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16 julho 2019

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E Depois do Adeus (1212)

16 julho 2019 0 Comentários
A BATALHA DE NAVAS DE TOLOSA VEM DAR ESTABILIDADE À HERDADE DA AÇAFA POIS AFASTOU OS ALMÓADAS DA REGIÃO. 



A Herdade da Açafa era terra inóspita que foi cedida, em 5 de julho de 1199, por D. Sancho I à Ordem dos Cavaleiros do Templo. Pela carta de doação não há povoações, pois não constam referências, sendo os limites estabelecidos pelos acidentes naturais: linhas de talvegues (rios e ribeiras) e linhas de festos (montes e serras). O objetivo era que os poderosos Cavaleiros Templários a povoassem ocupando assim território infiel (islamizado) e fosse um obstáculo ao poder do Reino de Leão que podia conquistar território para Oeste "fechando" numa bolsa o jovem Reino de Portugal que perderia espaço para se expandir para Sul. 


Ibéria cerca de 1157. Em 1212 estava praticamente na mesma embora o Reino de Portugal conseguisse expansão pelo litoral sul mantendo a linha natural do rio Tejo como fronteira estabilizada entre Lisboa e Alcântara (os Almóadas já não conseguiam provocar perda de território na margem direita) e o território da Açafa, a sul do rio Tejo e a Oeste de Alcântara permitia empurrar os muçulmanos para longe da margem esquerda bem como marcar presença num território em que Reino de Portugal e Reino de Leão se juntavam numa fronteira tripartida com os Almóadas

Não havia aglomerados com demografia mínima que justificassem a existência de povoações no vasto território da Herdade da Açafa pois era quase "Terra de Ninguém". Umas vezes trespassado pelos Almóadas, outras pelos Templários havia pouca população que se sujeitasse a tantas escaramuças. A «Batalha de Navas de Tolosa», em 16 de julho de 1212, passam hoje 807 anos, vem mudar, para sempre, a instabilidade constantemente latente e demasiado real. O território passa a ter mais segurança e começa a povoar-se com o surgimento de muitas localidades, entre elas num Monte Ermo surge Monte'alvam

Os limites prováveis utilizando linhas retas e pontos de referência descritos na carta de doação do território da Açafa cedida, em 5 de julho de 1199, por D. Sancho I à Ordem dos Cavaleiros do Templo. Não são descritos aglomerados populacionais mas apenas acidentes naturais como rios, ribeiras, cabeços e picos de serras

Os Cavaleiros da Ordem do Templo foram importantes, tal como todos os cristãos com capacidade e hábitos guerreiros, para unidos derrotarem os Almóadas na «Batalha de Navas de Tolosa». E entre todos, os Templários eram aqueles que pelejavam contra os muçulmanos e estavam de olho nos leoneses, ou seja, deambulavam pelo território da Açafa, sendo aliados fundamentais para o Rei de Portugal, D. Afonso II poder cumprir o seu papel junto dos outros Reis da Ibéria (Castela, Aragão e Navarra) que afrontaram e dizimaram os muçulmanos. Os Cavaleiros Templários que defendiam a Açafa tinham frequentes escaramuças com os Almóadas, conhecendo bem o modo como estes combatiam e se escondiam, as suas estratégias bélicas e manhas que utilizavam. Poucos ou ninguém estavam tão treinados para combater os muçulmanos como os cristãos que cavalgavam pela Herdade da Açafa. O rei de Leão, rival de Castela, recusou-se a combater. Afonso IX cometeu um erro histórico. O Reino de Leão acabaria com a sua morte em 1230. O Reino de Leão terminou unido ao de Castela. 



O Reino de Portugal, através do seu monarca D. Afonso II não participa diretamente na «Batalha de Navas de Tolosa» mas o Rei de Portugal envia uma parte do seu exército regular e a elite militar entre as forças componentes das Ordens do Templo, Santiago, Hospital e Avis (Calatrava) para auxiliar o rei de Castela, D. Afonso VIII. A comandar os Cavaleiros do Templo - os mais experientes em escaramuças na Açafa com os Almóadas -  estava o Grão-Mestre Gomes Ramires eleito por reunião do Capítulo-Geral no início de 1210, ainda com D. Sancho II como Rei de Portugal. Em 26 de março de 1211 é aclamado rei, D. Afonso II que continua a ter confiança no Grão-Mestre. 

