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29 maio 2021

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Tripeça e Tropeça

29 maio 2021 0 Comentários

AMBOS ASSENTOS - EM LINGUAGEM À GRAVE, OU SEJA PARA LÁ DOS ARRABALDES DA VILA - "PEÇAS DE MOBILIÁRIO". SÃO BANCOS DE ASSENTO CUJA ORIGEM DE ENCONTRA PARA LÁ DA MEMÓRIA DO PASSADO.




Os nomes são curiosos um de enganador e outro de confirmação. A origem também. Tripeça até parece um objeto/utensílio constituído por três peças mas não é. Apenas uma, de madeira compacta, até seria numa nomenclatura "à letra" - Tripés - e outra, feita de cortiça, dava mesmo para nela se tropeçar além da sua finalidade...servir de assento cómodo.

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23 maio 2021

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Festa do Espírito Santo

23 maio 2021 0 Comentários
A PRIMEIRA GRANDE CELEBRAÇÃO A ANTECIPAR O MÊS DE MUITAS FESTIVIDADES POPULARES: JUNHO.


A festa do Espírito Santo, em Montalvão, era simples mas plena de significado e sentimento com Missa cantada e sermão. A procissão era uma impossibilidade pois a imagem da Santíssima Trindade é de pedra-mármore e por isso, praticamente, impossível de ser transportada em função do peso.



A capela do Espírito Santo foi construída no final da Corredoura, largo retangular onde se organizaram durante décadas, dos Anos 30 até finais do século XX, as principais festas da aldeia. Corredoura a caminho da outra localidade da freguesia, a Salavessa. Caminho de azinhaga desativado com a construção da estrada nova em macadame e depois alcatroada.  


O Espírito Santo é comemorado como Pentecoste, ou seja, cinquenta dias depois da Páscoa, estando descrito no Antigo e Novo Testamento (clicar). 

Em 2022 será a 5 de junho.


No dia da festa, o tamboreiro rufando no tambor dirigia-se à casa do Festeiro, entre uma a duas horas, antes de se iniciar a Missa. Nessa casa ambos aguardavam a chegada dos membros da Mesa e mais festeiros auxiliares.

Assim que todos estavam reunidos, iniciavam a marcha solene para a capela do Espírito Santo com a seguinte ordem: à frente o Tamboreiro, depois o Festeiro com a Bandeira, seguido do Juiz com a Vara e os restantes festeiros.



Chegados à capela era cantada a Missa durante a qual e no momento da leitura do Sagrado Evangelho, era nomeado o Festeiro para o ano seguinte. Os cargos de Juiz, Tesoureiro e Escrivão tinham a validade para três anos consecutivos. No final, era realizada a arrematação dos ramos, no adro plano ao nível do arruamento, frente à capela.

À tarde, o Festeiro cessante, com o cerimonial do costume, ia entregar a Bandeira a casa do seguinte e imediato Festeiro, onde era guardada com todo o esmero, até Domingo de Páscoa, do ano seguinte e Festa do Espírito Santo.



Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino
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13 maio 2021

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Dia da Espiga

13 maio 2021 0 Comentários
NA QUINTA FEIRA DE ASCENSÃO OS MONTALVANENSES NUNCA SE ESQUECIAM DE RECOLHER E COMPÔR UMA BONITA MAIA COM AMPLO SIGNIFICADO.



Era popularmente conhecido como o «Dia da Espiga». Assinala-se 40 dias depois do domingo de Páscoa anunciando a «Sagrada Ascensão de Jesus Cristo para junto de Deus onde está à sua direita».  



Em Montalvão, até meados dos Anos 40, havia duas missas dedicadas a consagrar a «Ascensão do Senhor». A habitual logo pelas "matinas" e ao final da tarde ("trindades") anunciadas pelo toque do sino da torre norte, com o Sacristão a tocar o sino nove vezes em três séries de três toques, mas durante o dia dominava a alegria anunciando a Primavera (número de horas de dia superiores à noite) e a importância da luz para o Mundo Rural. 



Quem estava no campo aproveitava e colhia, uma planta aqui, outra acolá até fazerem uma maia. Os que não estavam, geralmente mulheres, catchópas e catchôpos, aproveitavam uma pequena folga nesse dia - podia ser logo pela manhãzinha ou pela hora de almoço - e iam ao campo colher as "peças" que faziam essa maia ter uma riqueza simbólica para o mundo rural, inigualável. É constituída por cereais, plantas silvestres, arbustos e árvores. Em Montalvão, geralmente, o cereal era Trigo. As flores campestres eram a Papoila e o Malmequer. Nos arbustos, colhia-se Alecrim e uma haste de Parreira. E um indispensável raminho de Oliveira. Fazia-se uma maia - conjunto de caules e ramos - a que se dava, simplesmente, o nome de «Espiga».



Chegados a casa colocavam-se os ramos atrás das portas que iam secando com a passagem do tempo. Só seria substituído pelo do ano seguinte.



