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25 abril 2021

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Festa de São Marcos

25 abril 2021 + 0 Comentários
EM 2021 CABE AO EVANGELIZADOR SÃO MARCOS SER O SEGUNDO A SER HONRADO DEPOIS DA PÁSCOA. O PRIMEIRO FOI SÃO SILVESTRE.



Só quando a Páscoa é tardia, São Marcos é honrado antes de São Silvestre...o ser. Em 2019 foi, pois a Páscoa assinalada em 21 de abril "colocou" o São Silvestre a 29 de abril, com São Marcos ao "meio" (quinta-feira).


E de facto é dele o «Segundo Evangelho do Novo Testamento». São quatro os Evangelhos Canónicos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Em questões de Fé interessa pouquíssimo a localização histórica das figuras bíblicas. Ou se acredita ou não se tem Fé. Mas tornou-se hábito fazer "enquadramentos históricos". Pois bem. Diz-se que Marcos nasceu em Cirene (norte litoral da Líbia [clicar]) em 10 a. C. (antes de Cristo) e morreu em Alexandria (Egito [clicar]) por volta de 25 de abril de 68 d. C. (depois de Cristo) vivendo cerca de 80 anos.



Em Montalvão consta que a capela de São Marcos ficava no que foi o quintal do sr. José António Morujo  mas se assim era ficava, praticamente, em frente à igreja de São João (que existiu até aos anos 20) o que é pouco provável embora possível. A Igreja Matriz e a Igreja da Misericórdia ficam em frente uma da outra! 



Na verdade aquando da descrição dos estragos provocados pelo terramoto de 1 de novembro de 1775 a igreja de São Marcos foi referenciada no levantamento realizado pelo Vigário Frei António Nunes Pestana de Mendonça, em 24 de abril de 1758. A curiosidade é que entre Ermidas e Capelas era a única dentro da povoação. Todas as outras ficavam isoladas, ou seja, não havia continuidade de edifícios até junto delas, mesmo a de São Pedro e Espírito Santo, que atualmente ficam dentro do povoado. Em 1758 ficavam no exterior de Montalvão. Isoladas. Havia mais duas junto a «Montes»: Santo André e São Gregório/São Jacinto (Salavessa), além Santo António da Giesteira, entre a Salavessa e o Pé da Serra (São Simão). A Capela de Santo António (ao fundo da Corredoura) anexada para curral, por um Lavrador e a Capela de São João de que há notícias das suas existências e localizações, em meados do século XX (a de São João até deu nome a rua), são posteriores a 1758, pois não aparecem descritas, havendo "apenas" um altar dedicado a São João na de São Marcos. Isoladas continuam (e continuarão) a de Santa Margarida (arruinada), São Silvestre e Nossa Senhora dos Remédios. Três vértices de um triângulo divino e divinal.



A imagem que acompanhava São Marcos era um touro em vez de um leão que é tradicionalmente o animal que lhe está associado.



A «Festa de São Marcos» decorria em 25 de abril e até 1910 foi organizada pela respectiva Irmandade. Dispunha de Bandeira que era levada para a Igreja Matriz conforme era usual nas Irmandades que as tinham, acompanhada pelos «Irmãos» até à capela-mor onde se mantinha durante a Missa cantada. Se a Irmandade tivesse tido um ano bem abonado era contratada - não havendo em Montalvão - uma Banda de música em Nisa ou Castelo de Vide, da qual se destacavam uns executantes para no coro da igreja acompanharem a Missa, tocando e cantando segundo mandava a liturgia.



Quando terminava a Missa e dito o sermão era chegado o momento da entrada do «Touro» na Igreja Matriz, animal bovino que não passava de um bezerro ou novilho oferecido por algum dos lavradores («riques», em montalvanês) em cumprimento de promessa. O animal era conduzido pela coxia central até à capela-mor, junto do andor de São Marcos numa apresentação e era retirado pelo mesmo caminho.



Nem sempre os bezerros ou novilhos sofriam bem bem esta cerimónia de caminhar por entre a massa agitada dos devotos no interior de um edifício com a atmosfera saturada de odor e suor de gente misturados com o perfume do incenso. Muitas vezes o animal excitava-se ou era excitado e havia correria e atropelos com gáudio de muitos.


