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24 outubro 2020

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Além-Tejo (1255)

24 outubro 2020 + 0 Comentários
AÍ ESTÃO OS TEMPOS DE MUDANÇA.



Com o território pacificado mas pouco povoado as Ordens Militares vão perdendo importância. No território, outrora da Açafa, doado em 5 de julho de 1199, os Templários conseguiram êxito total na expulsão dos almóadas e pacificação levando a "fronteira cristã/muçulmana" para um limite cada vez mais meridional. Mas não tiveram o mesmo sucesso no povoamento pois até Nisa, fundada em 1232, não era muito povoada face às expectativas de poder ser um polo difusor de povoamento numa vasta área, mesmo com a ideia mítica que teria sido fundada com a ajuda de antigos habitantes de Nice (França) daí a semelhança entre os dois topónimos.


Os Templários com a sua mestria e desempenho conseguiram mesmo fazer aumentar o território que lhes foi doado em 1199 pois dele não constavam Alpalhão e Arez que estão a sul da ribeira de Figueiró e desta para ao "esporão rochoso" da Melriça junto a Castelo de Vide.


Depois do domínio das Ordens Militares chegava o tempo das Dioceses tomarem para si a responsabilidade de administrar e povoar o território vasto mas sem capacidade de atrair pessoas de outras áreas ou permitir que o crescimento demográfico fosse sustentável face às características climáticas, geomorfológicas e de organização agrária do Além-Tejo. A estabilidade na organização dos Bispados era muito superior à da Ordem dos Templários. Entre 1240 e 1255, houve cinco Mestres da Ordem dos Templários (há investigadores/divulgadores que indicam seis), mas dois Bispos da Guarda e um Bispo de Évora. Mesmo até à extinção dos Templários a renovação da liderança nestes e a estabilidade dos dois Bispados é por de mais evidente. Não explica tudo, mas clarifica muito.



Depois da reivindicação do território pelo Bispo da Guarda, em 1242, com recusa dos Templários e consequente excomunhão (clicar), seguindo-se a necessidade de proteção pedida ao Bispo de Évora, em 1250 (clicar) adivinhava-se uma luta de poder pela posse do território que restava aos Templários na «Herdade da Açafa», entre o Bispado da Guarda e o de Évora. E eis que chegaria em 1260 como mais tarde, aqui neste blogue, num Futuro próximo, talvez já em Novembro deste ano de 2020, será divulgado todo o vasto acordo entre os dois Bispados, em latim e a respetiva tradução em português contemporâneo. A seguir publica-se um excerto (dez por cento do texto do acordo) e a divisão territorial.

Antes recordemos parte do texto da ata feita na cidade de Tomar, em abril 1250, em latim e a tradução:



E um pequeno excerto do vasto texto escrito em 22 de março de 1260, em latim e a divisão territorial acordada (esta ainda não é a tradução literal a partir do Latim):



Afinal a estratégia de abril de 1250 - fazer acordo com o Bispo de Évora perante a pressão da Diocese da Guarda - não durou mais que uma década. Em 22 de março de 1260, os dois Bispados preferiram resolver entre eles os limites entre as suas Dioceses à revelia da Ordem do Templo retalhando o território ainda ocupado pelos Templários. Os pormenores ficam para mais tarde, divulgados aqui no blogue, como já ficou atrás escrito. 


Para trás (Passado) ficaram registadas as ações de abnegação, mestria e coragem dos míticos Cavaleiros da Ordem do Templo de Salomão. No Futuro (para nós e vindouros) está espelhado muito do que eles foram, fizeram com tanto apego e valor que ficará deles para todo o sempre uma imagem como esta:




O território templário a sul do rio Tejo ia resistindo. Em 1260 nova tormenta chegaria...

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19 outubro 2020

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Música Concertina Montalvanense

19 outubro 2020 + 0 Comentários

 EM MONTALVÃO AS CERIMÓNIAS MAIS POPULARES SEMPRE FORAM ACOMPANHADAS DE MÚSICA.



Mas como por todo o Alto Alentejo não se pode dizer que a música popular seja "exuberante" como noutras regiões do País, embora os dois grandes estudiosos da música popular portuguesa, com recolhas efetuadas por todo o Portugal, Michel Giacometti (nascido na Córsega/França) e Fernando Lopes Graça afirmassem que cada região tinha as suas formas musicais de acordo com, as características das respetivas ruralidades, a nível da relação empregador/jornaleiro e do tipo de técnicas agrícolas empregues na generalidade das tarefas agrícolas.



