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13 novembro 2019

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De Montalvão a Nisa São Cinco Horas de Caminho

13 novembro 2019 0 Comentários
O ISOLAMENTO DE MONTALVÃO PELO SEU SÍTIO (ALTO DE UM MONTE ISOLADO) E LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA (NA RAIA COM ESPANHA) DUROU SÉCULOS.



As estradas chegaram tarde. Utilizavam-se os caminhos e as azinhagas (caminhos murados), ou seja, via pública entre propriedades privadas delimitadas por muros construídos com pequenas lajes de xisto e ponedos.


Em 1901, quanto a estradas, Montalvão continuava uma ilha rodeada de terra!

Antes das estradas e até mesmo depois delas pois não havia meios - principalmente automóveis - para lhes dar uso constante e necessário, os montalvanenses tiveram nos correios, depois telégrafo e a seguir telefone a possibilidade de quebrar - nem que fosse em sentimento - esse isolamento. Sabe-se que em 24 de abril de 1758, como sede de concelho, Montalvão não tendo correio era servido por Portalegre: enviava correio às quintas-feiras e recebia aos sábados. Depois passou a ser servido por Nisa e finalmente passou a ter correio na localidade. Mas esta história, com datas precisas e concretas, tal como a do telégrafo e do telefone fica para outro dia.



Em 1888 com a construção da ponte rodoviária (e pedonal), sobre o rio Tejo, nas Portas de Ródão, houve um avanço importante nas ligações pelo Interior de Portugal entre o Norte e o Sul e vice-versa, como é óbvio.  



O correio "acelerou" com a possibilidade de fazer chegar uma carta ou encomenda entre Montalvão e Castelo Branco em menos de 24 horas. Montalvão (estação de 5.ª categoria) recebia a mala de correio de Nisa, diariamente, ao meio-dia (tinha saído de Nisa cinco horas antes pelas sete da manhã) e expedia para Nisa duas horas depois - era almoçar e regressar - pelas 14 horas. 



Nisa (estação de 4.ª categoria) expedia para Montalvão às sete da manhã (depois de cinco horas de caminho chegava ao meio-dia) e recebia de Montalvão às sete da tarde (cinco horas depois de ter saído, pelas duas da tarde).



Castelo Branco (estação de 1.ª categoria) recebia a mala postal de Nisa às 11:30 da manhã (depois de seis horas e meia de caminho, pois saía de Nisa às cinco da manhã) e enviava às duas da tarde para Nisa (onde chegava às oito e um quarto da tarde, depois de seis horas e um quarto de caminho). 



Resumindo e concluindo
O que fosse expedido de Montalvão para Castelo Branco, saía às duas da tarde da localidade para chegar a Castelo Branco no dia seguinte às onze e meia da manhã (21 horas e meia depois). De Castelo Branco para Montalvão era despachar até às duas da tarde para chegar no dia seguinte pelo meio-dia (22 horas depois).

Uma "rede de comunicações" engenhosa e radicular que permitia chegar aos lugares mais recônditos mesmo sem estradas.

Por caminhos e azinhagas...
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11 novembro 2019

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Os Carpinteiros

11 novembro 2019 0 Comentários
HOUVE DEZENAS DE CARPINTEIROS EM SETE SÉCULOS MONTALVANENSES.


Conheci bem um carpinteiro de Montalvão. No apogeu dos Ofícios em Montalvão, entre os anos 30 e 60, houve o Ti Zé Leandro (depois a carpintaria passou a taberna) da rua de São Pedro, o Ti Serrote na rua da Barca, o Ti Zé Caratana que teve "poiso" mais duradoiro na rua das Almas e ainda o Ti Juan Papagaio no início (de quem vem de baixo) ou final (de quem vem de cima) na rua de São João. 

