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29 junho 2021

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Festa de São Pedro

29 junho 2021 0 Comentários
AO «LUSCO-FUSCO», EM 28 DE JUNHO, COMEÇA A NOITE DE SÃO PEDRO. A ÚLTIMA FESTA DE JUNHO SELAVA O TEMPO EM QUE O FOLGUEDO POPULAR SE SOBREPUNHA, MUITAS VEZES, AO CARÁCTER RELIGIOSO.



O dia de São Pedro (29 de junho), em Montalvão, era festejado pelos pastores e cabreiros. Este dia tinha enorme importância na profissão deles pois era em 29 de junho que iniciavam e terminavam os contratos com os seus patrões (os «riques») uso que ainda perdurava até há pouco. Assim, quando durante o ano algum pastor saía de casa do amo (os «riques») com quem estava contratado, comentava-se: «Aquele fez hoje São Pedro». Igualmente quando algum pastor era visto em Montalvão onde vinha tratar assuntos profissionais ou particulares (alguma urgência com um familiar), ou seja, afastava-se dos rebanhos onde devia permanecer todo o ano, observavam: «Parece que é Dia de São Pedro, vêm os pastores à vila» (em montalvanês, Montalvão é conhecido por "vila", ou seja, a designação mais abrangente - vilas há muitas - é antiquíssima, tendo em conta que Montalvão só há um!).


Os pastores deslocavam-se a Montalvão de asno. Era com os burros e burras que se faziam as «Cavalhadas pelo São Pedro». Os asnos eram dos "ricos" que os colocavam à disposição dos seus pastores para quando estes tinham de deslocar os rebanhos entre tapadas a maior distância. Também eram utilizados para a vinda dos pastores à vila no dia de São Pedro. Para as «Cavalhadas» no «Largo da Corredoura» misturavam-se burros e burras dos pastores e cabreiros com asnos de outros habitantes. 




Havia comerciantes e artesãos da aldeia que também tinham asnos para fazem alguma agricultura de ajuda à economia aldeã e para pequenas deslocações: pessoais ou ajuda a transportar alfaias agrícolas e de tudo um pouco, desde sementes às colheitas, com albarda, de angarelas ou com carroça.   



Os contratos (ajustes) eram variáveis. Podiam ter componente monetária, componentes mistas ou apenas componente em "arreios" (alimentação, vestuário e habitação junto aos rebanhos). A mista - dinheiro e bens (trigo, azeite, feijões, grão, fruta, etecetra) - era a mais usual. 




Um dos aspectos mais interessantes do "ajuste" era a atribuição aos pastores do «polvilhal», ou seja, de um determinado número de cabeças de gado, ovino e/ou caprino, que ficavam de sua pertença e que se juntavam ao rebanho do patrão, sendo por isso, marcados geralmente com um corte "personalizado" na orelha esquerda. A gestão do «polvilhal» era extremamente importante para a sobrevivência do pastor quando este já tinha constituído família visto ser fonte importante de rendimento em dinheiro.



A Ermida, depois Capela quando integrada na estrutura viária de Montalvão tinha em anexo um "chão" para dar sustento a quem cuidava dela e à Irmandade que por ela era responsável.


As «Cavalhadas» com burros e burras não eram tão competitivas como as do Santo António (remediados, com mulas e machos) e São João (ricos, com cavalos e éguas).



Muitas vezes nem eram realizadas no «Largo da Corredoura» mas sim, no amplo adro, fronteiro à capela de São Pedro. Também mais "baratos" eram os serviços religiosos na capela em detrimento da Igreja Matriz ou na Igreja da Misericórdia. 



Em (justa) homenagem aos pastores e cabreiros, até aos asnos, uma enorme música para quem a merece. Tal como merecerão que este blogue, num dia ou ano destes, teça com esmero um texto acerca do pastoreio, bem como da economia da lã, do leite e do queijo.  




Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino
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