem Irmandade, e somente no seu dia se lhe canta uma missa por conta das rendas, que deixou Frey Pedro Carrilho ao hospital =»
Tudo indica que a Capela fosse mesmo, durante muitos anos, uma Ermida, ou seja, um edifício de culto cristão que ficava num lugar ermo, que não era habitado. As pessoas, as casas, as famílias, o bulício, ou seja, a vida dos habitantes do Santo André, surge depois. Bem depois! No final da primeira década do século XX já há registos de batismo com crianças nascidas no lugar do Santo André!
(Transcrição) «As Ermidas, quem dentro da Villa, hé somente a de Sam Marcos, que tem altar próprio, que tem Irmandade, e nada de renda; tem outro altar em Sam Joaõ Baptista; outro de Santa Maria Madalena, que naõ tem Irmandade nem renda = Fora da Villa tem Igreja do Espírito Santo, que tem Mordomos, e algumas rendas = Tem mais a Igreja de Sam Pedro, quem Mordomos, e alguma renda = tem mais a Igreja de Santa Margarida, que naõ tem Irmandade, nem renda = Tem mais a Igreja de Santo André Appóstollo, que também naõ tem renda, nem Irmandade, e somente no seu dia se lhe canta uma missa por conta das rendas, que deixou Frey Pedro Carrilho ao hospital =»
Tudo indica que a Capela fosse mesmo, durante muitos anos, uma Ermida, ou seja, um edifício de culto cristão que ficava num lugar ermo, que não era habitado. As pessoas, as casas, as famílias, o bulício, ou seja, a vida dos habitantes do Santo André, surge depois. Bem depois! No final da primeira década do século XX já há registos de batismo com crianças nascidas no lugar do Santo André!
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| Instituto Geográfico e Cadastral; secção CC (Montalvão); escala 1/5 000; Campanha de 1959. No topo do lado direito a Capela - que estava em ruínas nos Anos 50 - e casa adjacente |
O Santo André, em 1940, tinha mais de duas centenas de habitantes.
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| No Recenseamento de 1940, no Santo André, habitavam 240 pessoas - 119 homens e 121 mulheres - que pela meia-noite de 12 de dezembro ocupavam os 65 fogos; NOTAS: Fogos = edifícios para habitação; V - Varões/Homens; F - Fêmeas/Mulheres; VF - Totais |
O Santo André (durante decénios Monte de Santo André) era o lugar da gente mais pobre dos pobres de Montalvão. Hoje está deserto. Mas há sempre histórias, mesmo em lugares hoje desertos mas que já estiveram a abarrotar de montalvanenses.
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| No topo do lado direito a Capela já recuperada (desde os Anos 60) com a casa adjacente nas traseiras |
A Festa de Santo André começava ao pôr-do-Sol de 29 de novembro com folguedos vários para na manhã seguinte (30 de novembro) haver missa, na Capela, consagrando o Santo protetor à sombra do qual se foi organizando um pequeno povoado.
Uma espécie de Milagre de Santo André
Há muitos, muitos anos nasceu um homem numa modesta casa do Santo André.
Chamava-se Ti Manel Texêra. Cresceu e casou para outra casa do Santo André. Um pouco melhor para poder dar espaço aos filhos que o casamento adivinhava.
Analfabeto, pobre, pé descalço, sem bens a herdar a não ser o que ganhava à jorna decidiu que havia outra vida para além da pobreza. Deixou o «Santo» e foi viver para a «Vila» numa modesta casinha encravada nas traseiras da Igreja de Misericórdia.
Foi aqui que nasceu o seu filho, segundo do casal depois de uma filha nascida, ainda, no Santo André.
Um dia o filho, ainda antes do tempo da ida à Escola mas mesmo à justa no ano em que devia ter começado - por isso entrou um ano depois - deslocou o fémur numa qualquer brincadeira de criança. Entretanto mudara já para uma casa, com melhores condições, no Fundo da Rua. Sem que a criança pudesse andar normalmente, vivia a coxear, foi-lhe dada como que uma sentença final: nada havia a fazer... tinha reumatismo. Viveria a sua existência a mancar. Após meses, condenado a uma vida como entrevado, o Ti Manel Texêra, analfabeto decidiu que o filho não seria um inválido. Se ele conseguiu sair do destino que o Santo André lhe reservava na pobreza, o filho também conseguiria desviar-se do destino a que os médicos desinteressados e com outras ocupações, que iam à Vila o condenaram, a mancar uma vida. Sem saber ler, nem escrever, depois de ver o filho, em esforço, a coxear, pegou nele de tronchas ("às costas") apanhou transporte para um comboio e foi a Coimbra! À procura do doutor Moura, importante médico no Hospital de Coimbra, nascido em Montalvão. O Ti Texêra, um homem analfabeto que só conseguia contar as estações mas não sabia ler onde estava. Não é de crer que, em Montalvão, muitos alfabetizados, até letrados, a tal se dispusessem! Em Coimbra, o diagnóstico foi feito: não era reumatismo, era o fémur... deslocado! Chegou passados três dias, a Montalvão, com o filho, ao seu colo, engessado da cabeça aos pés e eis que passados seis meses acamado - no final a mãe, Xá Marí Jaquina, colocava-o nos degraus da escada obrigando-o a gritar enquanto fazia funcionar, de novo, as articulações - a criança voltava a andar. Normalmente como os da sua idade.

A fazer carvão, a tirar cortiça, a apanhar azeitona, em Montalvão e arredores e na Beira Baixa, do Ocreza ao Pônsul.
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| Fotografia de Artur Pastor |
Acabou a morar numa casa que sendo de uma família pobre tinha dimensão e qualidade como a dos Lavradores com criados. Talvez o melhor edifício de um pobre de Montalvão equiparada às casas de alguns "ricos".
O filho retirado à invalidez de uma vida pela coragem e sábia decisão de um pai analfabeto, fez o que tinha que fazer:
Em Montalvão estudou
Na Beira Baixa com o pai trabalhou
Em todo o lado o pai ajudou
Na tropa muito marchou
Na Índia telegrafou
Na Matriz da Vila casou
Em Ficalho fiscalizou
Na Figueira da Foz cavou
Filhos criou
Em Lisboa muito labutou
A todos tudo possibilitou
Desta vida se libertou
A morte levou
Tudo porque o pai ao destino o resgatou
Montalvão também tem destes heróis. Os heróis improváveis e desconhecidos como o Ti Texêra!
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