Passada a agitação organizava-se o cortejo da Procissão acompanhado pela Banda, ou não havendo, pelo "tamboreiro" a tocar cadenciadamente no tambor. Abria a procissão a «Cruz da Paróquia» seguida da «Bandeira de São Marcos», depois vinha o andor, o sacerdote levando a Cruz e na retaguarda os homens. As mulheres, como em todas as Procissões, seguiam em áleas a ladear as insígnias e o andor. O itinerário era o habitual nas Procissões quando acompanhadas por Banda de música, mas era encurtado se ia o "tamboreiro", isto é, ia rua da Barca abaixo, no «Fundo da Rua», virava à esquerda, subia a rua da Costa e voltava, à esquerda, pela rua do Outeiro até à Igreja Matriz.


Martírio de São Marcos em Alexandria, a 25 de abril de 68 (D.C.)

Recolhida a Procissão procedia-se à arrematação dos "ramos" oferecidos a São Marcos, além do bezerro/novilho que era leiloado no «Adro da Igreja». Eram borregos, galos, chibos, carne de porco, enchidos, cereais, legumes, fruta, doces, etecetra, apregoados conforme o uso (em montalvanês, claro): 

«Quem dá mais por este ramo, que está em... (valor em réis ou escudos)... tostões que é para São Marcos bendito?»

À noite havia arraial com concerto pela Banda num coreto armado, bailarico, foguetes, "fogo preso" quando havia verba para despender.

As Mães, cheias de devoção, costumavam fazer-se acompanhar pelos filhos (rapazes) pequenos e dar com a cabeça no "tourinho" junto à imagem de São Marcos, no andor, fazendo a petição:

«São Marcos bendito te faça um bom homem».

Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino
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15 abril 2021

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Proprietários, Lavradores, Seareiros e Jornaleiros

15 abril 2021 + 2 Comentários

EM MONTALVÃO COMO EM TODO O MUNDO RURAL ALENTEJANO.



Mais de 90 por cento das famílias viviam, exclusivamente, dos rendimentos obtidos no espaço rural que envolvia o povoado. Mas era uma repartição muito desigual. Nesses 90 por cento, quase todos dependiam do que podiam e conseguiam fazer a cada dia, em cada jorna. Os restantes (cerca de dez por cento) eram os que tinham um Ofício ou outra atividade como se resumiu (clicar). E até ao início do século XX ainda havia que contar com alguns (poucos) almocreves (clicar).



PROPRIETÁRIOS - Os "riques". Terratenentes detendo mais de metade do território da freguesia. Viviam nas maiores casas, na periferia da povoação - Arrabalde, rua da Barca, rua do Arneiro, início da rua de São Pedro, Corredoura ou perto dela quando Montalvão terminava na rua do Cabo. Tinham quintais que eram autênticas tapadas. Eram servidos nos seus casarões por criadas (muitas viviam a sua vida entre os patrões e patroas) e criados. Nas suas vastas propriedades tinham empregados permanentes, a cuidar dos olivais, montados, searas, vacas, animais de capoeira, varas (de porcos) e rebanhos (ovinos e caprinos). Em épocas de mais trabalho: mondas, ceifas, apanha da azeitona, tiragem da cortiça, por exemplo, contratavam jornaleiros que estivessem livres.



LAVRADORES - Tinham propriedades em extensão suficiente para conseguirem sobreviver apenas da agricultura e pecuária. Empregavam alguns jornaleiros para cuidarem dos rebanhos, lavrarem, semearem, mondarem, ceifarem e trilharem o cereal. Apanhar e transformar a azeitona em azeite. Tirar a cortiça. Cuidar de porcinos aproveitando a lande dos sobreiros e as bolotas das azinheiras. Não "manchavam" as mãos de terra, lama, trabalhos agrícolas ou pecuários. Mandavam. Em épocas de mais trabalho: mondas, ceifas, apanha da azeitona, tiragem da cortiça, por exemplo, contratavam jornaleiros que estivessem livres. 



SEAREIROS - Lavradores com capacidade (e vontade) para semear mais hectares de searas para a dimensão das propriedades que detinham. "Alugavam" superfície a Proprietários que, pelo contrário, tinham mais hectares para searas que capacidade em utilizar toda a superfície disponível. Em troca pagavam esse "aluguer para semear trigo, centeio, cevada ou aveia" em bens, geralmente, uma parte dessa produção que obtinham depois da ceifa e debulha. Tudo isto porque o "Mercado da Terra/Tapadas" era inexistente. Quem tinha, mesmo que não tivesse capacidade e vontade de as cultivar ou necessidade/interesse, não tendo dívidas avultadas não se desfazia das propriedades, pois era um desprestígio vergonhoso ceder terrenos dos seus antepassados. 