(clicar em cima da imagem para obter melhor visualização)


O Ti Zé Caratana (sem ligações familiares ao ofício) teve por Mestre o Ti Zé Leandro. Depois foi Mestre do Ti Juan Papagaio (que foi mais Marceneiro que Carpinteiro, embora fosse ajuda preciosa quando fazia falta)
Num povoado como Montalvão, sempre abaixo dos três mil habitantes, eram necessários dois carpinteiros com aprendizes (ajudantes, geralmente os filhos). Havia trabalho, mas não tanto para permitir a sobrevivência de mais de uma ou duas famílias. Até porque havia ainda os Marceneiros. Os carpinteiros faziam os veículos de tração animal (carroças, carros e carretas; com rodas ferradas com auxílio dos ferreiros), as escadas, as cangas, as charruas e arados, os trilhos, os cabos de enxadas, sacholas, pás, gadanhas, foices, forquilhas e demais utensílios para o "cavanço", as angarelas, ajudavam a travar os sobrados, um vasto número de artefactos fundamentais no Mundo Rural. E depois tinham de ir fazendo as necessárias recuperações e arranjos devido aos estragos causados pelo uso prolongado.

O Ti Zé Caratana com carpintaria no antigo lagar de azeite da rua das Almas era um artista com genialidade.



Era pau para toda a obra. Escadas, portas, postigos e janelas.
Carroças, carretas e carros.
Ferrolhos, portões e trincos.
Mil e um utensílios que o tempo, o progresso e o abandono do povoado fez criar teias de aranha e ninhos de pássaro.


Pelo chiar do rodado sabia de quem era a carroça, carro ou carreta pois das mãos dele saíram com esmero.


Só pela sombra ao passarem nas costas de alguém umas escadas para colher azeitona sabia quando as tinha feito.



E piões, trinchas e pincéis. Foices, marretas e estacas. Serradura, lascas ou cavacas. 



E aquele trilho com "dentes" de madeira para não riscar as lajes da eira?



Cangas, arados, charruas e varapaus. Tudo saiu daquelas mãos de ouro preciosas a moldar madeira como um pianista a sublimar notas num piano.  



Sobrados, escadarias, traves e telhados. Coberturas ou caixas. Caixotes ou caixinhas.



Machados, serras, martelos, facas e enxadas ou sacholas ou gadanhas. Tudo lhe passava pelo engenho das mãos e invenção do momento.



Sempre com uma causa. Uma vez estava a fazer umas escadas e de repente atirou-as para o fundo da carpintaria dizendo. «Ora esta! Quanto mais escadas faço para os outros subirem mais eu desço que estas pernas já não conseguem andar o que andaram».



Conheci bem este carpinteiro. Abençoadas horas que passei com ele. Cada uma valia por meia dúzia.


NOTA: Fotografias a preto-e-branco de Artur Pastor

Próxima "paragem": Os Alfaiates 
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09 novembro 2019

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Estradas Vão, Estradas Vêm (Parte I: Montalvão-Nisa)

09 novembro 2019 0 Comentários
O ISOLAMENTO DE MONTALVÃO FOI DURADOIRO. UMA ILHA RODEADA DE TERRA.



Embora a grande quebra de estar para ali sem ninguém dar por isso esteja muito mais relacionada com o serviço postal do que com as estradas num tempo em que ninguém ou poucos tinham automóvel. De qualquer modo as estradas permitiam que até o serviço postal fosse mais célere e eficiente. 

A possibilidade de saber que havia caminhos de terra batida, muitas vezes implacáveis de Verão e impraticáveis de Inverno, depois transformados em estrada de todo o ano foi um incremento na quebra de isolamento, mas a melhoria do serviço postal e principalmente o telégrafo e telefone passaram para o imaginário dos montalvanenses do tipo: sabem que estamos aqui e podemos dizer que estamos aqui.



Até meados do século XX talvez mais de metade da população de Montalvão nunca tinha ido para além de Nisa ou Póvoa e Meadas, e mesmo nestes casos, muitas vezes só chegavam às Ermidas de Nossa Senhora da Graça (que também é a padroeira de Montalvão e à qual está dedicada a Igreja Matriz) e de São Silvestre, respetivamente.


Quarta travessia do rio Tejo (terceira rodoviária) no troço português, inaugurada em 1888 foi um avanço notável para as comunicações, a todos os níveis: do pedonal, ao rodoviário até ao serviço postal e telefónico

Também houve quem nunca escrevesse uma carta, usasse o telégrafo ou fizesse um telefonema. Mas só por si, saber que tinha essa possibilidade era um descanso.

Antes de se escrever neste blogue acerca dessa quebra de isolamento, nem que fosse sentido, com o serviço postal, depois o telégrafo e finalmente o telefone, vamos às duas estradas.