A ação dos Cavaleiros Templários na Herdade da Açafa dava-lhes um domínio sobre a "Arte da Guerra com os Almóadas" que os tornavam peritos em conquistar praças. Depois de pelejarem em Navas de Tolosa ainda foram «passar a fio de espada e picada de lança» uns quantos muçulmanos nas vizinhas Baeza e Úbeda. Talvez se tenham ficado só por aqui pois o seu Grão-Mestre (D. Gomes Ramires) acabaria por morrer em Úbeda

Os cristãos têm total sucesso na batalha, em 16 de julho de 1212, há precisamente 807 anos, mas há baixas mortais entre muitos cavaleiros portugueses (e não foi um acaso, pois Castela soube valer-se da ausência do Rei de Portugal para colocar a elite militar portuguesa no frente de combate), mesmo Mestres de várias ordens. D. Ruy Diaz de Yanguas, Mestre da Ordem de Calatrava... morre. D. Pero Árias, Mestre da Ordem de Santiago... morre. 


Os cavaleiros da Ordem do Templo eram peritos em perceber como combatiam os Almóadas pela frequência com que mediam forças com eles na «Herdade da Açafa»

D. Gomes Ramires parece ter ficado ferido - as fontes divergem, há quem afirme que morreu três dias depois devido aos ferimentos - mas também se conta que antes de regressar a Portugal participa em duas refregas com cerco a duas Praças (localidades) Almóadas. Logo um dia depois da famosa batalha tem sucesso no cerco de Baeza (17 de julho) mas em Úbeda, a 25 de julho, nove dias depois da grande batalha é ferido mortalmente na escalada das muralhas para conquistar a Praça. O seu corpo é trazido para Portugal e sepultado em Tomar, na igreja de Santa Maria dos Olivais. 



Os entendidos entenderão. Mesmo em terreno favorável ao inimigo (que estava instalado numa elevação) a «União Cristã» foi imparável. Os "infiéis" que não morreram na refrega, morreram na perseguição durante a fuga. Nenhum lugar era seguro para os Almóadas naquele glorioso 16 de julho de 1212.




Depois da «Batalha de Navas de Tolosa», a estabilidade territorial permitiu aos Cavaleiros Templários fundar duas vilas (Nisa e Montalvão) e mais tarde ter duas comendas (Alpalhão e Arez). É provável que a boa localização geoestratégica de Nisa tenha dado a esta a primazia de surgir na Açafa, com Montalvão logo a seguir numa posição privilegiada de acesso à margem norte do rio Tejo pela Lomba da Barca. Em 1199 (aquando da doação da Açafa) não existiam. Em 1212 certamente que não. Nisa (Nissa) parece ter sido fundada, entre 1229 e 1232, em território templário por colonos franceses da região de Nice, começados a arribar a Portugal (arredores de Lisboa e Sesimbra) por volta de 1209. Montalvão ainda mais tarde. Arez e Alpalhão muito mais tarde. Povoados em território da Ordem dos Hospitalários, como Tolosa e Amieira ainda mais.


Máxima expansão dos Almóadas até 16 de julho de 1212. Depois da derrota em Navas de Tolosa foi sempre a perder território.

O pouco espaço humanizado eram pequenos núcleos de famílias ocupando propriedades vastas, entre o rio Tejo, a ribeira de Nisa e o rio Sever (até mais longe, mesmo a ribeira de Calatrucha ou o rio Salor) ainda de fisionomia romana, terras muito pouco férteis, difíceis de cultivar e trabalhar, por isso de horizonte distante, muitas vezes abandonadas por ocupações sucessivas entre visigodos não cristãos e convertidos ao Cristianismo, muçulmanos e depois entre estes e cristãos, com destaque para os Templários. Após este 16 de julho de 1212 tudo muda com o território pacificado por se terem afastado os Almóadas para o Sul. Definitivamente!



O que é certo é que a fundação de Montalvão faz-se quando era território templário e já estava livre das escaramuças entre cristãos e muçulmanos. Muitas crianças iam nascendo, entre os gentios que acompanhavam os Cavaleiros Templários, no território da Açafa. 

Um Monte Ermo até meados do século XIII passaria a Monte'alvam. Isso é certo!

NOTA: O texto e tradução da Doação da Herdade da Açafa já foi publicado neste blogue (clicar) (clicar)
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