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14 janeiro 2022

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As Três Fontes

14 janeiro 2022 0 Comentários

AS   TRÊS FONTES   ERAM O PRINCIPAL RESERVATÓRIO PÚBLICO DE ÁGUA POTÁVEL EM MONTALVÃO (ANTES DO SISTEMA DE CANALIZAÇÃO) ATÉ 1965.



Eram de importância excelsa por muitos motivos: acessibilidade. quantidade, funcionalidade e qualidade, por exemplo. Eram as melhores em cada aspecto? Não. Mas eram as melhores no conjunto destes quatro (e até mais) virtudes ou facilidades.



Todas tinham água com qualidade para poder ser guardada num pote em casa para consumo diário, mas a água da «Fonte Grande» era a preferida pois tendo a qualidade da água da «Fonte de Mato» ou do Chafariz de Santa Clara ficava muito mais próxima da «Vila». 


1. Chafariz de Santa Clara


O conjunto das «Três Fontes» tal como o «Chafariz de Santa Clara» e a «Fonte de Mato» localizam-se na pequena sub-bacia hidrográfica da «Rebêra da Marí Neta» embora as «Três Fontes» estejam na nascente. Seria este facto que permitiu tornar sustentável um povoado como Montalvão entre final do século XIII e início de XIV. A «Marí Neta» tem origem no local onde na primeira década do século XX surgiu o «Monte do Santo André» a montante (Oeste) das fontes.




As «Três Fontes» num tempo em que não havia água canalizada (só em 1965 e por diante...) provocavam um corrupio de «catchópas» com infusas, bilhas e cântaros à cabeça todo o dia, do nascer ao pôr do sol. No final do Verão a escassez de água era problemática. Havia sempre quem aprendesse a "desenrascar-se". Colocava-se um ponedro lavado num dos lados do «caldêre» que se fazia descer, na vertical, até ao fundo das fontes onde brotava a nascente a borbulhar esperando que fosse enchendo. Depois era apenas puxar - não se podia "bandear" para não perder a pouca água - para subir na horizontal com a água e o ponedro dentro do caldeiro. 



Eram geralmente as «catchópas» (entre os 14/15 e os 19/20, se ainda solteiras) que estavam encarregadas de zelar para que não faltasse a água em cada casa. Por vezes eram necessárias duas fiadas - de manhã e ao final da tarde - em tempo de famílias numerosas ou alguma festa )batizado e/ou casamento).


A «Fonte do Ouro» por ficar mais perto do «Santo André» era muito utilizada pelos seus habitantes. Quando o Santo André atingiu o seu apogeu demográfico, por volta de final dos Anos 40, com cerca de 80 habitações e 300 pessoas, praticamente tinha essa fonte por conta do pequeno povoado. 


A «Fonte D'Ouro» era a mais larga mas a menos funda.



A «Fonte Grande» tinha a melhor nascente - durava até mais tarde na estiagem de setembro - sendo água boa para beber e cozinhar. Era a mais profunda, quase o dobro - em profundidade, não em largura - da «Fonte D'Ouro».




A «Fonte Nova» tinha um problema. Era a dos suicídios o que tornava problemático beber água que era "tabu". Água geralmente utilizada em limpezas embora quando escasseasse a da «Fonte do Ouro» e da «Fonte Grande» sempre se cozinhava. Beber é que só para os mais afoitos. 

 



A funcionalidade - ladeira entre a povoação e as fontes - mas com pouca inclinação e de vasilhame cheio - infusas, bilhas ou cântaros - atestados era sempre a subir ladeira acima ainda que com pouca inclinação o que facilitava o trabalho e evitava partir muito vasilhame, mas de quando em vez adeus (ainda que houvesse sempre uma mão a apoiar o vasilhame de barro).



As «Três Fontes» eram um sistema que permitia ter água de boa qualidade - embora inferior às fontes de terrenos de areia, cascalho e ponedros (arcozes) mas a acessibilidade era pedestre enquanto as melhores só utilizando animais com angarelas ou mesmo carroças e carros de parelhas.



Depois havia a Fonte Cerêja» com água salobra para matar a sede a animais e limpeza doméstica, com lavagens das casas e outras dependências.



A roupa lavava-se nas barrocas, ribeiras e ribeiros quando tinham bom caudal, entre o final da Primavera e o início da Primavera. No rio Sever - - durante o Verão ou quando deixava de haver condições nas linhas de água da sub-bacia da Marí Neta (a Norte) ou do Ribeiro do Pontão/Feguêra Douda» e Palmeirinhas (a Sul).



Assim se sobrevivia em Montalvão, embora existissem alguns poços privados e muitas outras fontes - de bica, cisterna ou profundidade, além de chafarizes (com pia anexa para o gado) no vastíssimo território montalvanense que permitiam trazer água quando a família ou algum familiar tinha de «ir ao campo».



Assim se foi fazendo Montalvão.


Próxima paragem: A Fonte Souriça e a Fonte Judia (a sul da povoação) ou a «Marí Neta» que merece bem ser destacada, com o seu barulhinho delicioso, as suas "barrelas" e roupa/linho a "corar". Há tanto e tudo tão bom por onde escolher!

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