O Alto Alentejo fica entre duas regiões com características diferenciadas, onde dominam formas de expressão musical bem definidas e distintas: a Beira Baixa com adufes e variações rítmicas consideradas das mais diversificadas de Portugal e o Baixo Alentejo com o "Cante" polifónico com grande amplitude e enorme variedade de letras que está reconhecido, devida e inequivocamente, como «Património Imaterial da Humanidade» pela UNESCO.   



No Alto Alentejo, a música popular mais divulgada e consistente é a «Moda das Saias» ou simplesmente «Saias» uma forma musical simples e cantada por isso podem ser só cantadas ou podem ser bailadas. O ritmo é binário composto (6/8) com pandeireta, no século XVII (1601 a 1700), também adufe mais tarde com concertina. Até castanholas podem ser usadas por quem dança e canta, o que também liga a «Moda das Saias» à música/dança do sul de Espanha.


Segundo os estudiosos do assunto (clicar):

Dançar e cantar a Moda de Saias

O que é a «Moda de Saias» do norte alentejano é a grande pergunta que se deve fazer, até porque não há uma resposta exata a essa dúvida. Pode ser um tipo de canção regional portuguesa, isto é, um capitulo do nosso cancioneiro tradicional, pode ser uma dança tradicional, pode ser uma forma de canto, e pode ser tudo isto ao mesmo tempo.

Giacometti e Lopes Graça, que, no passado século, recolheram parte destas cantigas de campo, ligaram a Moda de Saias aos despiques que aconteciam nos trabalhos agrícolas, nomeadamente por altura das colheitas, dizendo que estes podiam, ou não, ser bailados, e acrescentaram que estes cantarolares também poderiam acontecer em momentos de descontração e festa. Estes mesmos estudiosos da música popular portuguesa apontam Espanha como a influência principal das «Saias» alentejanas – tendo em conta a proximidade da raia, não parece de todo improvável. Há aqui uma distinção a fazer nesta influência espanhola: uns dizem que poderá vir da Saeta, dança religiosa do folclore do sul de Espanha; outros que virá de tradições do sul de Espanha, mas de cariz profano e não religioso, aproximando-a do bailado sevilhano. Parece, até pelo carácter lúdico do cantar das «Saias», que a segunda hipótese é mais plausível.



A estrutura dos versos da «Moda das Saias» é muito simples e pode ser adaptada a cada localidade, como estes versos:


Todos

Adeus Montalvão branquinho
Não és vila nem cidade,
Mas és um rico cantinho
Onde mora a mocidade.

Homem

Menina que tanto sabe,
Diga lá o seu saber,
Uma camisa bem feita
Quantos pontos vem a ter.

Mulher

Quantos pontos vem a ter
Vou-lhe já explicar,
Nem é mais e nem é menos
Dos que lhe querem prantar.

Homem

Estas raparigas finas de hoje
Iguais às de ontem no monte,
Albardá-las e mandá-las
Com um cântaro à fonte.

Mulher

Estes rapazes de agora
Estes que de agora são,
Albardá-los e mandá-los
à serra buscar carvão.

Homem

Canta lá ó prima, ó prima
Canta prima tu mais eu,
Canta lá ao teu amor
Que ó prima eu canto ao meu.

Mulher

Anda cá meu preto moreno
Torradinho ao sol de agosto,
Quanto mais moreno mais fino
Quanto mais fino mais gosto

Homem

Menina que tanto sabe
Faça-me esta conta bem,
Um moio de trigo limpo
Quantas meias quartas tem?

Mulher

Falaste no trigo limpo
Mas não me falas no joio
Quatrocentas e oitenta
Meias quartas tem o moio.

Todos

As ondas do teu cabelo
Nelas me deito a afogar,
É pra que saibas amor,
Que há ondas sem ser no mar.



Em Montalvão, a concertina, em meados do século XX (1901 a 2000) era o instrumento que não podia faltar em casamentos e bailes, no Salão da Xá Cezíla-a-Zabumba (rua da Barca) ou da Xá Gracinda (rua do Arneiro).



Salão de Baile
As duas tabernas com salão de baile eram sumptuosas. Nos dias de festa engalanavam-se com artistas tocadores. Eram concertinas, banjos, música e tudo a dançar. O Salão de Baile da Xá Gracinda era afamado. Música de fora, até vinham tocadores, dizia-se, lá dos lados de Lisboa, para abrilhantarem, até às tantas, as danças de pares, entre as montalvanenses e os montalvanenses. Nem se cabia e se o salão era grande. 



Até com apenas uma harmónica (gaita-de-beiços) se fizeram bailes nos anos 50! 