Por vezes, ao longo do ano, em dias de aflição, como nas tenebrosas trovoadas montalvanenses, queimava-se ao lume uma das hastes ou parte dela, de alguma das suas seis componentes.



Trigo: A espiga de trigo simbolizava o pão. Que nunca faltasse à mesa até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.



Alecrim: O caule de alecrim simbolizava a saúde. Que nunca faltasse a alguém naquela casa até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.



Oliveira: O raminho de oliveira simbolizava a paz. Que nunca houvesse desavenças dentro de casa, existisse tranquilidade entre familiares, paz na aldeia e no Mundo. Que a colheita de azeitona e azeite fosse farta para não faltar azeite, na candeia e na panela ao lume, pois a fome e o breu trazem conflitos e desentendimentos. Que houvesse serenidade até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.



Malmequer: A flor do malmequer silvestre simbolizava a riqueza. Que nunca faltasse naquela casa, que fosse um ano de fortuna, mesmo apenas afortunado servia, e que cada um dos membros da família soubesse usar o dinheiro até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.



Papoila: A flor da papoila campestre simbolizava o amor. Que nunca faltasse naquela casa, nem a felicidade a todos os seus ocupantes até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.


Parreira: A haste de videira simbolizava a alegria. Que nunca faltasse naquela casa, nem a cada um dos seus habitantes os rostos alegres e joviais até à quinta feira de ascensão do ano seguinte.


Em 2022, a quinta feira de ascensão será em 26 de maio. 



Eis Montalvão cuja origem remonta ao mais puro rito do Cristianismo Templário. As atividades humanas decorriam pontuadas pelas cerimónias do Divino
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08 maio 2021

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Montalvão 1803 (Parte II: Natureza)

08 maio 2021 0 Comentários

NESTA SEGUNDA PARTE O DESTAQUE É A NATUREZA DESCRITA NO INÍCIO DO SÉCULO XIX.



Na primeira parte (clicar) já se divulgou o âmbito e objetivo desta descrição elaborada, pelo então Oficial do Real Corpo de Engenheiros, José Maria das Neves Costa, nascido em Carnide (atualmente pertencente a Lisboa) que fez um reconhecimento militar da fronteira do Nordeste Alentejano, publicada em 1803. 

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03 maio 2021

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Tira Maias

03 maio 2021 1 Comentários
UMA DAS POUCAS TRADIÇÕES PRÉ-CRISTÃS EM MONTALVÃO QUE RESISTIU ATÉ AO SÉCULO XX.



A tradição das e para as «catchópas», em montalvanês ou raparigas, em linguagem "grave".

Um rito de Primavera. Um rito de passagem da adolescência para a idade adulta.




No dia três de maio, dia de Santa Cruz, havia o hábito ancestral de «TIRAR AS MAIAS».

As raparigas solteiras faziam cada uma o seu ramo de lindas e variadas flores, a «MAIA», e iam levá-las a casa da pessoa que amavelmente cedia uma sala para a festa da «Tira Maias». Anualmente variava o local. Chegava a ser realizada, também, na via pública: largos, cruzamentos, Adro ou na «Corredoura». 

Logo pela manhã, a meio da sala era colocado um alguidar grande onde as raparigas colocavam as suas "maias" devidamente assinaladas para se saber a quem pertenciam.

Tripeça ou «moutches» em Montalvão

De tarde as raparigas juntavam-se todas na sala. No meio do alguidar uma rapariguinha era sentada numa «trupéça» (com cortiça) ou «moutche» (de madeira de azinho ou sobro) vestiam-lhe uma rodada saia de mulher com o cós atado em volta do pescoço e a roda aberta de modo a cobrir o alguidar escondendo as «maias» que lá estavam. As raparigas tocando adufes e almofarizes circulavam em volta com passo de dança, cantando:

Com bem venhas, Maio
Por esses outeiros
Dando o grão ao trigo
E a lã aos carneiros

E logo a seguir:

Tira, tira a Maia,
A Maia de flores.
Tira tu, Maria
Tira os meus amores.

P' ra que Deus me dê
Um amor .... (sapateiro ou carpinteiro ou ferrador ou etecetra)
P' ra bincar com ele
No mês de janeiro

Ou:

Tira tu, Maria
Tira os meus amores
Com quem brincar
Em manhã de flores.

P' ra Deus me dar
Um amor doutor
Com quem eu brincara
Em manhã de flores.

A pequenita, debaixo da grande saia de mulher, tirava ao acaso uma das «Maias» que logo era reconhecida pela autora, que ficava desta forma conhecedora da profissão do futuro marido. A pequenita que tirava as «Maias» ganhava depois a maior, o «Maião».




Neste dia também era usual ornamentar de flores e alecrim o Cruzeiro em frente da ermida de Nossa Senhora dos Remédios («Senhô-Drumédes», em montalvanês).

E assim se fez Montalvão...
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