Comecemos pela principal. A de Nisa que liga Montalvão à principal localidade da região, depois a sua sede de Concelho quando Montalvão deixou de o ser.


Em homenagem ao inventor escocês McAdam as estradas com pedra (macadame) sobre o terreno nu significaram um avanço extraordinário pois permitiam fazer viagens com a mesma duração, fosse de Verão ou Inverno. A lama e as armadilhas no piso esburacado praticamente terminaram. Várias camadas de pedra, desde mais graúda a mais miúda. compactada com cilindros pesados aplanaram o piso e deram-lhe consistência. Ainda me lembro de um troço de estrada branca, entre Montalvão e a Salavessa. Depois o alcatrão tratou de fazer de estradas esbranquiçadas ondulantes, as planas e uniformes estradas escuras que conhecemos e pisamos na atualidade.

O primeiro mapa que regista as estradas (à época eram mais caminhos com capacidade para utilização de carros e carroças) em torno de Nisa é curioso. Data de 1771 impresso em França, vendido em Bordéus e da responsabilidade de Giovanni Antonio Rizzi Zannoni. Entre Nisa e Montalvão (e vice-versa) talvez alguém conseguisse ir de uma à outra sem sobressaltos de maior tendo em conta o que está cartografado. Mas que parece ser uma invenção... parece. E em cartografia antiga o que parece, por vezes, não é!

(clicar em cima desta e de quase todas as imagens permite melhor visualização das mesmas)





A cartografia de Tomás López publicada em 1790, ou seja, 19 anos depois da anterior, acrescenta mais informação para uma região recôndita de Portugal, da qual não seria de esperar mais... mas o certo é que já se percebe uma azinhaga direta entre Nisa e Montalvão e vice-versa (como são sempre as veredas, as azinhagas, os caminhos e as estradas).



Não menos curioso é o seguinte. Data de 1 de Agosto de 1810 e quem se guiasse por ele mais depressa chegaria a "Evendas" que a Montalvão! Publicado em Londres por T. Egerton da responsabilidade do cartógrafo Capitão William Elliott. 



Isto quando estava cartografado o melhor mapa - dos que se conhecem - feito até à época datando de 1808 - num desdobrável com as distâncias-tempo que os militares tinham, ocasionalmente em caso de necessidade, de percorrer também usada no serviço postal que percorria diariamente todo o Portugal. Para simplificar a leitura juntam-se as folhas do desdobrável que por ser isso tem pano-cru, atrás, a suportar o desdobramento do papel. É a «Carta Militar das Principais Estradas Militares» da responsabilidade de Lourenço Homem da Cunha de Eça. Um pequeno avanço na cartografia, um enorme contributo para perceber «quanto tempo era o tempo que tinha de ter tempo»!

(clicar em cima desta e de quase todas as imagens permite melhor visualização das mesmas)



Os mapas com cartografia da área de Nisa/Montalvão, no século XIX acrescentam muito pouco a este último, datado de 1808, que durante anos prestou um contributo de valor ao Serviço Postal permitindo a Montalvão ser servido diariamente (pelo menos, em 1888, ano em que há registos) diariamente de Nisa para Montalvão (a mala postal saía de Nisa às sete da manhã e chegava a Montalvão ao meio-dia) e de Montalvão para Nisa (a mala saía às duas da tarde e chegava às sete). Cinco horas de caminho! Mas isso é matéria para texto autónomo.



Há ainda os mapas (em cima) publicados pela CP (Caminhos de Ferro Portugueses) com o esperado pouco rigor nas estradas sem ser de ferro e os Mapas para velocipedistas, motociclistas e automobilistas (em baixo).