JORNALEIROS - Eram a maioria. Esmagadora. Dependiam do trabalho que os Proprietários e Lavradores lhes pagavam. Muitas vezes era nas tabernas ou um que informava outro que havia trabalho no(s) dia(s) seguinte(s). Uma enorme falange de gente pobre que muitas vezes eram tratados como se fossem mais um rebanho, só que de gente. Autênticas «almas mortas», servos a necessitar de um pedaço de pão ou meios para o comprar.


Havia ainda quem tivesse um ofício e que dispusesse de pequenos espaços agrícolas, geralmente herdados, de algum casamento com filhas de Lavradores (raramente de Proprietários, pois estes casavam entre eles, para manter a posse de muitos hectares de terreno). 


Vai ser a emigração e a migração, em meados do século XX, para a Área Metropolitana de Lisboa, com destaque para São Domingos de Rana e Bobadela, que vai por fim a este mundo agrícola iniciado aquando da formação do povoado no final do século XIII. Os jornaleiros e seus filhos (condenados a serem jornaleiros, nascendo pobres e morrendo pobres) aproveitam a oportunidade da haver melhores condições de deslocação, nas ligações de Montalvão para lá da povoação. E o apoio dos que saíram primeiro acolherem os que queriam sair depois. Abandonam Montalvão indo viver (e trabalhar) para onde podiam singrar na vida, eles e os seus descendentes. A «Vila» passa a ser saudade. Os «riques» depois do cruzamento constante de laços de consanguinidade têm gerações incapazes de resolver o novo problema - por vezes, alguns «Proprietários» nem descendência tiveram - a falta de Jornaleiros. A mão de obra alheia para permitir acumular bens/receitas. Sem condições para saber o que fazer, como mudar, fazem extinguir a classe dos montalvanenses mais abastados. Alguns dos familiares dos «riques» sobrevivem, na atualidade, por terem "ido casar" fora do povoado, mas já sem ligações ao Mundo Rural Montalvanense. 


Assim se foi construindo (e desconstruindo) Montalvão

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11 abril 2021

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Romaria ao São Silvestre

11 abril 2021 + 2 Comentários
UMA DAS MAIS ANTIGAS TRADIÇÕES DOS MONTALVANENSES.



A Romaria à ermida de São Silvestre já no termo sul da freguesia de Montalvão e do concelho de Nisa praticamente junto à povoação de Póvoa e Meadas (concelho de Castelo de Vide). Esta localização era causadora de forte rivalidade entre as populações das duas localidades.


A azinhaga entre Montalvão e a aldeia de Póvoa e Meadas era praticamente uma linha reta com passagem pela notável «Fonte Ferranha» de boa água e pitoresca construção nessa azinhaga - nas invernias rigorosas impossibilitada a carros de muares e carroças de asininos - onde está a Ermida de São Silvestre. Depois aquando da implantação da estrada municipal esta foi desviada, aproveitando o secular caminho de "todo o ano e para veículos de tração animal" pouco depois de Montalvão e pouco antes de Póvoa e Meadas, para Leste a fim de evitar a construção de um pontão sobre o ribeiro de Fevêlo. A estrada está construída na linha de festo ou topo drenando os terrenos para a ribeira e São João a Leste e a Oeste para o ribeiro de Fevêlo. 

É provavelmente a manifestação religiosa mais antiga de Montalvão com origem nos Templários, pois:

1. No interior da ermida, na pedra de cantaria no centro da abóbada, está talhado o símbolo da Ordem do Templo;

2. A romaria realiza-se no primeiro domingo seguinte ao de Páscoa quando a Igreja Católica convencionou 31 de dezembro como o dia dedicado ao Papa que mártir se tornou santo, morrendo em 31 de dezembro de 335. Mas com culto ancestral cada ramo da Cristianismo celebra o Santo Papa em dias diferenciados. O culto montalvanense deve ser anterior ao dia definido pela Igreja Católica Apostólica Romana;   

3. Certamente que no local já existiria um culto romano, até anterior, talvez pré-histórico com demasiada importância e significado para ser reconvertido em culto cristão.



São Silvestre
Foi figura importantíssima nos primeiros tempos do Cristianismo, principalmente a nível político. Como 33.º Papa, entre 31 de janeiro de 314 e 31 de dezembro de 335, foi durante o seu papado, de 31 anos, que o Imperador Constantino se converteu ao Cristianismo (ano de 317) e este passou a ser a religião do Império Romano (oficialmente em 27 de fevereiro de 380). Silvestre nasceu próximo de Roma, entre 270 e 285.



