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03 abril 2021

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Semana Santa V

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SÁBADO DE ALELUIA.



No Sábado de Aleluia o repicar madrugador dos sinos anunciava o final da Semana Santa. Cristo ressuscitaria para nos salvar. Desde Domingo de Ramos que apenas se ouvia a "Matraca". Finalmente os sinos. Estava reposta a «normalidade» em 51 das 52 semanas que formam o ano civil.




Sábado de Aleluia era dia do «anho pascal». 

1. Os lavradores («os riques» em montalvanês) ofereciam aos familiares e a famílias amigas que não tivessem rebanhos de ovelhas, um borrego a ser preparado durante dois dias para o jantar de domingo de Páscoa;

2. Os artesãos (carpinteiros, taberneiros, lojistas, ferreiros, sapateiros, alfaiates, etcetera) que não possuíam borregos ou que não tinham a sorte de ter um borrego oferecido tratavam de comprar um;

3. Os pobres juntavam-se a dois e três e compravam um;

4. Os muito pobres ficavam à espera da oferta de um naco, mesmo diminuto. 





Sábado de Aleluia era «dia de chocalhada». Os garotos («catchôpo ou catchópos» em montalvanês) esperavam ansiosos, no adro, pela alvorada para ouvir, finalmente, o repicar dos sinos, silenciados toda a Semana Santa, desde Domingo de Ramos. Munidos de um chocalho cada um, saíam do adro da Igreja Matriz, a badalar os chocalhos, com gritos de alegria, percorrendo as ruas em grande ruído e galhofa. A «tchucalhéda» era matinal, percorrendo arruamentos, azinhagas e caminhos anunciando, previamente, a Ressurreição.

Munidos de véspera com chocalhos, quanto maiores melhores - os das vacas eram mesmo "mangas" mas também podiam ser de borrego ou cabrinha - reuniam-se no lajeado central da Igreja Matriz, pouco antes das matinas, para assim que tocassem os sinos partir em debandada por tudo quanto era sítio

Havia quase uma centena de «catchôpos ê catchúpinhes» para espalharem a Boa Nova por todo o norte da freguesia. Com o declínio populacional, nos Anos 70, fazia-se pelo entardecer, mesmo à noite, depois do jantar. Na Salavessa (atualmente o único lugar da freguesia depois do abandono total do Monte do Pombo) mantém-se uma tradição multicentenária de continuar a fazer a chocalhada de manhã seguindo-se o repasto típico, em abundância, de Sábado de Aleluia.   



Até aos anos 50, por vezes o entusiasmo era tal que acabavam por chegar à ermida de Nossa Senhora dos Remédios («Senhô Drumédes» em montalvanês), ao Monte do Pombo ou à Salavessa. Ida e volta. Muitas vezes chegavam, tarde e a más horas, para almoçar, não se sujeitando a umas valentes «punhédas» (murros) ou «galhêtas» (chapadas) por ser Sábado de Aleluia. Isto se entretanto alguém, que com eles se cruzasse, não repartisse uma «côdea» de pão e algum naco de conduto...com os que conheciam melhor (até tendo laços familiares). Na «Vila» é tão fácil encontrar primos (só varia o grau de parentesco) como malmequeres silvestres...  


Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino
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