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03 maio 2021

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Tira Maias

03 maio 2021 + 1 Comentários
UMA DAS POUCAS TRADIÇÕES PRÉ-CRISTÃS EM MONTALVÃO QUE RESISTIU ATÉ AO SÉCULO XX.



A tradição das e para as «catchópas», em montalvanês ou raparigas, em linguagem "grave".

Um rito de Primavera. Um rito de passagem da adolescência para a idade adulta.




No dia três de maio, dia de Santa Cruz, havia o hábito ancestral de «TIRAR AS MAIAS».

As raparigas solteiras faziam cada uma o seu ramo de lindas e variadas flores, a «MAIA», e iam levá-las a casa da pessoa que amavelmente cedia uma sala para a festa da «Tira Maias». Anualmente variava o local. Chegava a ser realizada, também, na via pública: largos, cruzamentos, Adro ou na «Corredoura». 

Logo pela manhã, a meio da sala era colocado um alguidar grande onde as raparigas colocavam as suas "maias" devidamente assinaladas para se saber a quem pertenciam.

Tripeça ou «moutches» em Montalvão

De tarde as raparigas juntavam-se todas na sala. No meio do alguidar uma rapariguinha era sentada numa «trupéça» (com cortiça) ou «moutche» (de madeira de azinho ou sobro) vestiam-lhe uma rodada saia de mulher com o cós atado em volta do pescoço e a roda aberta de modo a cobrir o alguidar escondendo as «maias» que lá estavam. As raparigas tocando adufes e almofarizes circulavam em volta com passo de dança, cantando:

Com bem venhas, Maio
Por esses outeiros
Dando o grão ao trigo
E a lã aos carneiros

E logo a seguir:

Tira, tira a Maia,
A Maia de flores.
Tira tu, Maria
Tira os meus amores.

P' ra que Deus me dê
Um amor .... (sapateiro ou carpinteiro ou ferrador ou etecetra)
P' ra bincar com ele
No mês de janeiro

Ou:

Tira tu, Maria
Tira os meus amores
Com quem brincar
Em manhã de flores.

P' ra Deus me dar
Um amor doutor
Com quem eu brincara
Em manhã de flores.

A pequenita, debaixo da grande saia de mulher, tirava ao acaso uma das «Maias» que logo era reconhecida pela autora, que ficava desta forma conhecedora da profissão do futuro marido. A pequenita que tirava as «Maias» ganhava depois a maior, o «Maião».




Neste dia também era usual ornamentar de flores e alecrim o Cruzeiro em frente da ermida de Nossa Senhora dos Remédios («Senhô-Drumédes», em montalvanês).

E assim se fez Montalvão...
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