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03 julho 2020

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Faria Artur: Jornalista Casapiano

03 julho 2020 0 Comentários
HÁ 122 ANOS, EM 3 DE JULHO DE 1898, O MONTALVANENSE FARIA ARTUR PUBLICOU O ÚLTIMO NÚMERO DE UM JORNAL CASAPIANO.



A terminar os seus estudos, aos 17 anos e três meses, António de Matos Faria Artur editou o n.º 20 do jornal manuscrito «O Justo». Assegurou vinte números de um tipo de publicação que era usual e estimulada dentro da Instituição para exercitar a escrita e leitura dos cerca de 400/450 casapianos que viviam na Real Casa Pia de Lisboa e cujos jornais "passavam de mão em mão". Ser o editor e principal redator era muito prestigiante, pois era ser um (o escolhido) em meia centena de rapazes. Dos cerca de 40 que entraram para a Instituição, em 1889, aquando da inscrição de Faria Artur coube ao montalvanense assegurar a edição deste jornal durante nove meses. E o nome escolhido indica muito da sua personalidade... JUSTO!



O percurso na infância e adolescência deste casapiano revela que é, provavelmente, o montalvanense mais ilustre do século XX. Nascido em 16 de março de 1881, na «Praça» (da República, depois do 5 de Outubro de 1910), órfão de pai aos dois anos e três meses (22 de junho de 1883) e de mãe aos dois anos e sete meses (15 de novembro de 1883) ingressou na Real Casa Pia de Lisboa, em 27 de abril de 1889 (oito anos e um mês de idade), pelo empenho do seu tio João de Matos Faria Artur. Resgatou o Futuro ao Destino. Em 29 de setembro desse ano (1898), cerca de três meses depois da edição do último «O Justo» deixaria a Casa Pia. 


Excerto do "Mestrado em Educação Artística", em 2007, de Helena Cabeleira: «A Auto-Invenção Artística nos Jornais Manuscritos da Casa Pia de Lisboa (1893 - 1929)

A produção de jornais na Casa Pia sempre foi prolifera por ser estimulada e bem sucedida, mas os vinte números de «O Justo» é uma das maiores referências nesta vertente de Imprensa informativa, crítica e ilustrada, em número único que circulava dentro da Instituição. 



A presença de Faria Artur bem como a qualidade e pertinência do que foi publicado e ficou encadernado para a posteridade já anunciava um futuro brilhante e fecundo para este montalvanense que passou de Órfão a Professor e cidadão com valia de excelência na Educação portuguesa.



António de Matos Faria Artur em parceria com outros autores foi responsável pela elaboração de muitos livros didáticos, entre eles os quatro manuais que permitiram alfabetizar, desde a 1.ª até à 4.ª classe, milhares de portugueses durante mais de vinte anos, entre 1929 e 1949, com o livro da 4.ª classe a prolongar-se até meados da década de 60.




Um orgulho para qualquer montalvanense escrever acerca dele.

NOTA: Agradecimento à Casa Pia de Lisboa que facilitou o acesso ao processo do nosso Faria Artur, bem como ao seu vasto espólio. Obrigado
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