Montalvão tinha sempre algum tocador de concertina. Havia música (e baile) pouco depois do «Entrudo», o "Baile da Sardinha» em que no final se fazia cair no salão, doces e enfeites, pendurados durante o baile no teto do salão. Havia música (e bailes) a abrilhantar e dar alegria aos casamentos, durante dois ou três dias, muitas vezes com tocadores que vinham "de fora" como, por exemplo, de Nisa. Havia música pela «Festa da Senhô Dumédes» (8 de setembro) quase sempre três dias, na Corredoura, antes ou depois - dependia do calendário de cada ano - do dia de Nossa Senhora dos Remédios. 



Mas havia música num qualquer domingo em que os «quintes» em ano de "Sortes" (Inspeção Militar) decidissem que tinha de haver alegria a percorrer as ruas da povoação. Vai de se juntarem e correrem os arruamentos de concertina e a cantarolar, em grupo a tentar ocupar a largura das ruas. 



Os «quintes» eram os grandes animadores musicais em Montalvão para lá dos bailes aprazados e das Festas de setembro.



Depois com a inauguração das instalações definitivas da Casa do Povo, em 10 de setembro de 1952, os bailes (e a música) passaram para o grande salão que está no seu interior.



E escrevendo acerca da música em Montalvão nunca se pode ignorar a Banda Filarmónica, bem como as contradanças do rancho folclórico. A Banda Filarmónica (musseca, em «montalvanês» que existiu durante quase uma década, atuando aquando em grandes eventos que ocorrerem na povoação ou nas alvoradas dos dias da "Festa da Senhora" bem como na Praça de Touros (Corridas à Vara Larga) e, até num qualquer domingo de manhã, percorrendo as ruas de Montalvão terminando a atuação na Praça da República, convidada para abrilhantar festas para lá da povoação, em Arez até em localidades no concelho de Castelo Branco - Perais e Benquerenças - mesmo de Vila Velha de Rodão, como Perdigão (Fratel). 



As Contradanças com atuações mais episódicas, ao som da concertina, mas também para lá dos limites do povoado, em Nisa, Portalegre e Elvas, pelo menos.



Dois textos de José Alberto Sardinha, publicados em 1982, um dos investigadores que melhor soube continuar o trabalho dos seus mestres (Michel Giacometti e Lopes Graça) acerca da Beira Baixa e do Alentejo. Depois uma tema musical onde se percebe como se conseguem "colar" várias "Saias" numa série infindável de letras ilustrando como é um tema simples mas que pode ser bailado até "ser dia".




Assim, também, se fez Montalvão.


NOTA: Há ainda o Grupo Coral "EmCanto" mas escrever acerca dele e de Montalvão contemporâneo está aprazado para quando forem publicados os dados demográficos e habitacionais do Recenseamento Geral da População a realizar em 2021. 






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18 outubro 2020

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Festa do Santíssimo Sacramento

18 outubro 2020 + 0 Comentários
NO TERCEIRO DOMINGO DE OUTUBRO REALIZAVA-SE EM MONTALVÃO UMA DAS MAIS ESPLENDOROSAS CELEBRAÇÕES. 



O dia dedicado a consagração do Santíssimo Sacramento que remonta à «Bulla Dominus Noster Jesu Christi» do Papa Paulo III, publicada, em 30 de novembro de 1539, teve grande importância no Cristianismo pois celebrava a Eucaristia, relembrando o sacrifício de Jesus Cristo no Calvário. Depois da Bula Papal rapidamente as comunidades cristãs formaram Irmandades para honrar e relembrar anualmente o momento que ocorrera em Jerusalém e que se tornou orgulho de quem passou a ter Cristo como referência espiritual.
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12 outubro 2020

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Mitos e Lendas de Montalvão III

12 outubro 2020 + 0 Comentários

NÃO PARECE VEROSÍMEL TER EXISTIDO UM CONVENTO EM MONTALVÃO.


O "Pátio" é muitas vezes referenciado como sendo um antigo convento ou o que resta de um antigo convento. Tal não parece possível.

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11 outubro 2020

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Feira de São Miguel

11 outubro 2020 + 0 Comentários
NO SEGUNDO DOMINGO DE OUTUBRO A VILA (MONTALVÃO) AGITAVA-SE TODOS OS ANOS.



Era dia de fazer a trouxa e partir cedo para Nisa. Dezassete quilómetros bem medidos pela frente sabendo que pela tarde outro tanto estava por fazer.