A União Velocipédica Portuguesa (atual Federação Portuguesa de Ciclismo) foi fundada em 14 de dezembro de 1899 por isso este mapa de Portugal foi elaborado em 1905 e publicado em 1907 (ao que consta)

Com o aparecimento do automóvel e a sua expansão rapidamente apareceram os primeiros mapas comerciais. No início da responsabilidade da UVP (União Velocipédica Portuguesa) e a partir de 1913, pelo ACP (Automóvel Clube de Portugal). Quer com estes mapas, quer com a cartografia dos Serviços Cartográficos do Reino de Portugal e depois da República Portuguesa é muito interessante perceber a dificuldade que houve em concluir a Estrada Nacional n.º 359 (Montalvão - Nisa - Vila Flor - Amieira (variante por Gardete com a construção da barragem do Fratel, inaugurada em 1973) - Envendos - Mação - Mouriscas - Alferrarede, nos arredores de Abrantes) que foi traçada aos "bochechos" e pavimentada - primeiro em macadame - e depois alcatroada aos "soluços". Como começou em Alferrarede, ainda no século XIX soluçou quase 50 anos até ser finalizada ("macadamizada") junto do início da rua de São João (com ponedros, depois "paralelos") já os anos 30 do século XX iam para lá de meio.



Mas isso fica para a Parte II (século XX). E ainda há a Municipal n.º 525 entre Montalvão e Castelo de Vide passando pela Póvoa e Meadas. Além da ligação Montalvão - Salavessa que é a Municipal n.º 526. Só as estradas que substituíram caminhos e azinhagas desde a fundação de Montalvão - pensadas, trabalhadas e melhoradas, aos bochechos e soluços - davam para fazer um blogue à parte.


Em 1941 (escala 1/250 000) estrada de macadame entre Nisa e Montalvão, caminhos/azinhagas para a Salavessa e Póvoa e Meadas, com passagem pela Fonte Ferranha e o São Silvestre (a estrada atual desvia para Este - contornando duas sub-bacias do ribeiro de Fivenco ou Fevelo (em montalvanês) e da ribeira de São João - a fim de ter evitado a construção de uma ponte por cima da linha de água sobre o vale da Fonte Ferranha)


Até à próxima...

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07 novembro 2019

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Os Forneiros

07 novembro 2019 0 Comentários
FINAL DO CICLO DO «PÃO NOSSO DE CADA DIA»



Depois dos moleiros transformarem o grão em farinha eram as «mulheres da Vila» numa prática ancestral que passava de mães para filhas permitindo a estas quando casavam amassar o pão dia-a-dia (uma forma de dizer, pois por vezes era uma vez por semana) para ser comido por todos e por vezes dar um naco a quem não o tinha. E não eram poucos. Os nacos e quem não tinha farinha para amassar. 



Amassando a farinha, deixando o pão amassado fermentar, crescer, fazer-se massa para cozer, tinham importância redobrada os seis fornos - que coziam pão - em simultâneo em Montalvão.


Benza-o Deus para que cresça/ Que não falte em barriga que mexa

No século XX (Anos 30 a 60), houve o Forno da Xá Tomásia no «Fundo da Rua», o da Xá Teresa e da Xá Tomásia Carrilho na rua Direita e Outeiro, o da Xá Cigarrilha e da Xá Ana na rua do Cabo (continuação para oeste da rua Direita) e o da Xá Martinha na rua do Arneiro a chegar ao «Pátio». Esposas a controlar o calor do forno onde as mulheres levavam a massa já pronta para cozer e os esposos a catar xaras, até às «Barreiras do Rio» para fazer lume e dar seguimento ao «Ciclo do Pão»: da semente se faz crescer grão, do grão de faz farinha e da farinha amassada se faz pão.

(clicar em cima da imagem para melhorar a visualização)



Cozendo o pão à vez cabia a cada mulher estabelecer "um contrato" com o forno pagando a respetiva maquia, ou seja, deixava um número determinado de pães (dependendo de quantos cozia, da frequência com que ia ao forno e da relação pessoal com os forneiros). Os fornos não eram dos forneiros e forneiras, estes faziam o trabalho mas as instalações pertenciam a algumas das famílias ricas de Montalvão que assim conseguiam uma espécie de "economia de escala": tinham quem cozesse o seu pão de graça e o "pagamento" em maquia era feito pelo resto das famílias montalvanenses. Também vendiam pão a quem não tivesse farinha para amassar. E tivesse dinheiro para o comprar...




O grão que ao passar a farinha ficara uma maquia para o Moleiro acabava por sofrer mais "um corte" já em forma final, numa maquia de pão ou pães. Era assim à mingua. Pagar produtos com parte do produto.