Romaria religiosa
Na véspera, sábado, um dos festeiros percorria as ruas de Montalvão a pedir donativos para as despesas a que os festejos obrigavam fazendo-se ouvir:

«Dai esmola a São Silvestre
Para que nos livre da peste
E dos maus vizinhos de ao pé da porta»

Além das esmolas em dinheiro (pouco mais que tostões). A gente pobre da aldeia oferecia um galo e os lavradores davam um borrego ou um chibo; havia outras ofertas como bolos e vários géneros, tudo para ser leiloado e arrematado no dia seguinte.
Na manhã do Domingo de Pascoela, o Festeiro desse ano acompanhado dos seus auxiliares, saía de sua casa empunhando a Bandeira de São Silvestre desfraldada, todos com os chapéus enfeitados com flores e nas lapelas dos casacos, pregadas com alfinetes, fitas de várias cores. As mulheres esmeravam-se com roupa garrida e florida.
Com o tamboreiro à frente a rufar no tambor, seguiam a pé pelas ruas até onde era considerada a saída de Montalvão, onde se construiu o posto da Guarda Fiscal. Ali os aguardavam os meios de transporte, carros ou alimárias que os levariam por aquela antiga azinhaga mal cuidada até à ermida, a uns cinco quilómetros de Montalvão (mas a dois da Póvoa e Meadas). Antes de ocuparem os seus lugares nos carros ou montarem nas cavalgaduras, a Bandeira era desenfiada da vara que fazia de mastro, dobrada e resguardada para evitar qualquer dano.




O caminho era assinalado pelos inúmeros devotos que, a pé ou transportados, desde cedo partiam aos grupos, cada um nos seus garridos trajes de festa, levando os seus farnéis.
Chegados à ermida, o Festeiro e companheiros apeavam-se, armavam a Bandeira e com ela erguida cumpriam a praxe tradicional de dar três voltas ao redor da capela, rogando a São Silvestre que nos livrasse da fome, da peste e dos maus vizinhos de ao pé da porta. A seguir entravam na ermida para assistirem às cerimónias religiosas que então começavam.
A componente religiosa, com a capelinha a transbordar de fiéis, constava de Missa e Sermão. Finalmente a Procissão que também dava as três voltas ao redor da ermida. Recolhida a procissão consideravam-se terminadas as cerimónias da igreja e chegada a hora de comer os farnéis.



Romaria popular
Nos terrenos próximos continuava a festa. Começavam a ouvir-se os gritos dos leiloeiros apregoando os ramos:

«Quem dá mais por este ramo, que está em... (tantos)... tostões que é para São Silvestre bendito?»



O produto da venda dos ramos concorria para fazer face às despesas com a festa. Em 2021, a romaria é a 11 de abril. Em 2022, será a 24 de abril. 



A Banda de música, contratada somente quando as disponibilidades financeiras o consentia, tocava num coreto improvisado as peças do seu repertório. Não havendo Banda uma concertina chegava para armar um baile para rapazes e raparigas de Montalvão e povoações vizinhas, chegando até bem longe, como Castelo de Vide e Nisa. Não havia ano em que não houvesse zaragata, com pedrada e paulada, geralmente entre montalvanenses e povachos, tal a rivalidade.


Há uns anos quis visitar a Ermida e tive sorte pois vinha da Póvoa e Meadas, de automóvel, entrando pelo caminho, bem arranjado, de terra bem batida. Chegado à Ermida e dando as habituais três voltas decidi continuar em frente, rumo a Montalvão. A minha mãe - experiência conta muito - bem me disse que a ideia não seria a melhor. O caminho foi-se degradando, passando a azinhaga mal cuidada, passei à Fonte Ferranha e depois... acabou-se. Fiquei com o automóvel no meio de canchos, ponedros, xaras (até é um Citroen Xara, mas não é uma xara) e com umas vacas a espreitar. Lá encontrei um piso mais duro - felizmente já nada está, por ali lavrado, muito menos semeado - e dei com a cancela que dá para a estrada de ligação a Montalvão. Como já passaram uns seis anos, espero que o caminho do lado de Montalvão esteja, pelo menos, tão bem tratado como está do lado de Póvoa e Meadas. 

Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino


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07 abril 2021 + 2 Comentários

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