A estrada de Montalvão para Nisa e de Nisa para Montalvão transformava-se numa rua. A pé, em carroças a pagar transporte em fretes com carros de mulas ou machos era rara a família (adultos) que - não estando incapacitado - ficava em Montalvão. As crianças esperavam e desesperavam por algum presentinho vindo da Feira. Por vezes a ansiedade levava-os quase até à "Casa dos Cantoneiros" esperar os pais que regressavam da Feira. E não era estar ansioso por um qualquer brinquedo, mas sim por uma peça de vestuário ou uma qualquer espécie de fruta que não existia para todos em Montalvão, como umas maçãs que mesmo bichadas e enrugadas pareciam vir de "outro mundo!"
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03 outubro 2020

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Os Professores

03 outubro 2020 + 1 Comentários
HOUVE DEZENAS DE PROFESSORAS/PROFESSORES EM DOIS SÉCULOS MONTALVANENSES.



No auge demográfico e social de Montalvão no século XX (Anos 40 e 50), houve o senhor Tomás da Escola (rapazes) e a Dona Mónica (raparigas). Chegaram depois o senhor Domingos Antunes, a D. Ana e o senhor Marcelino (estes dois formavam, também, um casal); a Dona Maria de Lurdes; e a Dona Lucília. E a seguir, tal como antes, muitos outros.

Foram estas três professoras e o professor Domingues Antunes que inauguraram a "Escola Nova" no sítio do Bernardino como se fez referência neste blogue aquando dos 70 anos da existência da Escola (clicar).
Catchópas/raparigas: D. Mónica, com as primeira e terceira classe; e D. Maria de Lurdes, com as segunda e quarta classe; 
Catchôpos/rapazes: Senhor Domingos Antunes, com a primeira e terceira classes; D. Lucília, com as segunda e quarta classe.  

(clicar em cima desta e de quase todas as imagens permite melhor visualização das mesmas)


Há um facto curioso, na atualidade um anacronismo. As catchópas só podiam ter professoras, mas os catchôpos podiam ter professoras ou professores.



Até à inauguração do novo edifício, no início do segundo período, do ano letivo de 1949/50, o edifício onde funcionava a escola dos rapazes era na rua de São Pedro e o das raparigas na rua da Barca (Casa do Senhor Padre). 



Duas professoras na "Escola das Raparigas" que depois foram inaugurar o novo edifício, em 23 de janeiro de 1950. A escola funcionava nas salas da frente do primeiro piso. O senhor padre vivia no piso térreo e nas traseiras do piso superior, onde estava a sua enorme cozinha e a serventia para o quintal que era quase uma «tapada» dentro de Montalvão!

A dificuldade em fazer corresponder edifícios de há um bom "par de anos" com a atualidade tem aqui um dos exemplos. Uma casa - entre o portão de serventia para o quintal onde vivia a Xá Ana (a Bordôa) e o portão de igual serventia da casa do senhor Tomás da Escola está transformada em duas e com o piso superior alterado para duas varandas: na origem apesar de grande só tinha piso térreo. Uma casa de branco caiado foi transformada em duas, curiosamente com barras diferentes, uma a ocre e outra a azul ultramarino. Muitas mudanças houve em Montalvão nos últimos 50 anos. Desde aglutinar/juntar duas ou mais casas numa, elevar pisos ou separar, como foi neste caso, da antiga "Escola dos Rapazes"! 


Um professor e uma professora na "Escola dos Rapazes" no edifício do senhor professor Tomás, cujas classes transitaram para o novo edifício. Na rua de São Pedro, a escola funcionava nos quartos da frente e o senhor Tomás, mesmo já não sendo professor, vivia na parte de trás com serventia para o quintal. Era neste edifício que todos, rapazes e raparigas, faziam o exame da terceira classe! Na quarta classe, durante anos, só em Nisa.

O sistema de ensino sofreu muitas mudanças durante o século XX que não está no âmbito destes textos serem demasiado exaustivos, mas há que saber que existiram diferenças na escolaridade obrigatória, entre rapazes e raparigas.

in «EVOLUÇÃO DA POLÍTICA EDUCATIVA EM PORTUGAL»; página 14; Alice Mendonça; Universidade da Madeira; 2017; Funchal

Da teoria legislativa à prática ia uma grande distância e era impossível controlar o que faziam as famílias num contexto de dificuldades no dia-a-dia em que não se entendia que necessidade tinham os filhos (principalmente as filhas) de estarem na Escola havendo tanto que fazer em casa e no campo. De pouco serviria, em Montalvão, saber mais que o básico, daí taxas de analfabetismo "assustadoras" que ainda na atualidade atingem, principalmente, mulheres acima dos 85 anos, ou seja, nascidas antes de 1935.


Além de que era possível fazer exame da terceira classe em Montalvão (para muitas catchópas o fim da escolaridade) mas da quarta classe apenas na sede de concelho, em Nisa. Neste edifício.





