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30 novembro 2022

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Festa de Santo André

30 novembro 2022 0 Comentários

 A 30 DE NOVEMBRO, OS HABITANTES DO MONTE DE SANTO ANDRÉ ASSINALAVAM O SEU SANTO PADROEIRO. AS FESTIVIDADES INICIAVAM-SE COM O PÔR DO SOL A 29 DE NOVEMBRO, POR VOLTA DAS 17 HORAS.


Era uma festa bem popular e que se "perdia no tempo" o início da consagração do Monte a Santo André. Nos Anos 40 e 50, a taberna do Cananã, na rua do Meio (no topo, contrário ao local da Capela), brilhava com deslumbramento, embora a Capela estivesse em ruínas. Em 2019, retomou-se a tradição junto à Capela.



O Santo André, em 1758, não devia ter qualquer habitante pois não aparece nomeado junto aos seis lugares referenciados pelo Vigário Frei António Nunes Pestana de Mendonça, existentes no concelho de Montalvão: Monte de Rollo, Monte do Pégo do Bispo, Monte do Amaro Fernandes, Monte do Pombo, Monte da Salavessa e Montalvão.


Em relação aos edifícios religiosos, a pergunta é:



(Transcrição) «Se tem algumas Ermidas, e de que Sanctos; et estam dentro, ou fora do Lugar, e a quem pertencem?»


A Ermida de Santo André merece destaque no citado inventário:


(Transcrição) «As Ermidas, quem dentro da Villa, hé somente a de Sam Marcos, que tem altar próprio, que tem Irmandade, e nada de renda; tem outro altar em Sam Joaõ Baptista; outro de Santa Maria Madalena, que naõ tem Irmandade nem renda = Fora da Villa tem Igreja do Espírito Santo, que tem Mordomos, e algumas rendas = Tem mais a Igreja de Sam Pedro, quem Mordomos, e alguma renda = tem mais a Igreja de Santa Margarida, que naõ tem Irmandade, nem renda = Tem mais a Igreja de Santo André Appóstollo, que também naõ tem renda, nem Irmandade, e somente no seu dia se lhe canta uma missa por conta das rendas, que deixou Frey Pedro Carrilho ao hospital =» 

Tudo indica que a Capela fosse mesmo, durante muitos anos, uma Ermida, ou seja, um edifício de culto cristão localizando-se num lugar ermo, que não era habitado. 


E ficava no caminho entre Castelo de Vide e Castelo Branco, e vice-versa, pela Lomba da Barca (para atravessar o rio Tejo) pois no traçado viário da localidade cruzava o Arrabalde, rua da Barca, prolongando-se pela rua das Almas e azinhaga que se seguia até ao caminho para a «Senhô Drumédes».

Instituto Geográfico e Cadastral; secção CC (Montalvão); escala 1/5 000; Campanha de 1959


Junto à Ermida foi surgindo um aglomerado de habitações. As pessoas, as casas, as famílias, o bulício, ou seja, a vida dos habitantes do Santo André, surge depois de 1758. Bem depois! No final da primeira década do século XX já há registos de batismo com crianças nascidas no lugar do Santo André! O Santo André, em 1940, tinha mais de duas centenas de habitantes.


No Recenseamento de 1940, no Santo André, habitavam 240 pessoas - 119 homens e 121 mulheres - que pela meia-noite de 12 de dezembro ocupavam os 65 fogos; NOTAS: Fogos = edifícios para habitação; V - Varões/Homens; F - Fêmeas/Mulheres; VF - Totais


O Santo André (durante decénios Monte de Santo André) era o lugar da gente mais pobre dos pobres de Montalvão. Hoje está deserto. Mas há sempre histórias, mesmo em lugares hoje desertos mas que já estiveram a abarrotar de montalvanenses.



A Festa de Santo André começava ao pôr-do-Sol de 29 de novembro com folguedos vários para na manhã seguinte (30 de novembro) haver missa, na Capela, consagrando o Santo protetor à sombra do qual se foi organizando um pequeno povoado.




Irmão de Simão (depois batizado Pedro por Jesus), Santo André foi um dos primeiros apóstolos de Jesus, a par de João, fazendo a apologia da grandeza da cruz de Cristo depois da crucificação do Messias. Instigado a renegar o que pregava e passar a adorar os deuses dos Romanos, negou sendo condenado a morrer crucificado numa cruz em forma de "X". Quando foi condenado doou os seus bens aos carrascos e aceitou a crucificação, agonizando durante dois dias em grande sofrimento finando-se, em 30 de novembro do ano 60.  


Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino. 


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