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12 dezembro 2020

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Os Bens Paroquiais de Montalvão em 1911

12 dezembro 2020 2 Comentários

EM MONTALVÃO TAMBÉM SE CUMPRIU A LEI DE SEPARAÇÃO DO ESTADO DAS IGREJAS.


Com a implantação da República (5 de outubro de 1910) foi elaborada pouco tempo depois (20 de abril de 1911) a Lei  (clicar) para separar os bens da Igreja (Católica) do Estado português. Em Montalvão, o inventário foi executado por uma comissão que reuniu no Verão de 1911.


Interessante foi a comissão nomeada para fazer a inventariação, o inventário pormenorizado (permite perceber uma acumulação de bens ao longo de seiscentos anos), empréstimos de esmolas/dádivas não registadas e uma espantosa declaração do pároco da freguesia que não intimidou o seu desacordo com o que considerava ser o poder profano a "espiolhar" o sagrado.


A Comissão criada pela República para fazer o inventário dos bens da Igreja existentes na Paróquia de Montalvão: João de Souza Bagorro (Administrador do Município após o afastamento do presidente da Câmara que presidiu a esta Comissão), António Louro Miguéns (presidente da Junta de Paróquia de Montalvão e figura importante de Montalvão e...Pé da Serra que merecerá destaque neste blogue pelo que foi e permitiu que Montalvão, também, fosse) e António José Nunes Sobreiro (secretário da Fazenda de Nisa e que secretariou esta Comissão). O Regedor de Montalvão foi afastado após a Implantação da República, embora pertencendo a uma das famílias de terratenentes da Vila


Além de se conhecer o que era (ou não da Igreja) - havia Ermidas/Capelas que pertencendo à Diocese de Portalegre, eram de "privados". Além disso, pertencia à "Igreja" uma pequena casa na rua da Costa, arrendada.



A habitação pertencente à Igreja, alugada na rua da Costa a João Martins, em 1911. Durante os Anos 40/50 Lar da família da Xá Semeda


A residência do pároco da freguesia/paróquia bem descrita no inventário de bens


Nos artigos 119 ao 124 há uma descrição de  "Capitais que se averiguaram terem sido mutuados pelas mordomias, de diversos annos e Santo António e da Senhora as Mercês, mas que não apareceram documentos, sendo porém as dívidas confessadas pelos próprios devedores na presença das testemunhas António Pedro Carrilho, António Louro Miguéns e João Miguéns de Mattos".


E a declaração do pároco de Montalvão em anexo no final do inventário. Perante um poder anti-clerical o padre Virgílio teve um comportamento exemplar.


Virgílio Diniz d'Oliveira, Parocho cerrado? da Freguesia de Nossa Senhora da Graça de Montalvão, conceelho de Niza, Diocese de Portalegre, declara que a Igreja pelos seus ministros e pelas corporações ecclesiásticas canonicamente eleitas pertence em bom direito a posse, uso, guarda e administração dos templos, alfaias, bens móveis e imóveis destinados ao exercício do culto catholico. Em presença do acto  que vou proceder outrosim declara o signatário não ser intuito seu desacatar a autoridade civil; não cedendo à força de nenhum modo. Colabora nas operações do presente inventário, antes em nome da liberdade religiosa, protesta contra ele perante V.Exª, considerando uma violência attentatória aos direitos legítimos da Igreja, assim requer e pede a V.Exª se digne receber e fazer juntar este protesto aos autos do arrolamento depois de nelles devidamente transcripto:

Montalvão 10 de agosto de 1911
Virgílio Diniz d'Oliveira


Em 11 de agosto de 1911 foi concluído o inventário para saber quais e que tipo de bens detinha o Clero em Montalvão (clicar para relatório dos bens da Igreja em 1911).


Rua do Arrabalde no prolongamento da estrada de Nisa no seguimento da rua de «Sam Júan», depois do entroncamento entre estas duas ruas e a do Arneiro (à esquerda) e das Portas de Baixo (à direita, para o rio Sever)


Assim se foi fazendo Montalvão

2 comentários blogger
  1. Os Minguéns já eram pessoas importantes de Montalvão...

    A última foto é a Rua das Almas vistas do fundo da rua, certo?

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    1. Não. Os Miguéns tinham pouca importância. Os importantes em Montalvão eram os Faria, Fraústo, Louro, Pimentel, Morujo, Moura, Relvas... Esse Miguéns nem se sabia que o era, pois conheciam-no por António Louro. Aliás lá no topo era a casa dele, herdada da avó materna e que depois deixou para a filha mais nova, a Dona Zulmira. Em Nisa, sim! Até têm direito a estátua. Só no concelho de Nisa, Miguens tem grafia Miguéns, com acento. A última foto é do fundo do Arrabalde. Vou colocar uma foto com cem anos de diferença.

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