Montalvão tem uma história antiquíssima de oferta educativa. Com o ensino como fator importante de desenvolvimento de Portugal, consagrado na Carta Constitucional, em 1826.

in «EVOLUÇÃO DA POLÍTICA EDUCATIVA EM PORTUGAL»; página 7; Alice Mendonça; Universidade da Madeira; 2017; Funchal

Muito antes já Montalvão tinha escolas e era dos concelhos de Portugal melhor apetrechados, num tempo em que o ensino estava organizado por 47 Dioceses/Comarcas que existiam em Portugal. Portalegre era uma delas. Um "apanhado" pois merecerá destaque num Futuro próximo. Aliás para escrever acerca do ensino, em quantidade e qualidade, para Montalvão, terá de haver um tríptico: Escola Nova (clicar), Professores (3 de outubro de 2020) e Oferta Escolar (fica a faltar este). 









Os onze concelhos na Diocese ou Comarca de Portalegre antes da Reforma Administrativa iniciada, em 16 de maio de 1832 (decreto n.º 23), por Mouzinho da Silveira, nascido em Castelo de Vide (12 de julho de 1780) falecendo em Lisboa (4 de abril de 1849). Houve depois mais dois importantes decretos que deram forma ao que vigora na atualidade: 28 de junho de 1833 e 6 de novembro de 1836 


Sem necessidade de prolongar demasiado este texto os mapas e quadros não deixam dúvidas. Montalvão era dos concelhos do diocese de Portalegre aquele que oferecia mais oportunidades. Apenas os concelhos de Portalegre e Castelo de Vide tinham mais professores (de nível 1, para simplificar) e nível 2 (também para ter leitura simplificada). Dos onze concelhos (da Diocese ou Comarca) só onze ofereciam "Primeiras Letras/nível 1" e sete "Escolas Menores/nível 2". No nível 1, Montalvão oferecia três cadeiras, mais uma que Nisa, menos uma que Portalegre e duas que Castelo de Vide. Para o nível 2, Portalegre (4) e Castelo de Vide (2) tinham mais oferta que os restantes cinco, incluindo Montalvão. A Vila tem uma oferta educativa surpreendente num território com escassos meios culturais e educativos. No século XIX, mas já transitava do anterior, Montalvão era um território com um potencial educativo inusitado. Se depois foi utilizado, ou bem utilizado, isso já é outro "assunto"!


Um exemplo pessoal
Dos meus quatro avós - dois avôs e duas avós - nascidos, em 1905 (avô materno: 28 de novembro), 1910 (avó materna: 22 de fevereiro; e avô paterno: 30 de agosto) e 1914 (avó paterna: 4 de agosto) - só o meu avô materno, sabia ler e escrever (curiosamente o mais velho dos quatro) com a quarta classe feita em Montalvão, em 1916. E até mais que saber escrever, ler e contar, sabia falar, pois sabia pensar o que nem sempre é o mais fácil. Sabendo que fizera o exame da quarta classe sendo aprovado com distinção, lembro-me de o questionar. «Porque não estudou o avô mais depois da quarta classe?» Para mim, na minha inocência de dez/doze anos, à Escola Primária, seguia-se o Ciclo Preparatório, Liceu e Universidade. Com os seus olhos claros e esbugalhados respondeu certeiro, como sempre: «Para que queria um carpinteiro, em Montalvão, saber Latim e Grego!» Intrigou-me. Só passados mais de 40 anos percebi porquê! Eram algumas das disciplinas/cadeiras do que se seguiam à quarta classe (Primeiras Letras) nos chamados "Estudos Menores". Mas que podia ter aprendido - e em Montalvão - podia! Ainda outra curiosidade. Guardava religiosamente na carpintaria o seu livro da «Escola Primária». Além de ser na ortographia pré-reforma de 1911 - demorou a chegar a Montalvão, como tudo... - que tanto indignou Fernando Pessoa era mesmo um livro único, pois tinha desde as primeiras letras a textos complexos, ainda que o meu avô dissesse que  o professor "obrigava-os" a lerem capítulos de livros conhecidos de escritores portugueses reconhecidos.



Aquando da inauguração do edifício da nova escola, eram estes os quatro livros das quatro classes. Livros únicos, mas únicos para cada classe.




Depois outros se seguiram, infelizmente já não se pode escrever "e outros se seguirão" pois a escola há muito que deixou de existir como local para aprender e "fazer exame da quarta classe". No século XVIII havia Escola em Montalvão. No século XXI era bom, era!


Próxima "paragem": Os Curandeiros





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