Eis uma parte importante da vida montalvanense. Pois aquele pão fintado e com o sinal da cruz permitia que surgissem apetitosos quatro nacos. Abençoados nacos.



Próxima "paragem": Os Carpinteiros

NOTA FINAL: Quando se escreve "Os Forneiros" seria mais correto "As Forneiras" pois os maridos praticamente não estavam no forno. Passavam o dia (às vezes parte da noite aquando do Inverno dos dias curtos e debaixo de chuvadas) a apanhar lenha - quase catar a pouca que havia e cada vez mais longe da Vila - e transportá-la, em cima de um par de burrecos, para abastecer o Forno e aquecê-lo para funcionar (cozer a massa e transformá-la em pão). O «Pão Nosso de Cada Dia».




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06 novembro 2019

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Açafa a Deixar de o Ser (1242)

06 novembro 2019 0 Comentários
OS TEMPLÁRIOS NÃO CEDEM AO BISPO DA GUARDA OS TERRITÓRIOS A SUL DO RIO TEJO.



A importância do Bispo da Guarda aumentou exponencialmente, no século XIII, obrigando os Templários a cederem poder sobre o seu território e localidades que haviam fundado. Recordemos que D. Sancho I cede a Herdade da Açafa, em 5 de julho de 1199 (como foi assinalado - clicar - neste blogue aquando dos 820 anos dessa efeméride) à Ordem do Templo ou dos Cavaleiros Templários e funda a cidade da Guarda, em 27 de novembro de 1199, que em 1203 passa a ser uma Diocese. 



Distam 145 dias e cerca de 110 quilómetros em linha reta entre a Guarda e Montalvão, mas apenas 43 anos depois, estala um conflito que vai colocar o território que restava da Açafa, ou seja, a sul do rio Tejo em «estado de sítio  religioso» sendo mesmo excomungado pelo Bispo da Guarda. E em excomunhão entenda-se... tudo - desde matérias inertes a seres vivos (Fauna e Flora incluído a espécie humana, como é, ou era, óbvio) - o que nesse território vivesse ou nascesse. Os Templários donatários de uma vasta área, embora de início inóspita e hostil, foram cedendo ao domínio do Bispo da Guarda, submetendo-se ao seu poder, mas recusam fazer o mesmo para o território a sul do rio Tejo. Só até à margem direita desse rio abdicam de poder absoluto mantendo-o na margem esquerda. Em 1242, abdicam finalmente do que restava do território a norte do rio Tejo, cedendo Castelo Branco e Ródão mas recusam a pretensão do Bispo da Guarda em senhoriar Nisa e restante território entre a ribeira de Figueiró e a fronteira com Castela. O conflito vai durar 45 anos, até 1287 (16 de abril). São anos de incerteza que vão ter marca no aparecimento de Montalvão



Tratando-se de um assunto que só indiretamente está relacionado com Montalvão reserva-se o desenvolvimento do porquê do crescimento da importância do domínio do Bispo da Guarda nos territórios a sul desta cidade para o assinalar da efeméride dos 820 anos do Foral da Guarda, em 27 de novembro de 1199 - 2019. Há a reforçar que a Guarda teve desde logo, em 1203, protecção papal com a criação da «Diocese da Guarda» no sentido em que se restaurava num local praticamente ermo - foi limitado povoado lusitano, romano, suevo e almóada (Antaniya) - mas de difícil conquista, substituindo a antiga e dedicada cidade visigótica cristã Egitânia (Idanha-a-Velha) e antiga Diocese Egitaniense (transferida cerca de seis séculos depois para a Guarda) daí a explicação para o gentílico de quem nasce ou vive na cidade da Guarda: egitanienses, embora a Guarda fique... 62 quilómetros a norte de Idanha-a-Velha, a antiga Egitânia! 


Entre o apogeu de Egitânia (Idanha-a-Velha) cerca de 599 e a cartografia do primeiro mapa em Portugal (Álvaro Seco; publicado em 1560 ou 1561) a outrora importante Egitânia no limite do território entre os suevos e os visigodos, praticamente deixou de existir não resistindo às lutas entre cristãos e muçulmanos e estadia destes no território. Assim, aparece cartografada, com pouco destaque, neste primeiro mapa que representa Portugal

Os caminhos que a história trilha são por vezes veredas...
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